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Boicote à vacina chinesa é o maior atentado de Bolsonaro contra a saúde pública

Published by Anonymous (not verified) on Sun, 25/10/2020 - 3:03pm in

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Bolsonaro-Vacina1

Ilustração: The Intercept Brasil

Primeiro, o presidente da República disse que não obrigaria ninguém tomar vacina contra a covid-19, apesar de ter assinado um decreto que torna a vacinação compulsória. Ele pretendia antagonizar o governador João Doria, que afirmou que a vacina seria obrigatória em São Paulo. Depois, suspendeu o protocolo firmado entre seu ministro da Saúde e o Instituto Butantan para a compra de 46 milhões de doses da vacina criada pelos chineses. Passou então a fazer ataques contra a vacina sem base em nenhum dado científico, colocando uma nuvem de dúvidas sobre a população quanto a sua segurança. Na prática, Bolsonaro boicota a saúde da população com base em um preconceito estúpido contra os chineses.

Essa empreitada para boicotar a vacina talvez tenha sido o crime de responsabilidade mais evidente já cometido pelo presidente. Mais evidente e mais vil. Foi provavelmente o mais baixo degrau moral que um presidente já chegou. Estamos diante um atentado contra a saúde pública que, se confirmado, matará milhares de brasileiros.

A fama de genocida vai ganhando justificativas irrefutáveis. Essa é só mais uma ação de um presidente que enfrentou a pandemia se baseando unicamente em critérios ideológicos, rejeitando a ciência e, consequentemente, empurrando seu povo para a morte. O “efeito Bolsonaro” foi comprovado por uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, que concluiu que, quanto mais bolsonarista uma cidade, maior o número de pessoas infectadas com a covid-19. Os pesquisadores afirmam que para cada 10 pontos percentuais a mais de votos para Bolsonaro, há um aumento de 12% no número de mortos pela doença. A politicagem barata de Bolsonaro, calcada nas paranoias anticiência da extrema direita, mata cidadãos brasileiros. Essa já não é mais uma questão de opinião. É um fato.

Esta talvez tenha sido a semana em que Bolsonaro contou mais mentiras — e olha que ele estabeleceu um padrão altíssimo no volume de mentiras durante o mandato. Primeiro, passou a questionar a falta de comprovação científica da vacina. Sim, o garoto-propaganda da cloroquina, cuja ineficácia para o tratamento contra a covid já foi fartamente comprovada, decidiu agora se fiar na ciência. Registre-se que os EUA chegaram a doar 2 milhões de doses de cloroquina para o Brasil e, logo em seguida, suspenderam seu uso para o tratamento da covid. A obsessão pelo remédio era tanto que um ex-assessor de Bolsonaro, Arthur Weintraub, sugeriu que os opositores da cloroquina deveriam ser julgados como os nazistas foram pelo Tribunal de Nuremberg.

“Não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem”, afirmou Bolsonaro. Acontece que isso nunca foi um problema, já que ele destinou quase R$ 2 bilhões para a vacina de Oxford, que está no mesmo patamar de testagem da vacina criada pelos chineses e, pasmem, será fabricada com insumos farmacêuticos chineses. “Não acredito que vacina chinesa transmita segurança pela sua origem”, destilando mais uma vez seu preconceito contra os chineses. É com essa desconfiança, referenciada unicamente por mentiras espalhadas nas redes sociais, que o presidente trata o nosso principal parceiro comercial.

Essa volta à baila do preconceito contra os chineses coincide com a visita de um conselheiro de Donald Trump ao Brasil, cuja principal missão foi a de impulsionar uma campanha anti-China por aqui. Uma de suas ações foi tentar barrar a empresa chinesa Huawei do mercado de 5G por supostamente não oferecer garantias de segurança e privacidade. Portanto, os novos ataques contra a China matam dois coelhos com uma cajadada só: ataca Doria, considerado por ele seu principal rival na sucessão presidencial, e balança o rabinho para Trump — uma subserviência que é a marca da política internacional bolsonarista e que até agora não nos trouxe nada de positivo, muito pelo contrário.

Precisamos falar sobre a postura do presidente da Câmara Rodrigo Maia que, até aqui, vem normalizando o projeto bolsonarista de destruição do estado e da saúde dos brasileiros. Apesar de passar meses batendo boca com o presidente pela imprensa no auge das ameaças golpistas, o DEM, seu partido, seguiu passando pano para Bolsonaro. É o terceiro partido mais fiel ao bolsonarismo nas votações da Câmara, ficando atrás apenas de partidos de extrema direita como PSL e Patriota.

Além disso, Maia sentou sobre todos os vários pedidos de impeachment não por acreditar que não haveria votos suficientes para aprová-lo, mas, por não achar que o presidente tenha cometido crimes de responsabilidade, como disse no Roda Viva. A afirmação é uma afronta à nossa inteligência e à democracia. O que não falta para Bolsonaro são crimes de responsabilidade com provas irrefutáveis. Nem parece que estamos no país que outro dia derrubou uma presidenta por pedaladas fiscais com o apoio de Maia e seu partido.

A postura conciliatória de Maia não tem nada de republicana. Bolsonaro passou atacando instituições e impôs uma agenda genocida ao país com a chegada da pandemia. As declarações do presidente da Câmara o tornam um garantidor do bolsonarismo e ajudam a normalizá-lo. O país viveu quase dois anos assistindo às maiores barbaridades antidemocráticas da história do Planalto enquanto o chefe da Câmara tratava de colocar panos quentes. Essa postura conciliatória seria louvável se não estivéssemos lidando com um presidente com uma postura facínora, disposto a empurrar milhares de brasileiros para a cova — uma tragédia que terá as digitais do presidente da Câmara. O bolsonarismo virou o novo normal com a contribuição generosa de Maia.

A cobertura da grande imprensa tem sido cada vez mais lamentável. Depois de exaltar nas manchetes a conversão de Bolsonaro à moderação — algo que nunca aconteceu de fato —, agora trata a discussão em torno da vacina como uma disputa política normal entre dois rivais políticos. A obsessão pelo “doisladismo” que assola o jornalismo pode nos levar aos lugares mais obscuros.

Vimos por todo canto do noticiário manchetes destacando a “disputa” e a “guerra”entre os políticos em torno da vacina. “Como disputa entre Bolsonaro e Doria pode atrasar vacina”, “Em guerra da vacina, Bolsonaro ataca Doria“, “Como disputa entre Bolsonaro e Doria pode atrasar imunização dos brasileiros“. Lendo essas manchetes, fica a sensação que temos dois adversários políticos brigando por seus próprios interesses quando, obviamente, não é esse o ponto central. Trata-se de uma questão de saúde pública, em que o presidente renega a ciência e coloca a população em risco. Esse é o fato grave a ser destacado. Doria, claro, faz seu marketing em cima da coisa, mas, de fato, está cumprindo o que lhe cabe como governador para trazer a vacina.

O emprenho por tratar tudo com isenção e equilíbrio, mesmo que isso afete a precisão da informação, transformou um assunto da maior gravidade em uma mera disputa de cabo de guerra. É claro que existe um embate político por trás, como há em tudo, mas ele é irrelevante quando temos um presidente da República fazendo o diabo para sabotar uma vacina por motivos puramente ideológicos. Esse doisladismo atende aos interesses de Bolsonaro. Tudo o que ele quer é transformar a questão em uma “guerra”, uma “disputa” política. Esse tipo de cobertura tira o foco do caráter genocida do boicote do presidente à vacina.

A boa notícia é que a Anvisa liberou a importação da matéria-prima utilizada na fabricação da vacina chinesa no Brasil, mesmo depois das declarações de Bolsonaro. Dois dias antes, ele afirmou que o presidente da Agência não teria pressa em liberar a vacina. Vamos ver até onde vai o plano do presidente em boicotar a saúde do povo. A ideologia bolsonarista é uma máquina de fabricar cadáveres.

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Você não vai acreditar como Folha e Globo faturam com propaganda enganosa disfarçada de notícia

Published by Anonymous (not verified) on Sun, 06/09/2020 - 3:02pm in

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Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil

Ao final de textos publicados em sites de jornalismo, é comum os leitores se depararem com uma fileira de pequenos anúncios sensacionalistas disfarçados de conteúdo jornalístico. Os títulos são sempre apelativos — conhecidos como clickbaits —, feitos com o único objetivo de fazer o visitante clicar. Esses anúncios geralmente giram em torno de dicas de saúde, novidades sobre celebridades e maneiras fáceis de enriquecer. Quando o leitor clica, é levado para sites desconhecidos de baixíssima qualidade, que oferecem algum produto duvidoso. O problema não são apenas as chamadas sensacionalistas, mas o conteúdo dos textos. Vários deles são falsos. Leitores de sites jornalísticos sérios estão a um clique de distância de fake news.

Esse modelo de veiculação automática de anúncios em grandes sites vem sendo criticado nos Estados Unidos pelo menos desde 2016. Editores de alguns dos principais veículos americanos passaram a questionar os efeitos desse modelo de anúncios sobre a credibilidade das suas marcas. As revistas Slate e a The New Yorker decidiram interromper a exibição desses anúncios em seus sites. Um artigo sobre misoginia de Trump na Slate, por exemplo, era acompanhado de uma chamada para a seguinte notícia “10 celebridades que perderam seus corpos sarados”. Abaixo da manchete, fotos mostrando o antes e depois do corpo de uma mulher famosa completam a baixaria. Na campanha de 2016, esses espaços patrocinados também foram usados para espalhar mentiras sobre a candidata democrata Hillary Clinton.

Taboola e Outbrain são as duas grandes empresas que dominam esse mercado dos anúncios clickbait. Fundadas em Israel, elas cresceram nos EUA e têm se espalhado pelo mundo. Oferecem aos sites de jornalismo uma solução que automatiza o conteúdo sugerido e reconhece o interesse do leitor a partir de pistas contextuais, como o histórico de navegação, por exemplo. Assim, a todo momento o leitor recebe indicações de conteúdo do próprio site, o que faz com que ele permaneça consumindo notícias por mais tempo. Até aí, tudo bem. O problema é que, em troca desse serviço, Taboola e Outbrain incluem nessas páginas propagandas travestidas de notícias. Os anunciantes pagam para inserir essas chamadas nos sites associados, que também ganham uma fatia dessa grana. As duas empresas estão prestes a concluir uma fusão para dominar de vez o mercado dos clickbaits.

No Brasil, essas empresas chegaram com força. Um jornalista de dados com quem conversei, que preferiu não se identificar, vem acompanhando os links patrocinados do Taboola e Outbrain no rodapé dos grandes sites há algum tempo. Foi ele quem me passou boa parte das informações que guiaram esse texto. Em um levantamento sobre páginas de fake news, o jornalista identificou que as mentiras relacionadas à saúde eram bem mais volumosas que as relacionadas à política. Percebeu também que os links patrocinados no pé das notícias tinham se transformado em uma espécie de “fakeoduto”.

Boa parte dos veículos de grande imprensa brasileira aderiu a esse modelo de anúncios. Os sites da Folha de S. Paulo e do jornal O Globo, os principais jornais do país, estão associados respectivamente ao Outbrain e ao Taboola. Quando o visitante continua a descer a barra de rolagem após a leitura de uma notícia, se depara com um quadro com esses anúncios sensacionalistas misturados com links para notícias do próprio jornal. Apesar de haver uma tarja minúscula indicando ser conteúdo patrocinado, a diagramação dá a entender que as manchetes sensacionalistas dos anúncios são conteúdos produzidos pelo jornal. Esses anúncios estão presentes em todas as páginas da Folha e do Globo que visitei.

Prints das capas da Folha de S. Paulo mostram como os anúncios aparecem disfarçados de notícias com manchetes sensacionalistas.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Perceba nas imagens acima como os anúncios sensacionalistas e as notícias da Folha aparecem misturados no mesmo quadro. Uma notícia do caderno Saúde do jornal figura no mesmo enquadramento de propagandas sensacionalistas para remédios naturais sem eficácia comprovada. Em uma notícia sobre o Brasil ter ultrapassado 4 milhões de infectados pelo coronavírus, o leitor dá de cara com esse tipo de propaganda sensacionalista ao final do texto. Alguns desses clickbaits têm um claro cunho machista, como o “estimulante natural que virou febre no Brasil” ilustrado com uma foto de mulher.

Uma outra “notícia” patrocinada intitulada “Médico Alerta: Pressão alta é um fator de risco. Se você toma Losartana, tente isso” também aparece em meio a outras chamadas do caderno de Saúde da Folha. A losartana é uma droga utilizada no tratamento de hipertensão. Se o leitor clicar nessa notícia, o sistema do Outbrain o levará para o domínio doutornature.com. O texto promete apresentar uma receita natural para a hipertensão, mas começa a enrolar o leitor nos mesmos moldes dos programas de João Kleber. Para acessar a receita milagrosa, é necessário assistir a um vídeo que, entre outras bobagens, afirma que existe uma solução natural para a hipertensão “melhor que dieta e exercícios” e que “já foi citada até na Bíblia”.

É um vídeo hospedado no YouTube, mas a configuração da página do anunciante não permite que você pule para o final, obrigando o visitante a vê-lo inteiro se quiser conhecer o milagre prometido. Toda a narração leva a acreditar que receberá dicas grátis para a cura da hipertensão. Depois de muita enrolação, o vídeo conta que a folha de oliveira é a substância mágica, chamada pelo narrador de “um plano de Deus”. Além da pressão alta, o narrador afirma de maneira categórica que a folha ajuda a combater o diabetes, a emagrecer, te mantém jovem, energizado e mais um sem número de benefícios para a saúde.

De fato, há pesquisas indicando que a folha de oliveira ajuda no controle da hipertensão, mas está longe de ter o efeito milagroso repetido. Depois de 20 minutos, o narrador sugere que você compre esse milagre em cápsulas: o remédio Nature Olive, que você poderá comprar em uma promoção exclusiva no link a seguir. No Reclame Aqui, há mais de 500 reclamações contra a Doutor Nature. Há relatos de todo tipo: remédios que estão fazendo mal, cobranças indevidas no cartão de crédito e atrasos na entrega.

Nesta semana, no final de uma coluna da Mônica Bergamo, encontrei a chamada “Insônia: novo fitoterápico faz dormir sem causar dependência”. O link aparece como se fosse uma notícia qualquer, exceto pelo fato de haver um aviso com letras miúdas avisando que se trata de uma notícia patrocinada. Você clica nele, e o Outbrain te leva para o site topsaudavel.com.

O nome do domínio já exala a picaretagem que vem a seguir. Trata-se de uma propaganda de um remédio milagroso para a insônia disfarçado de artigo escrito por um médico especialista em distúrbios de sono. Depois de muita enrolação, o nome do remédio aparece no quinto parágrafo, e o tal médico afirma: “funciona melhor que a maioria dos tarjas-pretas que eu conheço”. Sim, o doutor garoto-propaganda diz de forma categórica que o tal fitoterápico é mais eficaz que remédios tarja-preta. “Tenho receitado Relaxxia a todos os pacientes que me procuram com problemas de insônia e ansiedade, e os resultados são surpreendentes: 97% deles tem o problema resolvido com Relaxxia, e praticamente não preciso mais receitar tarjas-pretas para ninguém!”

Ao final do artigo, sem o doutor ter contado qual a composição e o princípio ativo do medicamento, uma mensagem piscando lhe oferece um “DESCONTO EXCLUSIVO” de 40% na compra do medicamento. Só depois descobre-se do que é feito o milagre: a cápsula do Relaxxia é um combinado de extratos de ervas naturais como camomila, maracujá, passiflora e melissa. Ou seja, tudo isso para chegarmos no chazinho da vovó, que realmente ajuda, mas não resolve o problema de quem sofre com insônias crônicas. Apesar da convicção do médico vendedor, ainda faltam estudos científicos de peso atestando a eficácia da maioria desses fitoterápicos. O milagre vendido não existe.

Propaganda de remédio contra a insônia aparece em formato de notícia na capa da Folha de S. Paulo.

Foto: Reprodução

É para esse lugar que um leitor da Folha menos cuidadoso pode ser levado. Essa fake news lucrativa está a um clique de uma notícia do maior jornal do país. É a desinformação sendo vendida em um espaço no qual se espera encontrar informação de qualidade. Os sites de jornalismo estão, na prática, faturando com as propagandas de empresas que vendem seus produtos através de sensacionalismo barato e mentiroso. Entenderam o tamanho do drama?

No site do jornal O Globo, a empresa Taboola é quem indica os sites aos leitores. Dentro do quadro criado pela Taboola, há uma promiscuidade entre os anúncios sensacionalistas disfarçados de conteúdo jornalísticos e os conteúdos do próprio jornal. A confusão é proposital para gerar cliques para os anunciantes. Será que todos os brasileiros conseguem facilmente identificar o que é notícia do O Globo e o que é propaganda nessa imagem abaixo? Eu tenho certeza que não.

Foto: Reprodução

O creme para varizes recomendado acima também não funciona. É mentira que a tal fórmula “some com as varizes”. Segundo médicos, todo o creme contra varizes no mercado tem apenas um efeito cosmético tímido, não serve como tratamento. Não há nenhum estudo científico comprovando a sua eficácia. O leitor do O Globo está exposto a esse tipo de armadilha.

Em outra página do jornal, mais um milagre: uma medicação que promete secar a gordura que é chamada de “bariátrica em cápsula”.

Manchete sensacionalista é uma propaganda em formato de notícia.

Foto: Reprodução

Nas diretrizes do site da Outbrain, há uma lista de tipos de anúncios que são proibidos pela empresa:

“Sites que intencionalmente buscam levar o leitor a acreditar em algo que não é verdade”.

“Conteúdo desenvolvido para levar o leitor a acreditar que ele está lendo um conteúdo editorial legítimo ou notícias baseadas em fatos”.

“Conteúdo que possa ser um anúncio habilmente disfarçado (com pouco ou nenhum valor oferecido ao leitor), uma propaganda ou uma farsa”.

Bom, basta você passear por esses sites (desative o bloqueador de anúncios do seu navegador) para verificar que praticamente todos os anúncios exibidos pela plataforma violam essas diretrizes.

Procurada para se explicar, a empresa afirma que há três filtros de checagem: primeiro há um filtro automático que bloqueia palavras e imagens impróprias. Depois, os anúncios aprovados seguem para um time de revisores para garantir o cumprimento das diretrizes. E, por fim, a empresa afirma que as empresas associadas à plataforma, como Globo e Folha, têm total autonomia para criar seus próprios filtros e bloqueios de acordo com as suas diretrizes editoriais e comerciais.

Essa rigorosa filtragem deixou passar os anúncios enganosos que você leu neste texto. Globo e Folha têm total autonomia para criar seus próprios filtros, segundo a Outbrain. Ou seja, todos os envolvidos parecem ter consciência de que estão divulgando conteúdo duvidoso na internet.

A Outbrain ressalta “que todos os produtos anunciados estão regulamentados pelos órgãos competentes, e toda a documentação é exigida do anunciante para que a veiculação seja feita”. Sim, o creme para varizes citado aqui, por exemplo, é aprovado pela Anvisa e vendido legalmente. A enganação está em vendê-lo como remédio milagroso para o tratamento de varizes.

A Folha reconhece que “normalmente os anúncios são chamativos e destacam propriedades milagrosas”, mas completa: “no fim das contas são suplementos e similares que estão à venda nas lojas do ramo”.
O jornal afirma que “os anunciantes da rede sempre têm registro na Anvisa e as regras quanto às páginas de destino obedecem ao manual da empresa”.

A empresa defendeu os anunciantes, dizendo que eles “estão sempre comprometidos a ouvir e trabalham para acatar. Quando temos uma solicitação de remoção e restrição total, também sempre realizam rapidamente”. Ou seja, já que os produtos foram regulamentados pela Anvisa, a Folha não vê problema em faturar com o sensacionalismo desses anúncios. Então ficamos assim: a cápsula feita com um combinado de chazinhos da vovó pode aparecer no site do jornal prometendo ser o remédio definitivo para insônia. Basta que ele tenha sido aprovado pela Anvisa. Então tá.

Taboola e Globo não responderam às perguntas enviadas por e-mail até o fechamento da coluna – o texto será atualizado caso as respostas cheguem após a publicação.

Numa época em que as fake news atrapalham o trabalho dos jornalistas e ameaçam a democracia, empresas de jornalismo oferecem aos seus leitores espaços publicitários repletos de …. fake news. Com que moral essas grandes empresas de jornalismo fazem campanhas para combater as mentiras? Do que adianta lutar contra as fake news se parte da receita dessas empresas de jornalismo é proveniente de anúncios sensacionalistas de produtos que não funcionam?

Praticamente todos os grandes sites de jornalismo no Brasil estão navegando nessas águas turvas. Revista Veja, El País e Estadão também se beneficiam desse modelo de anúncios. Nós sabemos que bom jornalismo requer recursos, mas flertar com a desinformação não me parece um preço justo a se pagar. A grande imprensa brasileira precisa se desvencilhar desses esqueletos no armário se quiser manter o mínimo de credibilidade junto aos leitores.

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Snowflakes Hither, Yonder and In the Tropics: Ungentrifying Journalism from Brazil to Ecuador

Published by Anonymous (not verified) on Tue, 18/08/2020 - 4:02am in

In October 2019, Ecuador’s president Lenin Moreno announced a new round of austerity measures. As the cost of gasoline, diesel, transport and food skyrocketed in the wake of his announcement, the national strike quickly transformed into mass protests. I was in the heart of Ecuador’s capital, Quito, as riot police, tanks, untold amounts of tear gas, and the full gamut of the security apparatus was deployed against demonstrators.

Eleven days later, with an official death toll of eight people and almost 1,200 arrested, the government rescinded. The Kichwa, Shuar, Secoya, the full breadth of the 14 indigenous nations, including Afro-Ecuadoreans, the poor and working class — the people had won this round. And I, to the best of my knowledge, had become the sole person of African-descent to provide an international report of the events.

 

Segregated media reports from Brazil

The once popular hashtag, #NewsroomsSoWhite, carries a good measure of this malign. In Brazil, home to the second largest African-descendent population in the world behind Nigeria, gentrified, global-north newsmakers have spread like wild mushrooms after a downpour. Among this bunch, we count the Intercept-Brasil, Jacobin-Brasil, El Pais, and Le Monde Diplomatique. CNN Brasil launched this year.

In one report, CNN Brasil’s Shasta Darlington — a white woman — opens her coverage with video footage of black youths flashing guns and selling drugs in a Rio de Janeiro favela. It’s curious inasmuch as its striking resemblance to Adriana Diaz’s CBS News “On Assignment” report “The Guns of Chicago.” The general message: black youths are armed, shirtless, virulent, sorted into gangs, and pathetically dangerous. Popular, value-neutral consumption is its aim. No examination of Brazil being one of the most socially stratified countries on earth. No mention of a decades-long exodus of souls from the country’s northeast region, fleeing both drought and economic depravation in search of green pastures in the marvelous city and São Paulo. No subsequent comparative report on Operação Calabar, a 2017 investigation which led to the arrest of 80 Rio de Janeiro military police for selling automatic rifles and munitions to drug-traffickers.

If uncareful, one might mistake Darlington’s report for a promo hyping the ongoing militarization of Rio de Janeiro. Why not? As a 6-year-old girl in Quito’s Carolina Park told me one day, “Todos los negritos son ladrones” (All niggas are thieves). Unsure, and absolutely sure of my aural faculty, I hardened my face and asked, “What did you say?” Squaring me eye to eye, her sassy gull was anything but circumspect—“Todos los negritos son ladrones.” Indeed, Darlington’s reporting is as opaque as it is disaggregating, a notorious case study on segregated international news coverage and its belittling of global perspectives.

Meanwhile, Pulitzer Prize-winning journalist Glenn Greenwald has tasked himself with defending “Brazilian democracy.” Whatever that means. For us who speak Portuguese, it does mean having to endure his robotic enunciation of an otherwise beautiful language. Not that Tupí-Guaraní is of any less stature or beauty. “We don’t speak Portuguese, we sing it,” an artisan in the Pelourinho, Salvador’s historic centre, once told me.

Greenwald’s coverage has garnered ire from Brazil’s right-wing, even a few swings from Augusto Nunes. His commitment to unveiling how Sergio Moro conspired with other top officials to convict Brazil’s most popular and successful president, Luíz Inácio Lula da Silva, is unquestionable. As bounty, Bolsonaro handpicked Moro to serve as his Minister of Justice days after “winning” the presidency. After having been removed from the UN’s hunger list and millions lifted out of poverty during Lula’s presidency, Brazil was taking a sharp turn to an ungainful future.

Notwithstanding Greenwald’s defense of Lula, it cannot be ignored that his work dwells in a silo of privilege. In the current, polarized tug-of-war mouthing left-this, right-that, support fascism or democracy—dare the imagination recall a single day when Brazil held the status of democracy—voices ruminating as outliers wither away. The binaries at work don’t register their signals.

“Brazil has blacks too?” is a quote attributed to former U.S. president George W. Bush. However, Greenwald too seems to have forgotten that he lives in a country where black people are not only the majority, but have the agency and skills to hold their own in international journalism. This fact is not so much as an afterthought for the bevy of progressive media powers operating in the tropics: the mammoth machine of mainstream and western media at-large tells us who is articulate enough, indeed worldly, mindful, and honest enough to saddle the demands required of international journalism. In its view, people of color, in general, and black people, in particular, lack the wherewithal to assume this role.

Unfortunately, progressive Brazilian news outlets fare no better. The editorial board and international correspondents at Brasil 24/7, Carta Capital, Brasil de Fato, and Pragmatismo Político, to name a few, indicate that their staff is as exclusionary as Bolsonaro’s cabinet members, an issue they hotly opposed. Placing a mirror before his ministers merely reflects the callous, monolithic state of journalism.

 

Racial democracy vs reality

Last year (2019) the Rio de Janeiro police force set a new record. At least 1,546 people were killed by law enforcement. I emphasize at least because the body count, according to the Instituto de Segurança Pública, is comprised from January to October 2019. Black youths comprised the majority of victims. Does eight-year-old Ágatha Félix ring a bell? Shot in the back, killed by policemen who invaded the Complexo do Alemão favelas on the 20th of September 2019, Rio de Janeiro’s governor, Wilson Witzel, publicly blamed her murder on people who “smoke marijuana.” Daniel Lozoya, a member of Rio de Janeiro’s Public Defenders Office commented “the more the state kills, the more it strikes…young black youths in favelas.”

In 2017, Brazil broke another record. Government figures recorded 63,880 homicides, a number far exceeding annual casualties in countries at war. Despite this bloodbath, the country pampers itself to the inculpable PR tune of racial democracy. Heralded into the public imagination at the turn of the nineteenth century, racial democracy implies that miscegenation between Indigenous people, Africans and Europeans rendered a society free of institutional and picayune racism. Conceptually part and parcel of maintaining Brazil’s hyper-stratified society, it has systematically excluded and kept black people at the dirt end of the socioeconomic totem pole. In modern politics, the few exceptions—Marielle Franco, Talíria Petrone, Benedita da Silva, Áurea Carolina—only validate the rule. Exceptions are even slimmer in international media.


Two boys draw a depiction of the police shooting of 13-year-old girl during a shootout with alleged traffickers in Rio de Janeiro. Leo Correa | AP

In September 2018, Geysson Santos took to the mic of Hip-Hop Sem Maquiagem (Hip-Hop Without Makeup), a podcast hosted by Allison Tiago and produced from the periphery of São Paulo that routinely interviews black activists. He spared no bones in dismantling Brazil’s siloed leadership class and racial democracy. “The role the left purports to do,” Santos stressed, “falls short because they distance themselves from periphery communities.” He pointed out that traditional left-wing political parties have emerged, primarily, from university student movements or workers’ unions. Be they right or left-wing, the directorial makeup of both organizations remain dominated and controlled by Brazil’s privileged white minority.

Santos emphasized that because of their demographic makeup, traditional left-wing and progressive political parties distance themselves from the very communities they wish to salve. In his assessment, these political parties “don’t reflect our image and our day-to-day militancy… I believe vices exist… and it’s difficult for us, those from periphery communities, to take active roles in them… the way Brazil’s left was formed, even the foundation of Brazil itself, established through extreme racism and bureaucracy. So, it becomes a battleground within the left-wing and progressive camps just to discuss issues involving our youth, the genocide perpetrated against our black youth.” As a result, he concluded, “other structures are organized.”

Consigned to the periphery, forced to build “other structures” as Santos eluded to, independent black media outlets in Brazil have amassed significant followings on their websites and social media platforms. Still, news outlets like Alma Preta, Correio Nagȏ, Notícias Pretas, Hip-Hop Sem Maquiagem, CULTNE Acervo, and others lack the hard resources and, consequently, structural reach so readily available to their competitors and self-proclaimed allies. This includes, but not limited to, no funds, not even a pittance of an honorarium for working writers and staff members; research; on-the-ground and investigative reporting; travel; food; and other essentials of the trade. Unlike The Intercept, co-founded by Greenwald and funded by tech billionaire Pierre Omidyar (eBay founder), the aforementioned media outlets operate on shoestring to zero budgets. Meanwhile, salaries at The Intercept “dwarf those at other center-left, non-profit outlets,” according to a 2019 report published by Columbia Journalism Review. In 2015, Greenwald took home $518,000 and, in 2017, The Intercept, which is classified as a public charity, paid $9.3 million in salaries. In fact, “its largesse may force the non-profit side of the company to abandon its IRS charitable status and reclassify itself as a private foundation.”

 

International media for whose sake?

Before packing my bags and heading to Ecuador a black man asked me, “Are there black people in Ecuador?” This gentleman, an entrepreneur, was older than I and his query aroused great curiosity, to say the least. A few seconds passed. He had combined a sense of innocent naivety in posing his question. I finally responded. The question remains etched firmly in my mind. “Are there black people in Ecuador?”

Media is an extension of pedagogic work. Both are of strategic importance to any people, community, nation. Black and brown people, however, have been and continue to be marginalized in front of and behind the western news lens. It must be well understood that staking our understanding of the world around us on such media outlets, immobilizes, more often than not, the agency demanded of international solidarity. From Fox News to The Intercept Brazil, CNN to Brazil 24/7, right to left-wing and back again, this echo chamber of whiteness has rendered the narratives of black and brown people even more invisible.

Lack of diversity in media is by no means a natural phenomenon. It is not a creationist blip that white bodies must scientifically make right. The responsibility rests in our hands, you and me, to assume the reigns of our stories in order to broaden global perspectives. In doing so we, believe it or not, extend a hand of brother and sisterhood in international diplomacy and relations. If we are remissed, driven solely by careerism, oblivious to the zeal of bonafide world citizens, we will not know that more than one million Afro-Ecuadoreans exist. Most live in the northern province of Esmeraldas and Valle del Chota, as segregated from mainstream Ecuadorean society as a young black man in the Complexo do Alemão favelas in Rio de Janeiro. Ultimately, our knowledge of world events and affairs will remain dependent on and, consequently, stifled by media segregation.

A version of this article was previously published at Model View Culture

Feature photo | Bandeirantes television news reporter, Ernani Alves, right, reacts after his colleague Gelson Domingos was shot during a police operation in Rio de Janeiro, Brazil. Agencia O Globo | Fernando Quevedo via AP

Julian Cola is a translator (Brazilian-Portuguese to English). A former staff writer at the pan-Latin American news outlet, teleSUR, his articles and essays also appear in Africa is a Country, Black Agenda Report, Truthout, Counterpunch and elsewhere.

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‘Financial Times’ Review of Book on Real, Modern Slavery

This is another old clipping I’ve kept in my scrapbooks from the Financial Times, from May 29/30th 1999. It’s a review by their columnist, Ben Rogers, ‘Forced into human bondage’, of Kevin Bales’ Disposable People: New Slavery in the Global  Economy. This is another book that the former Empire and Commonwealth Museum in Bristol had in its library. It’s an excellent book, but obviously very, very grim reading in its truly harrowing accounts of the brutality meted out to real, enslaved people across the world. I’m posting the review here because, while Britain and America are re-evaluating the legacy of slavery following the Black Lives Matter protests, real slavery and its horrors still exist around the world and I am afraid that this is being overshadowed by the debates over historic European slavery.

Rogers begins his review with the subtitled ‘Slavery today may be illegal, but it is still rife’. The review then goes on

It is tempting to think of slavery as a thing of the past. Its legacy lives on, disfiguring relations between Black and Whites everywhere, but surely the practice itself has gone?

This sober, well-researched, pioneering study shows that this, alas, is far from the case. Bales, an American social scientist who teaches in London at the Roehampton Institute, is careful to distinguish slavery from other forms of exploitation: the Pakistani child labourer, the Burmese agricultural worker, although paid a subsistence wage, are not necessarily slaves. Nevertheless, he argues that there are still, on a conservative estimate, perhaps 27m slaves in the world today – a population greater than that of Canada.

Most are located in the Indian subcontinent where they work as bonded labourers, but they exist in almost every country in the world. Paris harbours as many as 3,000 household slaves, Saudi Arabia, Kuwait and other Arab states many more. In the Dominican Republic, enslaved Haitians harvest the sugar that we eat. In Brazil, child prostitutes are forced to service the miners of the metals we use.

Of course, modern slavery is different from the old variety practised in ancient Athens or the American South. But in certain respects, Bales persuasively argues, the new variety is worse. In the traditional version, slave holders owned their slaves, who were almost always of a different race or religion from their masters; slaves were relatively expensive “capital” goods and usually kept up for life. Nowadays legal ownership is outlawed in every country of the world (Article 4 of the Universal Declaration of Human Rights, after all, states that “No one shall be held in slavery or servitude”), so modern slavery is disguised and “ownership” is replaced by manipulative debt bondage or fictive long-term “contracts”. Modern slaves tend to be taken from the same ethnic group as their holders and, because they are cheap, they are often used for only months or a few years before being discarded. Another difference is the size of the profit slaves produce. Agricultural bonded labourers in India generate not 5 per cent, as did slaves in the American South, but over 50 per cent profit per year for the slave holder; a Thai brothel owner can make 800 per cent on a new teenage girl.

To illustrate the nature of the new slavery, Bales has travelled around the world to investigate five cases in detail (often at some risk to himself): that of an enslaved prostitute in Ubon Ratchitani, Thailand; a water carrier in Mauritania; charcoal burners in the camps in Matto Grosso do Sul, Brazil; brickmakers in the Punjab, Pakistan; and bonded agricultural labourers in Uttar Pradesh, India.

The cases varied in significant ways. Ironically the one that most resembles old-style slavery – that of the water carrier from Mauritania – proves perhaps to be the least vicious. Slavery in Mauritania represents a lightly disguised continuation of a centuries-old practice; there slaves are kept for life and many slave families have been working for the same masters for generations. The cruellest example, by contrast, is provided by “Siri” the Thai prostitute, who was sold into slavery by her parents aged 14. Her debts to her owners are manipulate to ensure that she will continue to work until she is too tired or ill to be profitable.

Despite the differences, however, two continuities run through all the cases Bales so  graphically describes. In every case the worker is tricked or forced into bondage; in every case he or she is provided with the barest means of subsistence and sometimes not even that. In the charcoal camps of Brazil the men are often denied medication and left to die – on the principle that it is cheaper to acquire a new worker than repair an old one.

The western world has been slow to recognise the problem of the new slavery – in part because it is carefully disguised. The slave holders hide it from their government, governments hide it from the international community. The result is that, unlike, say, torture or censorship, slavery has yet to become a major human rights issue. The main international organisation dedicated to the abolition of slavery, Anti-Slavery International, has only 6,000 members. And without grass roots pressure, the World Bank, IMF and national governments are not inclined to show much concern.

“What country,” as Bales asks, “has been sanctioned by the UN for slavery? Where are the UN inspection teams charged with searching out slave labour? Who speaks for the slaves in the International Court of Justice? Governments and business are more likely to suffer international penalties today for counterfeiting a Michael Jackson CD than for using slaves.”

Modern slaves face the same conditions as the poor of the third world – they are the victims of industrialisation, population explosion and government corruption. Where labour is abundant, wages low, bribery rife, workers often face a stark choice between enslavement and starvation. Slavery, however, calls for its own particular solutions. Bales shows how strict enforcement of existing laws combined with programmes aimed at enabling slaves to set up on their own, have had some effect in diminishing debt bondage in northern India – although, as he reminds us, unless steps are taken slavery is set to grow.

Incredibly, Bales’ study is about the first to explore slavery in its modern international guise. The picture it offers remains patchy, given the limited resources at Bales’ disposal. He makes much of the west’s role in aiding and abetting slavery, yet most of the cases he studies belongs to local economies. This remains, however, a convincing and moving book. One can only hope that it will draw some attention to the terrible phenomenon it describes.

Although this was written 21 years ago, I’ve no doubt that it’s still acutely relevant and the situation has got worse. Since then there have been a series of scandals involving the enslavement of migrant workers in Britain and eastern European women trafficked into sex slavery. And, as the book Falling Off the Edge, shows very clearly, poverty around the world and the consequent exploitation of the poor has got much worse due to neoliberalism and globalisation. One of the programmes due to be shown on the Beeb – but I can’t remember whether it’s on TV or radio – is an examination of global terrorism. One of the groups looked at are Maoist terrorists in India. They’re a horrifically violent outfit, but they’re the result, according to Falling Off the Edge, of the horrific poverty and exploitation foisted upon the agricultural workers of central India.

And then there’s the increasing poverty and mounting debts of the British poor, thanks to Thatcherite welfare cuts, wage freezes and the replacement of loans for welfare payments and services. I wonder how long before this morphs into something very much like debt bondage over here.

Fresh audio product

Published by Anonymous (not verified) on Fri, 24/07/2020 - 7:52am in

Just added to my radio archive (click on date for link):

July 23, 2020 Jason Wilson on the protests and storm troopers in Portland • Forrest Hylton on COVID-19, repression, corruption, and drug gangs in Latin America

When evidence does not matter – What Brazil teaches us about the fragility of evidence based policymaking

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 22/07/2020 - 8:00pm in

An underlying assumption of modern political states is that they are rational systems that ‘follow the science’ to achieve optimal outcomes for their citizens. Whilst COVID-19 continues to foreground the strengths and weaknesses of different national scientific advice systems, Flavia Donadelli draws on evidence from Brazilian policymaking to argue that evidence informed policymaking is a … Continued

Brazil: COVID-19, UBI, and ultraliberalism

Published by Anonymous (not verified) on Sat, 18/07/2020 - 5:24pm in

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Opinion, Brazil

The idea of a UBI was galvanized when governments promptly decided to extend the amount, coverage, and length of different sorts of monetary transfers to confront the gravity of the multiple crises created by the COVID-19 outbreak.

O novo ministro da Educação será um desastre

Published by Anonymous (not verified) on Sun, 05/07/2020 - 2:03pm in

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Brazil

Uma daquelas pessoas que ficam no cercadinho em frente ao Planalto puxando o saco do presidente disse para ele que a “educação no Brasil está definhando”. Bolsonaro respondeu como se não tivesse nada a ver com isso: “Está definhando? A educação está horrível no Brasil”.

Depois de três ministros caírem em um ano e meio de governo, “horrível” ainda é um termo fraco para definir o que tem sido a passagem do bolsonarismo no MEC. O balanço da gestão é trágico. É uma destruição sem precedentes em todas as áreas da educação, o que não deveria ser motivo de espanto, porque isso está perfeitamente alinhado ao projeto maior do bolsonarismo: o de destruição da democracia.

Bolsonaro prometeu que a educação seria uma prioridade do seu governo. Prometeu também que o único critério para preencher ministérios seria o técnico. O que vimos a seguir foi um estelionato eleitoral executado com requintes de crueldade.

O desprezo do bolsonarismo pelo MEC ficou evidente logo pela escolha de Ricardo Vélez Rodríguez, um sujeito sem experiência em gestão educacional, sem gabarito técnico para a função e comprometido apenas com os delírios do seu mestre Olavo de Carvalho. Entre as tantas bizarrices que marcaram sua passagem pela pasta, talvez a mais impressionante tenha sido a defesa de que a universidade não é um lugar para os mais pobres. Para ele, quem não pode pagar por uma universidade deveria se contentar com o ensino técnico profissionalizante.

Bolsonaro transformou o MEC em cabide de emprego para acomodar aliados. O ministério foi aparelhado em uma parte por militares; em outra, por olavistas. As duas correntes passaram meses numa disputa interna que paralisou a pasta e resultaram na queda de Vélez. As ações de Bolsonaro ajudaram a transformar o MEC em ringue de rinha de bolsominions.

Depois veio Abraham Weintraub, o pior ministro da Educação de todos os tempos. Sob qualquer ponto de vista, a gestão Weintraub foi desastrosa. Há de se estar muito chapado de cloroquina para enxergar algo positivo na sua passagem pelo MEC, que ficou marcada por guerras internas, ataques às instituições e bravatas anticomunistas alucinadas. A saída de Weintraub não poderia ser mais simbólica: fugiu do país com medo de ser preso.

Depois veio Decotelli, que mal sentou na cadeira e pediu demissão após a descoberta de fraudes no seu currículo. O desdém pelo MEC é tanto que o Planalto nem se deu ao trabalho de checar o currículo do novo ministro. Esse descaso é estratégico. É o projeto de sufocamento da democracia brasileira sendo instalado.

Depois de um capacho do guru da Virgínia, de um golpista fujão e de um fraudador de currículo, nós podemos apostar sem medo de errar que a escolha de Bolsonaro dará continuidade ao desastre do trio anterior. Até sábado, Renato Feder, atual secretário de Educação do Paraná, era o favorito para assumir a pasta, mas fontes ligadas ao presidente garantem que o presidente desistiu. Houve pressão dos evangélicos e dos aliados de Olavo Carvalho contra a sua nomeação. Os crentes e os lunáticos têm poder de veto na escolha do novo ministro da Educação. O motivo da rejeição seria a sua proximidade com os tucanos. Há duas semanas, Bolsonaro chegou a se reunir com Feder, mas o rejeitou quando descobriu que ele doou grana para a campanha de Doria.

Feder não é mais favorito, mas o fato de ter sido cogitado já é um indicativo de que o pior está por vir. Ele é só o homem que está arrasando com a educação no Paraná. Se o seu currículo estiver correto, Feder é um administrador formado pela FGV, com mestrado em economia na USP. Sua única experiência em gestão educacional foi no ano e meio que esteve à frente da secretaria de Educação do Paraná. Segundo o sindicato dos professores paranaeneses, Feder implantou na marra, sem consultar docentes, um sistema de ensino a distância durante a pandemia.

Os professores só ficaram cientes depois da transmissão de uma live protagonizada pelo secretário. Sim, ele achou prudente implantar um projeto complexo, que atinge 1 milhão de estudantes, através de uma live na internet. O resultado, claro, foi horroroso. Muitos alunos e professores não entenderam o projeto, o aplicativo recomendado pela secretaria não funcionou, mas as aulas começaram a ser transmitidas pela TV mesmo assim. As diferentes realidades dos alunos foram completamente ignoradas.

O Intercept revelou que Feder contratou sem licitação uma rede afiliada da TV Record para transmitir as vídeo-aulas para alunos durante a pandemia. O resultado foi para nenhum weintraub da vida botar defeito: alunos de 165 cidades ficaram sem aulas. Pelo jeito, pouca coisa vai mudar no MEC.

Mas, apesar da curta e desastrosa experiência no Paraná, o  administrador de empresas deve ter grandes ideias e projetos para educação do Brasil, não é mesmo? Bom, pelo livro que escreveu em 2007, nós podemos esperar nada menos que o pior.

Intitulado “Carregando o Elefante – Como transformar o Brasil no país mais rico do mundo”, o livro é uma espécie de autoajuda para neoliberais com ideias de como desidratar o estado brasileiro em nome de liberdade total ao mercado. Para o ensino, Feder propôs a privatização de todas as escolas e universidades. Com o fim das escolas gratuitas, os mais pobres seriam agraciados com um voucher do governo para usar na escola que couber dentro do orçamento. Uma frase do livro resume o que pensa Feder sobre educação pública: “Assim como é melhor que uma empresa privada frite hambúrgueres, ao invés do governo, o mesmo ocorre no caso da Educação”.

Como um bom ultraliberal que é, Feder não vê problema em equiparar uma lanchonete à uma sala de aula. Bolsonaro cogitou para o MEC alguém que defendeu em livre a extinção do MEC. A sua ideia seria transformá-lo em uma mera agência reguladora das escolas e universidades particulares. Se temos um ministro do Meio Ambiente que é contra o meio ambiente, uma ministra dos Direitos Humanos que é contra os direitos humanos, por que não um ministro do MEC que é contra a educação pública? A escolha de Feder seria coerente com o projeto que a extrema direita desenhou para o Brasil. Olavistas e evangélicos viajaram em vetá-lo.

Mas quais são as credenciais de Feder para ter conquistado essa condição de selecionável para cargos importantes de gestão pública educacional? Não há credenciais. A não ser que você considere que um empresário do ramo de bugigangas eletrônicas chinesas tenha gabarito para o cargo mais importante da área educacional. Feder é um dos donos da Multilaser, uma empresa que sempre manteve contratos com governos (tem até hoje com o governo Bolsonaro) e investiu grana em ações que visavam derrubar Dilma.

Na cerimônia de abertura da Copa do Mundo no Brasil, quando o mundo inteiro estava voltado ao Brasil, Feder e seu sócio patrocinaram uma operação para atacar Dilma. Eles compraram e distribuíram 20 mil cartazes contendo a estrela do PT e as frases “Fora incomPTtentes” ou “Fora corruPTos”.

Graças à lucrativa parceria com a China comunista, vejam que ironia, Feder fez fortuna na Multilaser. Ele virou sócio da empresa por ser amigo de infância de Alexandre Ostrowiecki, que a herdou de seu pai. Assim foi a trajetória profissional desse empreendedor. A amizade dos dois, aliás, é bastante produtiva. Além da Multilaser, eles estão juntos no comando do Ranking dos Políticos e na autoria do livro citado anteriormente.

O Ranking dos Políticos é o ranking mais picareta da internet. Escrevi sobre esse engodo em 2018. O ranking se apresenta como apartidário e independente, mas, na prática, atua como veículo de propaganda do partido Novo em defesa da sua agenda ultraliberal. Se você for um parlamentar corrupto de direita ficará muito melhor posicionado que um honesto de esquerda. É essa a ética que norteia a pontuação criada pelo novo ministro do MEC.

O Ranking dos Políticos tem sido usado para fazer propaganda política de Feder, como essa abaixo, que quase o santifica:

Esse foi o grande favorito para assumir o MEC. Agora resta esperar qual nome passará pelo crivo de evangélicos e olavistas, que têm grande influência na área da educação no bolsonarismo. Não precisa ser um gênio para cravar: vem coisa pior.

De tantas pastas desprezadas pelo projeto destrutivo do bolsonarismo, a Educação, que deveria ser prioritária, parece ser a maior vítima. A falta de grandes projetos para a área já estava escancarada na apresentação do programa de governo durante a campanha. Aquilo era um arremedo de sensos comuns misturados com obsessões ideológicas da extrema direita — como as escolas cívico-militares, a rejeição à educação sexual, a preocupação com ideologia dos professores e outros moralismos. Agora, com o MEC sob o comando de um empresário-coxinha, a tendência é piorar. Até porque o único projeto que se viu no MEC até agora foi o de destruição gradual do MEC.

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Book on Slavery Around the World Up To the Present

Jeremy Black, Slavery: A New Global History (London: Constable & Robinson 2011).

One of the aspects of the contemporary debate over slavery is that, with some exceptions, it is very largely centred on western, transatlantic slavery. This is largely because the issue of slavery has been a part of the controversy over the status of Blacks in western society and the campaigns for improving their conditions and combating anti-Black racism since the abolitionist movement arose in the 18th and 19th centuries. But it ignores the crucial fact that slavery is a global phenomenon which was certainly not confined to the transatlantic slavery of the European empires. One of the arguments marshaled by the slaveowners was that slavery had existed since antiquity. Both the Romans and the ancient Greeks had possessed slaves, as had ancient Egypt. It still existed in Black Africa, the Turkish empire, the Arab states and India. Hence slavery, the slaveowners argued, was a necessary part of human civilisation, and was impossible to abolish. It was ‘philanthropic’ and ‘visionary’ to demand it.

This was partly the reason why, after the British had abolished slavery in their own empire, they moved to attack it around the world. This meant not only freeing the slaves in the West Indies and their South American colonies, but also at Cape Colony in South Africa, Sri Lanka, India, Hong Kong and further east in the new territories of Malaya, Fiji and the Pacific Islands, and Australia.  Most histories of slavery focus on transatlantic slavery. However, Jeremy Black’s book discusses it as existed around the world.

The book’s blurb concentrates on European slavery in the Americas. It runs

The story of slavery – from the ancient world to the present day

In this panoramic history, leading historian Jeremy Black explores slavery from its origins – the uprising of Spartacus and the founding of the plantations in the Indies – to its contemporary manifestations as human trafficking and bonded labour.

Black reveals how slavery served to consolidate empires and shape New World societies such as America and Brazil, and the way in which slave trading across the Atlantic changed the Western world. He assesses the controversial truth behind the complicity of Africans within the trade, which continued until the long, hard fight for abolition in the nineteenth century. Black gives voice to both the campaigners who fought for an end to slavery, and the slaves who spoke of their misery.

In this comprehensive and thoughtful account of the history of slavery, the role of slavery in the modern world is examined and Black shows that it is still widespread today in many countries.

But Black begins his introduction with the case of Hadijatou Mani, a Niger woman, who was sold into slavery at the age of 12 and subsequently beaten, raped and prosecuted for bigamy because she dared to marry a man other than her master. She successfully brought her case before the Court of Justice of the Economic Community of West African States, which ruled in her favour and fined her country. She stated that she had brought the case in order to protect her children. Slavery is officially outlawed in Niger, but the local customary courts support the custom by which the children of slaves become the property of their masters.

Black then describes how slavery was truly a global phenomenon, and the treatment of slaves at Cape Coast in Ghana resembles the treatment of Christian slaves taken by the Barbary pirates. And its history extends from the ancient world to the Nazi genocide of the Jews. He writes

The mournful, underground dungeons at Cape Coast Castle and other bases on the low, watery coastline of West Africa where African slaves were held from the fifteenth to nineteenth centuries prior to shipment to the New World are potent memory of the vile cruelty of slavery, and notably of the approximately 12.5 million Africans forced into this trade and transported on about 35,000 transatlantic voyages, yet these dungeons are not alone and should not crowd out other landscapes where slavery was carried on and the slave trade conducted. Nicholas de Nicolay’s mid-sixteenth-century account of slave dealers parading their captives naked to show that they had no physical defects, and so that they could be examined as if they were horses, with particular reference to their teeth and feet, could have referred to the world of Atlantic slavery, but actually was written about Tripoli in modern Libya, where large numbers of Christians captured from Malta and Sicily by the Barbary pirates of North Africa were sold.

Indeed, the landscapes of slavery span the world, and range from the Central Asian city of Khiva, where the bustle of the slave market can still be visualized in the narrow streets, to Venice, a major entrepot for the slave trade of medieval Europe albeit not one noted by modern tourists. The range is also from Malacca in modern Malaysia, an important centre for the slave trade around the Indian Ocean, especially under the Muslim sultans but also, from 1511, under, first their Portuguese and, then, their Dutch successors, to the few remains of the murderous system of labout that was part of the Nazis’ genocidal treatment of the Jews. The variety of slavery in the past and across history stretched from the galleys of imperial Rome to slave craftsmen in Central Asian cities, such as Bukhara, and from the mines of the New World to those working in spice plantations in east Africa. Public and private, governmental and free enterprise, slavery was a means of labour and form of control. (p.2).

The book has the following chapters

  1. Pre-1500
  2. The Age of Conquest, 1500-1600
  3. The Spread of Capitalist Slavery, 1600-1700
  4. Slavery before Abolitionism, 1700-1780
  5. Revolution, Abolitionism and the Contrasting Fortunes of the Slave Trade and Slavery, 1780-1850
  6. The End of Slavery, 1830-1930?
  7. A Troubled Present, 1930-2011
  8. Legacies and Conclusions.

I feel very strongly that the global dimension of slavery and the slave trade needs to be taught, and people should be aware that it isn’t simply something that White Europeans forced on to Black Africans and other indigenous peoples. British imperialism was wrong, but the British did act to end slavery, at least officially, both within our empire and across the world. And odiously slavery is returning. After Blair’s, Sarkozy’s and Obama’s bombing of Libya, the Islamist regime in part of the country has allowed slave markets selling Black Africans to be reopened. Sargon of Gasbag, the man who broke UKIP, posted a video on YouTube discussing the appearance of yet more slave markets in Uganda. He pointedly asked why none of the ‘SJWs’ protesting against the racism and the historical injustice of slavery weren’t protesting about that. Benjamin is a member of the extreme right, though I would not like to accuse him personally of racism and the question is a good one. As far as I know, there are no marches of anti-racist activists loudly demanding an end to racism in countries like Uganda, Niger, Libya and elsewhere. Back in the ’90s the persistence and growth of slavery was a real, pressing issue and described in books like Disposable People. But that was over twenty years ago and times have moved on.

But without an awareness of global history of slavery and existence today, there is a danger that the current preoccupation with western transatlantic slavery will just create a simplistic ‘White man bad’ view. That White Europeans are uniquely evil, while other cultures are somehow more virtuous and noble in another version of the myth of the ‘noble savage’.

And it may make genuine anti-racists blind to its existence today, an existence strengthened and no doubt increasing through neoliberalism and the miseries inflicted by globalisation.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Flights Logs Suggest Bolivia Coup May Have Been Planned in Brazil

Published by Anonymous (not verified) on Thu, 11/06/2020 - 6:03am in

Bolivian President Evo Morales was overthrown in a U.S.-backed coup in November. But new details have emerged that suggest Brazil had a larger hand in his ouster than previously confirmed. Argentinian outlet Pagina 12 reports that flight logs of the presidential jet show that on November 11, the day of the coup, the vehicle was not in La Paz, nor any other Bolivian airport, but flying to Brazil’s capital Brasilia. Throughout much of November, where the country entered an intense period of conflict between Morales supporters and coup leaders, the aircraft was traveling around major cities in Brazil. Since the coup, the Bolivian jet has made 25 separate visits to the country and has not visited another state.

Questions abound: Why is the Bolivian presidential jet making so many trips to Brasilia? Since Jeanine Añez, the far-right Christian fundamentalist senator that replaced Morales was in the presidential palace, who was on the plane? To what extent was Brazil involved in the November coup? Brazilian President Jair Bolsonaro, who came to power under questionable circumstances himself, made no effort to appear disappointed or outraged when Morales was overthrown by the military and replaced with Añez. “The Brazilian government congratulates Sen. Jeanine Añez for constitutionally assuming the Presidency of Bolivia and welcomes her determination to work for the country’s pacification and prompt holding of general elections,” read a statement from Bolsonaro’s Foreign Ministry. The “pacification” refers to the massacres carried out by death squads, who were given pre-immunity for any crimes committed while destroying resistance to the new regime.

One of the first victims of the coup was Pagina 12’s own journalist Sebastian Moro. Just hours after Moro had penned an article denouncing attacks against journalists by the coup plotters, he was found unconscious in the street, beaten into a vegetative state. He died a few days after arriving at the hospital. His death has been largely ignored by media, human rights, and press freedom groups. Indeed, MintPress News was the only Western outlet to cover his murder.

The United States, and virtually the entire spectrum of corporate media, hailed the military overthrow of Bolivia’s most popular leader. However, this week, the New York Times admitted that the basis for supporting the coup – a report into         Morales’ supposed election meddling in the October election – was completely false. Morales comfortably won the election and was about to start another five-year term. In 13 years in office, Morales and his Movement to Socialism Party (MAS) had managed to halve poverty and reduce extreme poverty even further. Per capita GDP, adjusted for inflation, grew by over 50 percent under the MAS. They were able to do this by renationalizing Bolivia’s hydrocarbons industry, taking back public control over the country’s vital resources from transnational corporations, and by transferring a very small amount of the elite’s wealth to the bottom 99 percent of the country. In November, Morales was forced to flee the country on a jet belonging to the government of Mexico. It is now clear why he did not use his own presidential plane.

Añez was a little-known senator from a party who received only four percent of the vote in the October elections. Despite this, the military hand picked her to become the figurehead of the new administration. According to Pagina 12, the Brazilian Ambassador had a hand in her selection. As soon as she took power, she began massacring protestors and building an engine of state repression. The much-promised new elections were postponed amid the COVID-19 pandemic, but questions remain as to how democratic a process can be when the MAS party, who convincingly won in October, are effectively banned from campaigning, with many of their leaders under arrest on bogus charges. Last week, the country’s Supreme Court announced that elections should take place on September 6, a decision welcomed by MAS but condemned by the new government.

After supporting the coup in Bolivia, Bolsonaro now appears to be pushing for a “self-coup” in Brazil. Last month, after a number of key members of his cabinet resigned in protest, he led a demonstration calling for the military to intervene and shut down Congress and the Supreme Court. Five former defense ministers penned an open letter asking the military to oppose his demands. The conflict is taking place amid the second-worst COVID-19 outbreak in the world, with three-quarters of a million Brazilians already testing positive. Bolsonaro has constantly downplayed or denied the existence of the coronavirus, brushing it off as merely a “little flu” and holding public rallies with supporters even after he and many in his entourage tested positive for the virus. “Brazil is at the mercy of a deranged lunatic” is how independent outlet Brasil Wire described the country’s situation. Thanks to Brazil, Bolivia might be suffering the same fate as well.

Feature photo | Jeanine Anez laughs during her opening campaign rally for the presidency in La Paz, Bolivia, March 8, 2020. Juan Karita | AP

Alan MacLeod is a Staff Writer for MintPress News. After completing his PhD in 2017 he published two books: Bad News From Venezuela: Twenty Years of Fake News and Misreporting and Propaganda in the Information Age: Still Manufacturing Consent. He has also contributed to Fairness and Accuracy in ReportingThe GuardianSalonThe GrayzoneJacobin MagazineCommon Dreams the American Herald Tribune and The Canary.

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