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Hype and facts on free trade

Published by Anonymous (not verified) on Mon, 12/11/2018 - 10:30pm in

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from C. P. Chandrasekhar Voices questioning the claim that nations and the majority of their people stand to gain from global trade are growing louder. The one difference now is that the leading protagonist of protectionism is not a developing country, but global hegemon United States under Donald Trump. Free trade benefits big corporations with production […]

Descobrimos 46 registros de estupros em Uber, táxis e 99 – e números denunciados à polícia podem ser bem maiores

Published by Anonymous (not verified) on Mon, 12/11/2018 - 1:02pm in

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Rosana Gonçalves não dirige. Ela dá aulas de manhã, à tarde e à noite em um colégio de Osasco, na grande São Paulo. Era uma quarta-feira, 9 de maio de 2018, quando ela saiu da escola no horário habitual – 22h40 – e, daquela vez, preferiu chamar um Uber em vez de esperar pela carona do marido. O carro chegaria em cinco minutos. Veio mais rápido do que o previsto. Quando o motorista parou, ela checou seu nome e se sentou no banco de trás. Começou ali o maior pesadelo de sua vida.

Gonçalves conta que motorista era parecido fisicamente com a foto que aparecia no app. Ele teria pedido que ela se sentasse no banco da frente porque a porta de trás estava com problema. Isso já tinha acontecido outras vezes, por isso Gonçalves não estranhou. O celular estava no painel. Nada parecia incomum para um motorista de aplicativo. Mas ele desviou do caminho. “Achei que ele tinha errado e tentei corrigir”, lembra. “Até que ele anunciou o sequestro.”

Gonçalves diz que foi ameaçada com uma arma e que o motorista jogou sua bolsa no banco de trás. Ela tentou abrir a porta e pular, mas ele teria a segurado pelos cabelos, a ameaçado de morte e obrigado a colocar o cinto. “Comecei a chorar e perguntar o que ele queria. Se fosse dinheiro, eu dava”, ela contou.

O motorista perguntou se a professora era casada e exigiu que ela mostrasse a aliança, de acordo com o relato de Gonçalves. Ela implorava para que ele a soltasse e falou do filho e do marido. “Se você colaborar eu vou te soltar”, ele teria dito. Eles rodaram de carro por alguns minutos até chegarem em uma casa. “Quando percebi, caí em prantos”, ela lembra. Só então percebeu a intenção do motorista. Ela foi estuprada. Quando terminou, o agressor pediu que a professora colocasse a roupa e voltasse ao carro. Ele a deixou no local de origem, teria feito nova ameaça e deu a ela R$ 20. E desapareceu.

Transtornada e desorientada – mas aliviada por estar viva –, Gonçalves encontrou um bar, contou o que aconteceu e ligou para o marido e para a cunhada. Ao contrário do que normalmente acontece, ela foi bem tratada na delegacia. Fez o tratamento preventivo para vítimas de estupro no hospital Pérola Byington, que tem coleta de material genético, antiinflamatórios, vacinas contra hepatite, coquetel anti-HIV e pílula do dia seguinte.

Quando a polícia entrou em contato com o Uber, entretanto, a empresa se recusou a liberar as informações sobre a corrida e exigiu uma ordem judicial.

Número de casos não é calculado

O Intercept pediu às secretarias estaduais de segurança pública de todo o país o número de crimes e delitos sexuais envolvendo transportes por aplicativo a partir de 2016, até julho de 2018. Das 27 solicitações feitas com base na Lei de Acesso à Informação, só oito foram respondidas, e poucas de forma satisfatória. No Acre e no Espírito Santo, por exemplo, não há diferenciação entre o tipo de transporte envolvido na ocorrência – o local é classificado apenas como “veículo automotivo” ou “veículo”, impossibilitando a análise. No Rio de Janeiro, há duas classificações: “Táxi” e “Veículo de transporte alternativo”. O estado enviou dados referentes a janeiro de 2015 a dezembro de 2017. Só consideramos os números a partir de 2016. Na Bahia, os casos vieram organizados sob a etiqueta “Uber, Cabify ou Táxi”.

Filtramos entre os dados enviados apenas os casos de estupro ocorridos em corridas de aplicativos e táxis e chegamos ao total de 46 casos ocorridos na Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo (estados que enviaram dados padronizados e que puderam ser comparados). Nos últimos dois anos, pelo menos 70 pessoas relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência sexual em táxis e veículos de transporte particular (assédio sexual, ato obsceno, estupro, importunação ofensiva ao pudor e violação sexual mediante fraude – quando alguém droga a vítima, por exemplo, ou toma alguma outra atitude para dificultar ou inviabilizar a manifestação de sua vontade). O número, no entanto, pode ser muito maior – a polícia não contabiliza os dados específicos ocorridos dentro de veículos, e as empresas se recusam a divulgar os casos à imprensa.

Líder em número de usuários, com mais de 20 milhões de passageiros cadastrados, a Uber também é campeã de denúncias em todos os estados – talvez exatamente por ser a líder em usuários. Em São Paulo, 143 dos boletins mencionavam o aplicativo, contra seis da 99, que reúne 14 milhões de clientes. A Cabify, com 3 milhões de usuários, não foi citada em nenhuma das respostas que permitiram análises separadas por aplicativo.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a Uber fez questão de ressaltar que, por conta da popularidade do app, haveria vítimas que citam a empresa por engano, chamando qualquer transporte por aplicativo de “uber” – o que, segundo a assessoria, pode elevar injustamente o número de boletins em que a empresa é citada.

Os números, embora altos, são certamente uma pequena fração dos abusos envolvendo aplicativos como Uber, Cabify e 99 e os táxis de rua. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 65% dos estupros, por exemplo, não são denunciados à polícia – e essa é a estimativa mais otimista. A Pesquisa Nacional de Vitimização estima um número bem mais preocupante: 92,5% dos estupros não são notificados no Brasil. As demais formas de abuso, como o assédio, embora mais comuns, são ainda menos denunciadas.

Eles tiram o corpo fora

Nos aplicativos, parte da sensação de segurança vem do perfil de cada motorista. Se ele tem boa pontuação e fez muitas corridas, por exemplo, o usuário se sente mais protegido. Mas, em agosto deste ano, repórteres do jornal O Povo investigaram a venda de perfis de motoristas e conseguiram comprar um cadastro antigo da 99 a meros R$ 100. Testando o aplicativo, um dos jornalistas percebeu que era o terceiro proprietário daquela mesma conta.

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Reprodução de captura de tela publicada originalmente pelo jornal O Povo, mostrando um anúncio de venda de contas de motoristas da Uber e da 99.

Foto: reprodução

Em 2016, a Uber afirmou ao Nexo que não conscientiza seus colaboradores, como chamam seus motoristas, sobre violência sexual, porque são “os motoristas que contratam a Uber para utilizar o aplicativo”, o que os tornaria “totalmente independentes” da empresa.

Em vez disso, a Uber se restringiu a dizer que os casos de abuso são avaliados um a um e, a depender “da gravidade”, o motorista pode ser tirado de circulação – os critérios dessa avaliação, no entanto, não foram explicados. Se o abuso for registrado em delegacia, a Uber garante que passa a colaborar com as autoridades. Mas, na prática, não é bem assim.

Depois do que aconteceu, Rosana Gonçalves percebeu que seu motorista havia cancelado a corrida um minuto depois do pedido. O carro que parou era de um falso motorista – que provavelmente tinha informações de que ela estaria esperando um Uber na rua. Como ela avaliou que o motorista era fisicamente semelhante ao que aparecia na foto no seu celular, a professora não estranhou quando entrou no carro.

Depois de procurar a polícia, Gonçalves entrou em contato com a Uber. A empresa se negou a enviar informações sobre o motorista e afirmou que só divulgaria os dados a pedido da justiça, de acordo com a professora.

O agressor teria ficado solto por mais tempo se o celular de Rosana não tivesse com o GPS ligado quando tudo aconteceu. O aparelho gravou todo o histórico de deslocamento e, em poucos dias, a polícia chegou na casa onde o estupro ocorreu, que pertencia ao irmão do agressor. Ele foi preso pouco depois. Ele ainda teria feito outra vítima, dois dias depois de estuprar Rosana, e também já havia sido condenado e cumprido pena pelo mesmo crime, segundo a polícia. Estava em condicional.

‘Me senti desamparada em primeiro lugar. Desrespeitada, principalmente por ser mulher. Casos assim acontecem, e a Uber sabe disso.’

Segundo a Uber, a política da empresa é não expor o motorista sem checar as informações. A empresa disse que não havia um cadastro de motorista com o nome do agressor e não respondeu sobre a possibilidade de um perfil falso. A professora e os policiais perguntaram em que momento a corrida original foi cancelada e o porquê. “Deram uma explicação bem superficial. Como eles não se sentiram implicados, não deram muita importância”, disse Rosana, que está atrás de um advogado criminalista. “Eles tiraram o corpo fora.”

Não está descartada a hipótese de o agressor ser um aproveitador que deduz que a vítima está na rua distraída. A dúvida, porém, atormenta Rosana. “Me senti desamparada em primeiro lugar. Desrespeitada, principalmente por ser mulher. Casos assim acontecem, e a Uber sabe disso. Não serei a primeira e nem a última.”

Há dois anos, o BuzzFeed teve acesso à base de dados da Uber americana. Ao buscarem o termo “assédio sexual” na plataforma, encontraram mais de 6,1 mil pedidos de suporte de usuários, feitos entre dezembro de 2012 e agosto de 2015. Pesquisando estupro, a reportagem encontrou mais de 5,8 mil mensagens.

A Uber passou a investigar não o grande número de ocorrências – taxado de “exagerado” pela empresa – mas, sim, a identidade do funcionário que vazou os dados ao Buzzfeed. Segundo o aplicativo, só cinco das mais de 10 mil mensagens relacionadas a denúncias de violência sexual atendiam ao parâmetro – não revelado – que usam para classificar esse tipo de “incidente” como verdadeiro. Diante da resposta, o Buzzfeed prontamente pediu acesso aos procedimentos de análise de dados da Uber. Mas a empresa, mais uma vez, optou pela falta de transparência.

Procurada pelo Intercept, a Uber afirmou que repudia qualquer tipo de abuso contra mulheres e acredita na importância de enfrentar casos de assédio e violência. “Segurança é prioridade para a Uber e mesmo um único incidente seria demais”, escreveu a assessoria de imprensa, ressaltando que a empresa leva “muito a sério” relatos de assédio e bane o agressor quando eles são confirmados. A Uber não respondeu qual o procedimento padrão para apurar essas denúncias e alegou novamente que “colabora com as autoridades no curso de investigações ou processos judiciais”.

A empresa acrescentou ainda que “não há qualquer base metodológica para vincular os dados levantados ao número de ocorrências no aplicativo”. O Intercept sugeriu, então, que a Uber enviasse o número de casos de violência sexual relatados ao aplicativo, como contraponto aos dados enviados pelas secretarias de segurança. Não recebemos a resposta.

A Cabify afirmou que ouve os envolvidos em cada denúncia recebida por sua central de atendimento e faz “as recomendações devidas”. Para os motoristas, há uma central diferente para situações de emergência. “Da mesma forma que suspendemos os motoristas em caso de suspeitas até que se conclua a operação criminal, o mesmo é feito para os usuários.” Como a Uber, a Cabify não divulga os dados relacionados à violência sexual, mas diz estar “sempre à disposição das autoridades para trabalhos em conjunto”.

Já a 99 não retornou nossos contatos.

Na rua, insegurança é a mesma

A estudante de jornalismo Roberta Carvalho* conta que sofreu assédio em táxis de rua nas últimas duas vezes que usou o transporte. Na primeira, em novembro de 2016, o motorista teria passado todo o percurso de 10 minutos que separa a estação de metrô do Maracanã do Shopping Tijuca, ambos na zona norte do Rio, pedindo à jovem de 21 anos que lhe mostrasse fotos de biquíni ou de calcinha em seu celular. “A minha reação inicial foi sair de perto, eu precisava fugir daquele cara”, lembra Carvalho, que disse ter passado um tempo sozinha no banheiro do shopping para se acalmar antes de encontrar sua amiga.

A estudante disse que só viria a pegar um táxi de rua novamente dois anos depois. Era seu aniversário de 23 anos, e ela não conseguia pegar seu ônibus nem chamar um Uber. Com medo de se atrasar para o trabalho, pegou um táxi e pediu que o motorista parasse em um caixa eletrônico antes de deixá-la no destino final. O taxista passou direto. “Ele falou: ‘Não se preocupa com isso, não. Qualquer coisa eu volto no seu local de trabalho para buscar o dinheiro.” Assim que chegaram, ela disse que deixaria o dinheiro com o porteiro do prédio. “Mas aí você almoça comigo”, ela conta ter ouvido. Ela teve que recusar diversas vezes até que ele desistisse. “Fiquei completamente sem reação.”

Em nenhuma das duas ocasiões Roberta quis ir à polícia, ainda que a possibilidade de o segundo taxista voltar a procurá-la a amedrontasse. Depois da primeira, ela chegou a escrever um depoimento em um grupo de mulheres para alertá-las, mas decidiu não fazer uma denúncia formal. “Eu vou chegar na polícia e falar que o cara me pediu foto de calcinha e eles vão rir da minha cara”, justificou.

Roberta nunca mais fez sinal para um táxi na rua. Hoje, ela só pega carros de aplicativos e faz questão de compartilhar sua rota com grupos de amigos, para que várias pessoas tenham acesso à viagem. “Tem sempre alguém acompanhando as corridas.” O fato de os aplicativos registrarem a corrida e terem os dados do motorista a faz sentir mais segura. “Você tem onde reclamar e como comprovar que aquela corrida aconteceu”, explica. “Quando você pega um táxi na rua, o máximo que vai conseguir é pegar a placa do carro. É sua palavra contra a do cara, sabe?”

*Nomes alterados a pedido das vítimas.

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Now Up on YouTube, Dr. Anthony DiMaggio, “The 2018 Election and Populism in the Era of Trump”

Published by Anonymous (not verified) on Sun, 11/11/2018 - 11:10pm in

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The YouTube video of Saturday November 10, 2018 is now available for viewing on the YouTube channel of the Open University of the Left.

All prior video programs are viewable on our YouTube channel:
https://www.youtube.com/user/OpenUnivoftheLeft

Our Facebook page is located at:
https://www.facebook.com/Open.University.of.the.Left/

Join the OUL low traffic email announcement list (yahoo group) by sending an email to: oulchicago-subscribe@yahoogroups.com

Econometrics: The Keynes-Tinbergen controversy

Published by Anonymous (not verified) on Sun, 11/11/2018 - 11:38am in

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from Lars Syll Mainstream economists often hold the view that Keynes’ criticism of econometrics was the result of a sadly misinformed and misguided person who disliked and did not understand much of it. This is, however, nothing but a gross misapprehension. To be careful and cautious is not the same as to dislike. Keynes did […]

Democrats Should Remember Al Gore Won Florida in 2000 — But Lost the Presidency With a Preemptive Surrender

Published by Anonymous (not verified) on Sun, 11/11/2018 - 3:40am in

At midnight on election day last Tuesday, vote tallies showed Republican candidates ahead in key races in Florida, Georgia and Arizona. However, many votes remained to be counted in all three states. The stakes are high: two Senate seats (Florida and Arizona) and two governorships (Florida and Georgia), plus some lower offices. And as the count has proceeded, the Democratic candidate in each case has gained more votes than the Republican, narrowing the margin or – in the case of the Senate election in Arizona – taking the lead.

Republicans, led by President Trump, have responded by declaring that counting these votes is somehow fraudulent. The GOP’s rhetoric has been particularly preposterous in Florida, where Governor Rick Scott is attempting to switch offices by ousting incumbent Democratic Senator Bill Nelson. Scott’s Tuesday night margin of 50,000 votes is now down to 15,000, and he’s demanded that the Florida Department of Law Enforcement investigate some unspecified malfeasance. Each race now appears likely close enough to trigger a recount (or in the case of the Georgia governor’s race, a run-off.)

All this has led many to compare the current situation to the nightmarish legal battle over the Florida recount in the 2000 presidential race between Al Gore and George W. Bush.

But two critical facts from that debacle have been erased from history, and are not being mentioned anywhere today:

First, we know that Al Gore won Florida in 2000. If a full, fair statewide recount had taken place, he would have become president.

Second, Gore lost largely because, unlike Bush, he refused to fight with all the tools available to him.

Jane McAlevey, a longtime union organizer and author, witnessed the disaster up close as part of the AFL-CIO’s team on the ground in West Palm Beach. In the prologue to her 2012 book, “Raising Expectations” (excerpted with permission below), she describes what she saw in enraging detail, concluding that “the absolute determination with which the labor elite and the Democratic Party leadership crushed their own constituents’ desire to express their political passions cost us the election.” Today she is deeply concerned that Democrats have forgotten — or never even knew — what happened 18 years ago. “It’s another national, defining crisis,” McAlevey said Friday. “We need to win it this time. If Democrats have not learned the lessons from 2000, [the GOP] will manipulate the process again and take away the rightful decision of the voters, in Florida, Arizona and Georgia.”

Democratic presidential candidate Vice President Al Gore, right,   makes a statement on the recounting of votes in the state of Florida, while his running mate Sen. Joe Lieberman, D-Conn., stands by Wednesday, Nov. 8, 2000, in Nashville, Tenn. (AP Photo/Hillery Smith Garrison)

Al Gore, right, alongside his running mate Sen. Joe Lieberman, D-Conn., makes a statement on the recounting of votes in the state of Florida on Nov. 8, 2000, in Nashville, Tenn.

Photo: Hillery Smith Garrison/AP

The 2000 election took place on November 7. By that night it was clear that Gore had won the national popular vote, but that whoever took Florida would win the electoral college and the presidency. The Florida vote was so close that the networks alternately declared both Gore and Bush the winner, and Gore called Bush to concede and then called him back to retract his concession.

The Florida Division of Elections announced the next day that Bush had won the state by 1,784 votes. However, this margin was so small that Florida law required a machine recount of the state, which reduced Bush’s lead to 327.

The presidential choice on about 170,000 ballots could not be read by machine. Of these, 60,000 were “undervotes” – for instance, the voter had not fully punched through the ballot’s relevant perforated box. The remaining 110,000 were “overvotes,” in which the voter may have voted normally for Bush or Gore but also wrote in their name.

The Gore campaign requested a recount by hand in four heavily Democratic counties. The Bush campaign sued to stop this. The Gore campaign’s efforts then disappeared for the next month into a mind-numbingly complex legal process, overflowing with ballot-design and deadline minutiae that no normal Americans could follow.

Meanwhile, the Republican Party conducted a nationwide PR campaign with a message Americans could follow: that Gore was a pathetic sore loser who simply would not accept that he’d been defeated. Much of the national media eagerly adopted this frame.

On December 8, the Florida Supreme Court rejected Gore’s request for a hand recount in four counties. Instead, it ordered a statewide hand recount of undervotes, with the decisions being made according to the “intent of the voter.”

The U.S. Supreme Court then halted this recount on December 12, declaring that, since different Florida counties used different voting methods, the voter intent standard violated the Equal Protection Clause of the Constitution.

Gore could theoretically have asked the Florida Supreme Court to order a statewide recount with more explicit standards. But he took the advice of one of his lawyers, who told Gore this would “cause a tremendous uproar.” And in any case, as the book Deadlock later put it, “the best Gore could hope for was a slate of disputed electors” – i.e., he might become president, but Republicans would complain about it.

Thus Gore conceded to Bush again, in a speech full of high-minded rhetoric about “the law” and how his surrender could “point us all to a new common ground.”Bush officially won Florida by 537 votes and the electoral college by 271-266, and went on to become one of the most catastrophic presidents in U.S. history.

A year later, in November 2001, the National Opinion Research Center at the University of Chicago announced the results of an examination of all 170,000 undervotes and overvotes.

NORC found that with a full statewide hand recount, Gore would have won Florida under every possible vote standard. Depending on which standard was used, his margin of victory would have varied from 60 to 171 votes.

The recount was paid for by a consortium of news outlets — CNN, the New York Times, the Wall Street Journal, the Tribune Company, the Washington Post, the Associated Press, the St. Petersburg Times, and the Palm Beach Post. But this was just two months after the September 11 terrorist attacks. The outlets patriotically buried the blockbuster news that George W. Bush was not the legitimate president of the United States.

For instance, the headline of the New York Times article on the recount was “Study of Disputed Florida Ballots Finds Justices Did Not Cast the Deciding Vote.” This was technically true — since Gore’s legal team had not demanded a full recount of the state — and it was shamelessly misleading. But even Gore himself had no interest in making an issue about what had really happened. Asked for comment by the Washington Post, Gore would say only that “the presidential election of 2000 is over.”

In McAlevey’s book, she recounts that in her first days in West Palm Beach she worked on collecting affidavits from Floridians, mostly retirees, who believed their votes had not been correctly tallied. There were huge numbers of them, and they were furious. McAlevey asked her superiors, “So when can we actually mobilize them, put these wonderful angry senior citizens into the streets and on camera?”

The answer came back: never. She then learned that Jesse Jackson was coming to Florida to lead a rally, but organized labor would not be participating. Why? Because the Gore campaign wanted everyone to stand down. McAlevey quotes a higher up as telling her, “The Gore campaign has made the decision that this is not the image they want. They don’t want to protest. They don’t want to rock the boat. They don’t want to seem like they don’t have faith in the legal system.”

This was Gore’s central mistake. “You cannot trust ‘the legal process,’” McAlevey explains today. In reality, there is no such thing as a fair legal process separate from and immune to outside political pressure.

The Republicans understood this in 2000, but Democrats did not. Instead, terrified of being portrayed as acting as a mob, the Democrats ceded people power to the GOP — who actually were a mob. “The original use of a mob in recent history was the Brooks Brothers riot,” says McAlevey, who was present when paid Republican staffers famously halted a recount in Miami-Dade. “They were literally throwing chairs and tables.”

Already the GOP is gearing up for the same kind of direct, physical intimidation of vote counts in support of their legal strategy. Staffers at the Broward County election headquarters have requested police protection from Republican activists who’ve shown up at their offices addled by Trumpian conspiracy theories about vote fraud.

To stop a rerun of 2000, says McAlevey, “Every house of faith, every synagogue, every church, needs to be out in the streets with serious, non-violent action, on a message of ‘don’t let them steal your vote’ … that we must have the right and freedom to vote.” A clear message from organized people in the streets will create political support for a legal strategy to get every vote counted.

Even some of the Republicans involved in their 2000 victory have recognized how damaging it was. Sandra Day O’Connor, part of the 5-4 Supreme Court majority that awarded Bush the presidency, said in 2013 that it might have been better if they’d never agreed to hear the case. Matthew Dowd, once a top Bush campaign staffer, tweeted Friday that “Not counting all the votes in Florida in 2000 was a grave injustice and caused many to question the legitimacy of Bush election. Let us not repeat that injustice in FL and AZ this year. Count all the votes.”

Whether Democrats will have the creativity and mindset needed to make this happen remains to be seen. But one thing’s for sure, says McAlevey: Anyone who at this late date believes in a strategy of trusting the system to deliver the most basic justice “needs to have their head examined.”

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Prologue to “Raising Expectations (and Raising Hell),” by Jane McAlevey, Verso Books, 2012. Reprinted with permission.

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Demonetisation in India was a great success – for the Better Than Cash Alliance

Published by Anonymous (not verified) on Sun, 11/11/2018 - 12:22am in

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from Norbert Häring Two years ago, on 8 November 2016 at 8 pm, prime minister Narendra Modi declared most cash in India demonetised, starting a period of several months of severe cash shortage, which imposed a lot of hardship and suffering on the people. The National Herald India invited me to write a guest-comment on the occasion. I […]

Open thread Nov. 10, 2018

Published by Anonymous (not verified) on Sat, 10/11/2018 - 10:07pm in

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Como Donald Trump salvou o Partido Democrata da autodestruição

Published by Anonymous (not verified) on Sat, 10/11/2018 - 1:02pm in

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Na manhã de 9 de novembro de 2016, milhões de americanos acordaram como numa névoa. Em New Holland, no estado da Pennsylvania, Annie Weaver parou na loja de conveniência Wawa no caminho para a escola onde dá aula, e não conseguia olhar as pessoas nos olhos. Brandi Calvert, uma corretora de imóveis em Wichita, no estado do Kansas, só conseguiu sair da cama porque precisava levar o filho de 11 anos para a escola. Antes de sair, ela contou a ele o que tinha acontecido, mas ele se recusou a acreditar.

Levei minha filha a pé para a escola naquela manhã em Washington, D.C., e entrei com ela para a aula aberta quinzenal da salinha do jardim de infância. Um aluno do terceiro ano tinha sido sorteado para a tarefa de ler as notícias do dia no alto-falante, e começou com uma breve história da expansão do direito ao voto. Ingressou então em assuntos mais recentes: “Em 2008, Barack Obama foi o primeiro afro-americano a ser eleito presidente. Este ano, em 2016, Hillary Clinton foi a primeira mulher candidata à presidência. Numa eleição surpreendente, ela foi derrotada por Donald Trump”, disse ele. “Passem pela sala 308 para ver nossa linha do tempo. Tenham um bom dia.”

Minha filha – que estava “torcendo para a menina ganhar” e tinha descoberto que Trump era um canalha e um valentão ofensivo – permaneceu excepcionalmente quieta, e sua professora, que vestia um jeans preto e um hijab verde-oliva, virou o rosto para esconder as lágrimas.

Não havia nada a dizer, nada que pudesse ser dito, para consertar a realidade nua e crua de que, depois de uma campanha virulenta e cheia de ódio, um número suficiente de pessoas nos Estados Unidos tinha votado em Donald Trump para torná-lo o 45º presidente do país.

De volta a Wichita, Brandi dirigiu até em casa e ligou para sua mãe. “Eu alternava entre as emoções de chorar e sentir raiva e não acreditar, certamente tinha sido um erro e seria corrigido” – recorda-se.

Depois de elaborar seu luto, um processo que, segundo ela, levou duas semanas, Brandi Calvert, como milhões de outras pessoas em todo o país, foi consumida pela necessidade de “fazer alguma coisa”. Não havia nada a dizer, mas havia algo a fazer. E o que seria esse algo?

Os últimos dois anos de construção partidária e resistência pertencem a um grupo multiétnico, multigeracional e multifacetado de ativistas.

A maior parte dessas pessoas, até então, tinha pouca experiência com ativismo político, mas muitos já haviam se envolvido bastante em eventos comunitários, nas escolas locais ou em ações de caridade. Elas ainda não sabiam, mas já eram organizadoras políticas. Convencidas de que não era possível que Trump pudesse realmente ser o presidente, elas lidaram com a destruição iminente do país partindo para o tudo ou nada. Mais de 160 mil pessoas doaram, conjuntamente, 7 milhões de dólares para que Jill Stein, candidata do Partido Verde, financiasse uma recontagem, na esperança de que Hillary tivesse obtido votos suficientes para sair vencedora. Quando essa estratégia não funcionou, os recém-criados ativistas se voltaram para os membros do Colégio Eleitoral, pressionando incessantemente para que mudassem seus votos e elegessem alguém, qualquer um, que não fosse Trump. Se os membros do Colégio Eleitoral não podiam fazê-lo, insistiram os ativistas, eles poderiam pelo menos encaminhar a eleição à Câmara dos Deputados, não? Talvez o Presidente da Câmara, Paul Ryan, pudesse cumprir seu dever de estadista e salvar a União. Com certeza os líderes do Partido Democrata em Washington conseguiriam evitar que o pior acontecesse.

Logo ficou claro que não viria ninguém ao resgate, e que as pessoas que queriam fazer algo precisariam fazê-lo por conta própria. Não havia garantia de que surgiria uma resistência ampla e potente ao governo Trump, ou que em menos de dois anos os Democratas pudessem representar uma ameaça plausível ao controle dos Republicanos sobre a Câmara. A bem da verdade, as lideranças do Partido Democrata estavam tendentes a aderir a uma solução de compromisso, mesmo depois que pessoas próximas a Trump elogiaram o ex-presidente Franklin D. Roosevelt e seu uso de campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

Os últimos dois anos de construção partidária e resistência pertencem a um grupo multiétnico, multigeracional e multifacetado de ativistas, liderado principalmente por mulheres que apoiam mulheres, e ativado por uma eleição catastrófica que libertou uma força latente que há muito tempo permanecia inativa no cenário político. Candidatos e voluntários disseram repetidamente que a última vez em que haviam visto uma mobilização tão ampla e apaixonada fora em prol da campanha presidencial de Barack Obama, em 2008. Porém, diferentemente de 2008, este ano não há uma liderança centralizada. Isso significa que, mesmo depois de computados os votos na terça-feira, não há ninguém para mandar as pessoas de volta para casa. O Partido Democrata está preso a elas.

Ezra Levin, à esquerda, e Leah Greenberg, do movimento Indivisible na cidade de Nova York, em 22 de julho de 2017.

Ezra Levin, à esquerda, e Leah Greenberg, do movimento Indivisible na cidade de Nova York, em 22 de julho de 2017.

Foto: Brad Barket/Getty Images para Ozy Fusion Fest 2017

Montando um Exército

Quando chegou o Dia de Ação de Graças em 2016, a maior parte dos liberais já tinha saído do estado de choque eleitoral e entrado em modo de organização. Ezra Levin e Leah Greenberg, ex-funcionários do Legislativo federal, que então trabalhavam para organizações progressistas sem fins lucrativos, estavam visitando suas famílias no feriado quando se encontraram com uma amiga da faculdade em um bar em Austin, no Texas.

A amiga contou a eles que estava administrando um grupo no Facebook de resistência a Trump. O grupo Dumbledore’s Army [A Armada de Dumbledore, da série de livros Harry Potter] tinha 3 mil membros entusiasmados, mas sem um direcionamento claro, confessou a amiga. “Eles estavam indo às manifestações, mandando cartões-postais a Paul Ryan e ligando para os eleitores” – o pessoal do Colégio Eleitoral – “e de certa forma sentiam que estavam batendo a cara na parede”, Levin contou ao Intercept.

Levin e Greenberg então explicaram à sua amiga como, exatamente, os manifestantes do “tea party” [a ala de extrema-direita do Partido Republicano] tinham conseguido sacudir o Congresso em 2009 e 2010, e explicaram que tipo de pressão funciona sobre um parlamentar, e, mais importante, o que não funciona – por exemplo, mandar cartões-postais para o presidente da casa. A amiga estava mesmerizada: isso era exatamente o que ela e seu grupo precisavam saber.

Na época, apareceram inúmeros guias de resistência ao fascismo, mas nenhum deles dava orientações práticas para as pessoas que buscavam o que fazer de forma cotidiana ou muito frequente.

Levin e Greenberg, marido e mulher, condensaram seus pensamentos em um documento de texto que foi compartilhado com amigos de Washington entendidos em política, e começaram a refinar o guia aos poucos. Quando chegou a hora de publicar o documento, no entanto, nenhuma das pessoas do grupo queria que seu nome aparecesse nele.

Afinal, eles trabalhavam para os Democratas, e o conteúdo do guia provavelmente não seria bem recebido por sua chefia. Metade do problema dos ativistas, segundo o guia, era o próprio Partido Democrata, que não se poderia presumir que integraria a resistência contra Trump, e que precisava ser empurrado e instado a agir.

O documento, que foi chamado “Indivisible Guide” [Guia Indivisível] foi publicado em dezembro de 2016. Logo na sequência, representações do movimento Indivisible começaram a aparecer pelo país. Os Socialistas Democráticos da América, por sua vez, atraíram os apoiadores do senador Bernie Sanders, o mais conhecido socialista democrático assumido, que engrossaram em peso as fileiras da organização. Um grupo chamado Our Revolution [Nossa Revolução] nasceu das cinzas da campanha presidencial de Sanders. Em algumas regiões, ativistas de base criaram suas próprias organizações, como a Lancaster Stands Up [Lancaster Se Levanta] na terra de Annie Weaver em Lancaster, Pennsylvania.

Havia rumores sendo espalhados no Facebook e na imprensa nacional sobre uma Marcha das Mulheres em Washington, D.C. no dia seguinte à posse de Trump. Weaver resolveu ir da Pennsylvania até lá, mesmo que precisasse ir sozinha. Brandi Calvert, recém-saída da tristeza pós-eleição, também planejava comparecer, mas acabou tendo outra ideia: por que não organizar uma marcha em Wichita?

Milhares de pessoas compareceram à escultura do Guardião das Planícies, em 21 de janeiro de 2017, para participar da Marcha das Mulheres em Wichita, Kansas.

Milhares de pessoas compareceram à escultura do Guardião das Planícies, em 21 de janeiro de 2017, para participar da Marcha das Mulheres em Wichita, Kansas.

Foto: Travis Heying/The Wichita Eagle via AP

Ela contou que nunca tinha organizado nada além de uma excursão de campo, mas percebeu que sabia o suficiente para colocar as coisas no lugar. Dentre as 5 milhões de pessoas que se estima terem participado de manifestações em diversas cidades dos EUA em 21 de janeiro de 2017, aproximadamente 3 mil manifestantes estavam nas ruas de Wichita.

James Thompson, um veterano militar e advogado de direitos civis, estava entre eles, e o tamanho da multidão lhe deu uma ideia. O representante local no Congresso, Mike Pompeo, havia acabado de ser nomeado diretor da CIA, o que significava que haveria uma eleição especial para substituí-lo. Por que não concorrer?

O pico de energia se traduziu em milhares de pessoas interessadas em se candidatar, e milhares de outras buscando se filiar ao moribundo Partido Democrata.

O pico de energia se traduziu em milhares de pessoas interessadas em se candidatar, e milhares de outras buscando se filiar ao moribundo Partido Democrata. “Eu estou ocupado este ano como estive ao longo de todo o ano passado, no meio de uma eleição enorme”, foi o que me disse no começo do ano Mark Fraley, presidente do Partido Democrata de Monroe County no estado de Indiana, quando as representações locais do partido em todo o país começaram a precisar de espaços maiores para realizar suas reuniões, antes modorrentas, agora cheias até o teto. “O que está muito diferente é que o partido ficou mais jovem”, disse ele. “Os jovens nunca quiseram ser parte significativa da infraestrutura do Partido Democrata. Agora isso parece ter mudado.”

Concorrendo a um Cargo Eletivo

Tão logo Thompson anunciou sua candidatura para a eleição especial no 4º Distrito Congressional, a representação local da Indivisible, fundada pela amiga de Calvert, tomou a iniciativa de conduzir sua campanha. Embora Trump tenha levado o distrito por quase 30 pontos, o exército popular de Thompson foi à luta, espantando os comentaristas ao perder por apenas sete pontos. (Ele anunciou de imediato que concorreria novamente ao cargo em novembro de 2018.)

A temporada das eleições especiais começou em dezembro de 2017. O Partido Democrata do Delaware havia indicado Stephanie Hansen para concorrer numa eleição especial em fevereiro em uma vaga no legislativo estadual que decidiria o controle da casa. O candidato Republicano, um policial aposentado de Nova York, tinha concorrido em 2014 e perdido por apenas dois pontos.

Enquanto fazia sua campanha porta a porta, Hansen assistiu de camarote a um despertar histórico. “O que vi pessoalmente, começando em dezembro, foi que os Democratas da comunidade estavam deprimidos, muito tristes. Havia muita angústia, de 21 de dezembro até mais ou menos a data da posse”, ela me disse à época.

“Tão logo [aconteceram] a posse e as Marchas das Mulheres, os Democratas e todos aqueles que pensam de forma semelhante sentiram muita raiva”, contou ela, recordando a indignação que cercou a proibição de ingresso de muçulmanos e outros decretos que foram disparados da mesa do então assessor da Casa Branca, Steve Bannon. “Eu acompanhei desenrolar do processo. Aquela raiva se transformou em algo diferente. Ela se transformou em determinação.”

Uma inundação de voluntários e pequenas doações veio de todo o país, e Hansen trucidou seu adversário por 16 pontos. Quando conversei com ela, quase dois anos depois, ela me disse que a energia que sente quando vai às ruas só tem aumentado desde então. Ela disse que ainda recebe volumes esporádicos de doações de pequeno porte, e que consegue saber por sua página de captação de recursos na ActBlue quando Trump fez algo especialmente horrível.

Os doadores comunitários, movidos pela necessidade de “fazer alguma coisa”, investiram milhões na disputa, e efetivamente empurraram o partido adiante.

Naureen Akhter, uma jovem mãe da cidade de Nova York, sentiu-se compelida a agir depois da eleição de Trump, e seu primeiro telefonema como voluntária de campanha foi em prol do Democrata Jon Ossof na eleição especial de 2017 no 6º Distrito Congressional do estado da Georgia. O Comitê de Campanha Congressional Democrata [DCCC], o órgão do partido responsável por vencer eleições, não queria competir lá, preocupado com a baixa probabilidade de vitória de um Democrata, muito embora Trump tivesse vencido no distrito por apenas 1,5 pontos. Mas os doadores comunitários, movidos pela necessidade de “fazer alguma coisa”, investiram milhões na disputa, e efetivamente empurraram o partido adiante.

Akther se decepcionou quando Ossof teve pouco menos de 50% no primeiro turno de votação e perdeu no segundo turno, mas ainda queria se filiar ao Partido Democrata local. Isso se revelou um desafio, pois os detalhes de data e local das reuniões eram mantidos em segredo, e os membros do partido nunca lhe davam essas informações, embora prometessem que o fariam por e-mail. Ela finalmente descobriu um evento organizado por um senador estadual da região [o Legislativo estadual é bicameral nos EUA]. Ela compareceu e descobriu que ele era membro da Conferência Democrática Independente [Independent Democratic Conference, IDC], um grupo de Democratas que fazia convenções com os Republicanos. (O IDC foi formalmente extinto em 2018). Nada muito inspirador.

Por um acaso, porém, ela se deparou com um evento de campanha de uma candidatura diferente. O nome da jovem candidata era Alexandria Ocasio-Cortez, e ela estava concorrendo em uma disputa quixotesca contra o deputado Joe Crowley, que se esperava vir a ser o próximo presidente da Câmara depois de uma virada Democrata. Akhter decidiu que, se não podia se filiar ao partido, iria derrotá-lo. Ela se tornou uma das principais voluntárias de Ocasio-Cortez, e posteriormente diretora de organização da candidata de 28 anos – nas eleições do dia 6, ela se tornou a mulher mais jovem já eleita ao Congresso.

Organização Vale a Pena

Toda essa energia difusa bateu de frente com a estrutura oficial do Partido Democrata, que não estava preparada e, em alguns casos, nem disposta a recebê-la. O partido, gerido de cima para baixo pelas lideranças em Washington, avaliou sua performance e decidiu manter todos os mesmos líderes, dando inclusive ao deputado Ben Ray Luján um segundo mandato como presidente do DCCC.

Enquanto isso, o deputado Sean Patrick Maloney, um Democrata conservador de Nova York, recebeu a tarefa de conduzir uma autópsia do que teria dado errado para os Democratas na Câmara. O relatório que ele elaborou no primeiro semestre de 2017 foi imediatamente enterrado, e até hoje não foi divulgado.

Os líderes nacionais do partido tinham uma estratégia em mente: recrutar candidatos centristas com capacidade de captar recursos de grandes doadores. Por essa razão, ignoraram ou rejeitaram todas as recomendações para combater Trump que envolvessem uma alternativa progressista forte – como as que foram feitas pelas representações da Indivisible, pela Lancaster Stands Up, pelo Partido Democrata local, pela Swing Left, ou pelos Socialistas Democráticos da América [DSA].

Era confuso lutar contra o Partido Democrata oficial, mas o Guia Indivisível havia preparado milhões de pessoas, e os 50 mil (e em crescimento) membros de carteirinha dos DSA estavam prontos para entrar na batalha. Usando força bruta, despontaram nas primárias por todo o país, vencendo diretamente algumas delas e puxando os candidatos para seu lado em outras.

As lideranças nacionais do partido ignoraram ou rejeitaram todas as recomendações para combater Trump que envolvessem uma alternativa progressista forte.

O ato de organizar, de lutar por alguma coisa, se tornou terapêutico. A energia, em vez de se dissipar, se retroalimentou, formando e fortalecendo conexões. Houve uma transformação fundamental na esquerda: milhões de pessoas reconheceram que a organização e o ativismo não são necessariamente um ônus, nem são atos exclusivamente altruístas, e podem ter um efeito rejuvenescedor e ajudar a encontrar sentido num mundo cada vez mais sombrio. No último fim de semana, voluntários da organização Swing Left, fundada depois da eleição de 2016, fizeram contato, batendo de porta em porta ou telefonando, com 2 milhões de pessoas em 84 distritos. Um representante declarou que aproximadamente 4 de cada 10 dos voluntários mais ativos nunca tinham participado de organização política antes das eleições de 2018. Desses, três quartos eram mulheres.

O que mostram praticamente todas as pesquisas e entrevistas feitas com os eleitores do país é que os rompantes racistas de Trump podem até ser eficazes para seus apoiadores – talvez aumentando seu nível de ódio de 11 para 12 – mas produzem o efeito oposto sobre eleitores com nível superior nos subúrbios e zonas rurais, em especial sobre as mulheres.

Representações da Indivisible que eram organizadas essencialmente por mulheres com ensino superior agora podiam atrair novos eleitores abertos à persuasão. As discussões que aconteceram no Facebook e em encontros presenciais contribuíram para um êxodo em massa dessas mulheres em relação ao Partido Republicano. As mulheres brancas com ensino superior votaram confortavelmente no candidato Republicano à presidência em 2012, Mitt Romney, mas mudaram para Hillary em 2016 com pequena margem. Em 2018, elas estão prontas para votar nos Democratas com pelo menos 15 pontos de vantagem.

Apoiadores do então candidato Republicano à presidência Donald Trump assistem a um discurso em um comício de campanha em Las Vegas, em 30 de outubro de 2016.

Apoiadores do então candidato Republicano à presidência Donald Trump assistem a um discurso em um comício de campanha em Las Vegas, em 30 de outubro de 2016.

Foto: Evan Vucci/AP

Pesquisas de boca de urna mostraram, em 2016, que Trump venceu com 52% do voto das mulheres brancas, um número que contribuiu para a intensa demonização dessa categoria em todo o espectro político. Esse dado, porém, ignora uma distinção fundamental, a religião, e vem sendo usado para produzir uma narrativa amplamente equivocada. Evangélicos brancos representaram um quinto dos votantes em 2016, e entre eles Trump venceu com uma impressionante maioria de 80% dos votos. Segundo o instituto Pew, cerca de três quartos dos evangélicos não têm ensino superior, o que significa que, se olharmos para as mulheres brancas não evangélicas, elas votaram maciçamente em Hillary Clinton, independentemente de terem ensino superior ou não. Esse grupo de mulheres tende a se agarrar com mais força ainda aos Democratas em 2018, embora a relevância desse realinhamento se perca quando as mulheres brancas são todas agrupadas e o foco recai sobre a estatística de 52%.

No mínimo, esse realinhamento permite dar aos Democratas o controle não apenas das áreas urbanas em expansão no país, mas também dos subúrbios mais elegantes, o que deixa os Republicanos apenas com as regiões rurais e os exúrbios – território das classes trabalhadoras que enfrentam longos trajetos até o centro, onde não há uma identidade orgânica, onde as escolas públicas são apenas razoáveis, e onde se concentra uma crescente população de imigrantes.

Mas até mesmo esse último reduto se encontra sob ameaça, agora que há grandes chances de que ativistas e candidatos Democratas que ignoraram a recomendação do partido de que era impossível vencer nas áreas rurais obtenham importantes vitórias na terça-feira.

O DCCC pode ter ocultado a autópsia de Maloney, mas ele mostrou uma prévia do trabalho para o Washington Post. Sua análise era de que os Democratas simplesmente não conseguiriam vencer em certos distritos rurais, embora alguns distritos suburbanos se mostrassem como oportunidades de retomada. Esse segundo ponto era uma extensão do consenso de 2016, e se mostrou acertado neste ciclo. O primeiro, porém, era um engodo. Os dois distritos rurais que ele usou como exemplo foram o 2º de Minnesota e o 1º de Iowa. O DCCC acabou investindo recursos em ambos, e foi uma decisão sábia: os Democratas foram eleitos nos dois distritos, antes considerados impossíveis de vencer.

James Thompson, candidato do Partido Democrata ao Congresso pelo Kansas, à esquerda; Senador Bernie Sanders, Independente por Vermont; e Alexandria Ocasio-Cortez, candidata do Partido Democrata ao Congresso por Nova York se reúnem no palco depois de um comício em Wichita, no Kansas, em 20 de julho de 2018.

James Thompson, candidato do Partido Democrata ao Congresso pelo Kansas, à esquerda; Senador Bernie Sanders, Independente por Vermont; e Alexandria Ocasio-Cortez, candidata do Partido Democrata ao Congresso por Nova York se reúnem no palco depois de um comício em Wichita, no Kansas, em 20 de julho de 2018.

Foto: Jaime Green/The Wichita Eagle via AP

Não era esperado que Thompson vencesse no 4º distrito do Kansas (e ele realmente perdeu), mas sua candidatura teve alguns benefícios complementares. Uma voluntária de sua campanha original concorreu à Câmara Estadual, mas acabou derrotada, e outra concorreu a comissária do condado de Sedgwick – Lacey Cruse acabou se tornando a única mulher eleita no condado, derrotando o republicano que buscava reeleição ao cargo. Além disso, há uma onda de eleitores se registrando. Essas novatas deram impulso à Democrata Laura Kelly, que se elegeu governadora na disputa contra Kris Kobach, secretário de Estado do Kansas em fim de mandato. Os Democratas também tiveram chance na disputa pela sucessão de Kobach, com o co-fundador do Google Earth, Brian McClendon, concorrendo a secretário de Estado. Embora derrotado, ele construiu uma ferramenta simples de registro de eleitor com o objetivo de expandir o direito de voto, numa tentativa de desfazer o legado de Kobach de supressão de eleitores.

A candidatura de Thompson teve alguns benefícios complementares.

Duas outras cadeiras na Câmara, juntamente com o palácio de governo, estão ao alcance dos Democratas no Kansas, e, em Oklahoma, os Democratas se valeram das eleições especiais para virar quatro cadeiras do legislativo estadual em distritos profundamente Republicanos. Na esteira da greve de professores, eles conseguiram o governo do Estado.

Nas regiões rurais de Iowa, Virgínia, Pensilvânia, Virgínia Ocidental e na Península Superior de Michigan, os Democratas progressistas estão ganhando terreno em distritos há muito considerados fora de alcance. Toda a região do Cinturão da Ferrugem e do Meio-Oeste está se revoltando contra Trump, e os Democratas ameaçavam ganhar todos os assentos de Iowa na Câmara e até o governo do Estado – no fim, perderam apenas uma das disputas legislativas, mas o governador Republicano conquistou a reeleição.

Em Michigan, Illinois, Wisconsin, Kansas, Iowa, Oklahoma e Ohio, os Democratas entraram no dia das eleições com chances de tomar dos Republicanos o governo estadual – e ganharam nos quatro primeiros.

Doações Comunitárias

Uma característica definidora do crescente ativismo liberal é o tratamento dado à captação de recursos. Em vez de cortejar doadores ricos, como o Partido Democrata fez por muito tempo, os candidatos que pretendem tomar das mãos dos Republicanos os governos estaduais e o Congresso buscaram os doadores de pequeno porte, as pessoas que só poderiam contribuir com menos de 200 dólares para uma única campanha. As doações em frações de 3, de 5 e de 27 dólares se tornaram a marca registrada das campanhas progressistas em todo o país.

O partido em geral só adotou essa estratégia de captação de recursos por meio de consultores de Washington que bombardearam as caixas de entrada com e-mails que pareciam cobrança de dívidas. Porém, a despeito de ter praticamente deixado de lado as doações corporativas pelos PAC [Political Action Committees, os Comitês de Ação Política], os candidatos Democratas à Câmara captaram um total recorde de 250 milhões de dólares, apenas no terceiro trimestre de 2018. Mais de 60 candidatos captaram acima de um milhão de dólares no trimestre. Quando as pesquisas mostraram que o deputado nacionalista branco Steve King poderia ser derrubado no 4º distrito de Iowa, ativistas comunitários enviaram, em dois dias, 641 mil dólares ao ex-arremessador de beisebol da série B, J.D. Scholten, mesmo ele não estando na Lista “Red to Blue” [Vermelho para Azul, Republicano para Democrata] do DCC.

Em janeiro, a ActBlue, plataforma sediada em Boston que arrecada e distribui doações de pequeno porte para candidatos Democratas, celebrou a marca de 2 bilhões de dólares arrecadados desde sua fundação em 2004, quando a campanha presidencial de Howard Dean abriu espaço para a era das pequenas doações.

No final de outubro, essa marca chegou a 3 bilhões.

Republicanos, perplexos com essa corrida do ouro, insinuam que possa se tratar de alguma trama nefasta. “O outro lado de alguma forma conseguiu que as pessoas mandem dinheiro a esse grupo em Massachussets, para ser encaminhado ao outro lado do país”, declarou um confuso Pete Olson, deputado Republicano em exercício há cinco mandatos que teve dificuldade para manter sua cadeira da Câmara em um distrito no subúrbio de Houston que, embora produto de rearranjos na composição dos eleitores [conhecidos como “gerrymandering”], está em rápida mudança.

O oponente de Olson, um ex-funcionário do serviço de pessoal estrangeiro, Sri Preson Kulkarni, fez campanha telefônica em pelo menos 13 línguas, buscando atingir comunidades asiáticas e africanas existentes nas subdivisões do distrito. Kulkarni não trouxe ninguém de avião de Massachussets para isso – quem fez suas ligações foram voluntários que analisaram a lista de eleitores para categorizar os residentes por origem étnica, e então fizeram contato de forma personalizada, muitas vezes em suas próprias línguas. “Nós vemos que os verdadeiros líderes comunitários são as forças organizadores nas comunidades específicas”, disse Ali Hasanali, parte de um batalhão de jovens organizadores que aprimorou essa técnica na campanha de Kulkani. “Não dá para ter uma representação apenas simbólica. Isso não oferece o conhecimento sobre a comunidade que alguém de dentro dela tem.”

Thara Narasimhan, à esquerda, apresentadora de um programa de rádio hindu no Texas, conversa com o candidato Democrata ao Congresso Sri Kulkarni durante um evento de arrecadação de fundos em Houston, em 29 de julho.

Thara Narasimhan, à esquerda, apresentadora de um programa de rádio hindu no Texas, conversa com o candidato Democrata ao Congresso Sri Kulkarni durante um evento de arrecadação de fundos em Houston, em 29 de julho.

Foto: David J. Phillip/AP

Qual Terceira Via?

Se você conversar com o bando de operadores de campanha, planejadores de mídia, estrategistas, e mandarins políticos que controlam a ala centrista do partido, eles explicarão como dominaram o ciclo de 2018, canalizando a energia anti-Trump para candidatos moderados com perfil de negócios, que devolverão a Washington um equilíbrio bipartidário. Em setembro, a Third Way [Terceira Via], a mais eloquente defensora do centro político, liberou uma análise preliminar, mostrando que os candidatos apoiados pelo DCCC e pelo NewDemPAC, o braço político da coalizão de centro da Câmara, a New Democrat Coalition [Nova Coalizão Democrata], venceram um número extraordinário de disputas, enquanto grupos de esquerda como Brand New Congress [Congresso Totalmente Novo], Justice Democrats [Democratas da Justiça], e Our Revolution [Nossa Revolução] tiveram um índice muito mais baixo de vitórias. Jim Kessler, cofundador da Third Way, tem brandido esses números como uma arma. Ele se gabou de que “20 milhões de Democratas não podem estar errados” em um e-mail enviado internamente para alguns Democratas e encaminhado ao Intercept.

Um mergulho nos números mostra que esses sucessos foram francamente exagerados.

Mas um mergulho nos números, como fez o Progressive Change Institute [Instituto Mudança Progressista], mostra que esses sucessos foram francamente exagerados. Por exemplo, as estatísticas da Third Way alegam que 32 dos 37 candidatos do NewDemPAC incluídos nas listas de acompanhamento da organização antes das primárias venceram suas disputas. Mas em oito dessas disputas (9º distrito de Arizona, 2º distrito do Kansas, 2º distrito de Minnesota, 22º distrito de Nova York, 6º distrito da Pensilvânia, 4º distrito de Utah, 5º distrito de Washington e 6º distrito de Wisconsin), o candidato apoiado pelo NewDemPAC não teve oponente na primária. Em outras 17, a disparidade de captação de recursos entre o candidato NewDem e a alternativa foi tão absurda – 2,4 milhões de dólares contra zero, em um caso – que é possível dizer que eles foram virtualmente incontestes. Assim, em mais de três quartos das vitórias o candidato do NewDem não tinha concorrência real.

Usando a lista da própria Third Way, permanecem 12 primárias competitivas para avaliar.

O NewDemPAC, porém, também reivindica para si candidatos da Califórnia como Harley Rouda e Katie Hill, ambos tão favoráveis à proposta de um sistema de saúde “Medicare para Todos” que receberam apoio do PAC Medicare para Todos, da deputada Pramila Jayapal. Isso não casa com a tímida proposta do NewDem de “promover maior cobertura de seguro”, e com a insistência da Third Way de que defender essa política seria a morte para os Democratas.

No caso de Rouda, ele tem apoio de grupos comunitários locais, inclusive a representação Indivisible do distrito, que se uniram ao DCCC para apoiá-lo. Curiosamente, o NewDemPAC colocou em sua lista tanto Rouda quanto seu oponente nas primárias, Hans Keirstead, o que garante a vitória na disputa. Duas outras disputas (2º distrito de Arizona e 11º distrito de Nova Jersey) não envolviam nenhuma alternativa progressista ao candidato do NewDem.

Isso reduz a lista da Third Way a oito disputas.

Quando você se limita às disputas em que há uma efetiva batalha ideológica entre candidatos viáveis e bem financiados, o NewDemPAC perdeu cinco, e ganhou apenas duas ou três, dependendo de como o resultado for caracterizado. Katie Porter, uma especialista em fraudes de hipoteca apoiada por Elizabeth Warren, derrotou David Min, ex-membro da equipe de Chuck Schumer e apoiado pelo NewDem, na disputa pelo 45º distrito da Califórnia. R.D. Huffstetler, apoiado pelo NewDem, foi derrotado de forma tão acachapante por Leslie Cockburn nas convenções locais do 5º distrito da Virgínia, que desistiu da disputa e declarou apoio a ela. Josh Butner (50º distrito da Califórnia), Jay Hulings (23º distrito do Texas), e o ex-deputado Brad Ashford (2º distrito do Nebraska) também perderam para adversários mais progressistas. Uma ausência intrigante na lista do NewDem é a disputa no 14º distrito de Nova York, onde Ocasio-Cortez derrotou Crowley, o presidente da New Democrat Coalition de 2009 a 2013.

Alexandria Ocasio-Cortez comemora com seus apoiadores, inclusive Naureen Akhter, em uma festa da vitória no Bronx, em 26 de junho de 2018.

Alexandria Ocasio-Cortez comemora com seus apoiadores, inclusive Naureen Akhter, em uma festa da vitória no Bronx, em 26 de junho de 2018.

Foto: Scott Heins/Getty Images

Fora do restrito enquadramento do NewDem, os progressistas derrotaram os centristas em diversas disputas importantes das quais o NewDemPAC não participou ativamente. A progressista Jahana Hayes derrotou Mary Glassman, que tinha o apoio da Câmara de Comércio dos EUA e da máquina partidária local, em Connecticut. Jess King em Lancaster, Pensilvânia, estava perto de derrotar sua adversária da situação, Christina Hartman, quando Hartman desistiu da disputa e se mudou para outro distrito. O oponente da situação a Richard Ojeda na Virgínia Ocidental, o prefeito de Huntington, desistiu depois que Ojeda decolou. Dana Balter derrotou a candidata apoiada pelo DCCC, Juanita Perez Williams, em Syracuse. O candidato do DCCC Colin Allred de fato venceu uma disputa contra a progressista Lillian Salerno no Texas, mas isso foi depois que o favorito original do partido, o consultor político de Hillary Clinton, Ed Meier, não participou.

Lauren Baer (que captou bem mais recursos que seu adversário no 18º distrito da Flórida), Abigail Spanberger (7º distrito da Virgínia), e Lizzie Pannil Fletcher (7º distrito do Texas) saíram vitoriosas em batalhas diretamente ideológicas – muito embora Pannil Fletcher só tenha vencido porque o candidato preferido do DCCC também não participou dessa prévia. E, mesmo então, o NewDemPAC só apoiou Fletcher depois da primária (onde ela foi a mais votada) e antes da disputa no Texas com Laura Moser, que se tornou uma heroína do movimento de resistência contra Trump em 2017, como criadora da ferramenta de mensagens de texto Daily Action, que canalizou a raiva progressista em uma dose diária de ativismo. O DCCC atingiu Moser com uma campanha de difamação antes da primária, atribuindo a ela a pecha de “infiltrada de Washington” (o que é um pouco contraditório vindo de uma operação de campanha sediada em Washington). E a ala centrista não se orgulha de uma de suas vitórias de mais alto nível, quando Donna Shalala foi impulsionada em uma primária em Miami contra a oposição progressista. A aprendiz do governo Clinton, de 77 anos, correu riscos de perder a disputa, mas acabou se elegendo com 51,7% dos votos.

O maior problema com a promoção que a Third Way faz da “proporção de vitórias” é o próprio conceito, que encoraja a forjar números e a evitar a concorrência em disputas em que o resultado seja mais incerto. Se o grupo Justice Democrats estivesse preocupado em primeiro lugar com sua taxa de vitórias, nunca teria investido com tudo em uma candidata “millennial” que não podia fazer campanha em tempo integral porque ainda estava trabalhando em um bar quatro dias por semana.

Membros da organização National Nurses United [Enfermeiras Nacionais Unidas] e apoiadores do “Medicare para Todos” manifestam-se em apoio a um programa nacional de seguro saúde de pagador único em 15 de janeiro de 2017, na cidade de Nova York.

Membros da organização National Nurses United [Enfermeiras Nacionais Unidas] e apoiadores do “Medicare para Todos” manifestam-se em apoio a um programa nacional de seguro saúde de pagador único em 15 de janeiro de 2017, na cidade de Nova York.

Foto: Michael Nigro/Sipa via AP

Tornar-se um Partido do Povo, Financiado pelo Povo

Para além das divisões na cúpula do partido, no entanto, os ativistas perceberam que entre as pessoas que estavam nas ruas, aquelas que haviam apoiado Hillary Clinton e aquelas que haviam apoiado Bernie Sanders queriam essencialmente as mesmas coisas: “Medicare para Todos”, um salário mínimo de 15 dólares por hora, universidade sem dívida (ou gratuita), um New Deal Ecológico. Até os candidatos apresentados como moderados ou centristas se manifestavam em prol de várias dessas causas.

O fatalismo dos primeiros dias da era Trump, combinado com o discurso que propunha um acordo com o presidente, foi afastado no meio desse ano pela esperança de que, havendo pressão pública suficiente, o Affordable Care Act [Lei de Cuidado Acessível, o ‘Obamacare’] poderia ser salvo.

Mesmo sofrendo vários reveses, a energia dos liberais permanecia em alta porque os ataques de Trump à dignidade do público não cessavam. Cada vez que Trump se sentia encurralado, ele encontrava novas formas de reunir o público “MAGA” [“Make America Great Again”]. Ele nunca abandonou seu veto aos muçulmanos, até conseguir que uma versão fosse aceita pela Suprema Corte. Ele anunciou o fim do programa Deferred Action for Childhood Arrivals [Ação Diferida para Ingressos Infantis], que oferecia proteção legal aos “Dreamers”, os filhos dos imigrantes (embora a extinção do programa tenha sido suspensa pela justiça). Ele desencadeou uma crise na fronteira com o México, separando pais e filhos e colocando todos eles atrás das grades.

A incessante demonização dos inimigos de Trump fomentou o ódio: supremacistas brancos encorajados fizeram manifestações em Charlottesville e em outras partes, e extremistas de direita iniciaram e executaram planos de terrorismo doméstico. Apenas 10 dias atrás, 11 fiéis foram massacrados numa sinagoga em Pittsburgh.

O etno-nacionalismo de direita com um toque autoritário está em ascensão em todo o mundo, mas há também uma esquerda fortalecida que resiste.

O risco para os Republicanos de abraçar a “Southern Strategy” (a “Estratégia Sulista” de atrair eleitores brancos recorrendo ao racismo contra os afro-americanos) sempre foi o de restringi-los, bem, ao Sul. Mas a exploração da questão racial tem alcance nacional, e é possível dizer que isso os levou ao domínio nacional que agora possuem.

O etno-nacionalismo de direita com um toque autoritário está em ascensão em todo o mundo, da Rússia à Índia e ao Brasil. Mas há também uma esquerda fortalecida que resiste. No começo do ano, Andrés Manuel López Obrador, concorrendo com uma plataforma populista- progressista, conquistou o poder no México; os socialistas ascenderam na Espanha; Jeremy Corbyn continua muito popular no Reino Unido.

Os anos 1930 na Europa, e os anos 2010 no Brasil mostraram que os movimentos de centro-esquerda sem base popular não são capazes de enfrentar o desafio do fascismo em tempos de crise econômica. O Partido Democrata em 2017 e 2018 começou uma transição para se tornar um Partido do povo, cada vez mais ligado a doadores e ativistas comunitários. Mais de 2 milhões de pessoas se envolveram na organização dos Democratas nos últimos dois anos.

Na manhã de 7 de novembro, ganhando ou perdendo, eles acordaram novamente.

O conteúdo jornalístico desta matéria foi baseado no livro prestes a ser lançado de Ryan Grim, “We’ve Got People: Resistance and Rebellion, From Jim Crow to Donald Trump” [“Nós Temos o Povo: Resistência e Rebelião, de Jim Crow a Donald Trump”, ainda sem tradução no Brasil]. Inscreva-se aqui para receber um e-mail avisando do lançamento.

Tradução: Deborah Leão

The post Como Donald Trump salvou o Partido Democrata da autodestruição appeared first on The Intercept.

New Border Wall Will Destroy Butterfly Center, Historic Chapel, and Texas State Park

Published by Anonymous (not verified) on Sat, 10/11/2018 - 10:50am in

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The first new segment of border wall to be constructed under President Trump will bisect a butterfly conservation center, a historic church, and a state park along the Texas border. The construction is set to begin in February.

In March, Congress appropriated $1.6 billion to build Trump’s border wall — his signature campaign issue. But Congress earmarked most of the funding to reinforce or replace already existing segments of border fencing. The southern border already has nearly 700 miles of border fencing and barriers built in the last decade. In October, Trump had a gold plaque attached to a two-mile stretch of border fence in Calexico, California, with his name on it to commemorate the first new stretch of Trump’s wall. But the fence was a replacement for an older fence built in the 1990’s. The recently announced 6 miles will be the first new segment of border wall built in a new location by the Trump administration.

U.S. Customs and Border Protection announced the new border wall last Friday — four days before the midterm elections — in a press release. But CBP did not say where the new wall would be located, only that it would be in Hidalgo County, Texas. Several calls and emails to CBP to confirm the location went unreturned.

But Steve Lightfoot, a spokesperson for Texas Parks and Wildlife, confirmed today that Trump’s new segment of border wall would be built through Bentsen-Rio Grande Valley State Park and surrounding areas in Mission, Texas. The park will more than likely close after the wall is constructed, since the land was deeded in a family trust to be expressly used as public parkland. The border wall will also run through national wildlife refuge land and through the nonprofit National Butterfly Center, also in Mission. The center is home to at least 200 species of butterfly, and serves as critical habitat for the migration of the threatened Monarch butterfly and endangered species including the ocelot and jaguarundi.

Marianna Treviño Wright, director of the center, said that CBP has been deliberately secretive about where new segments of wall will be built because the majority of residents there do not want it. “There’s been no public meetings, no outreach and no effort to reach out to Spanish-speaking residents,” she said.

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Marianna Treviño Wright, director of the National Butterfly Center, looks over a government map where CBP has said it will build President Trump’s border wall in Texas.

Photo: Verónica G. Cárdenas for The Intercept

In August 2017, more than 1,000 people walked several miles from the Our Lady of Guadalupe Catholic Church in Mission to the historic La Lomita Chapel — a 120-year-old mission chapel also in the border wall’s path — to protest construction of the wall. This August another protest with several hundred people was held at the National Butterfly Center, which has become the de facto headquarters for border wall resistance in the area.

“I feared that we’d be the first to get the wall,” Treviño Wright said. “The bulldozers could be rolling in here as early as February.” In the summer of 2017, she discovered private contractors with chainsaws destroying critical habitat at the center, to make way for the wall. In December 2017, the center filed suit against the federal government, citing unlawful incursion and deprivation of due process as well as violation of the Endangered Species Act and other federal protection laws.

But under the Secure Fence Act passed in 2006, the Department of Homeland Security can waive hundreds of federal laws to build the wall. And Treviño Wright thinks that the Department of Homeland Security will file a “quick take” condemnation. “Under eminent domain the federal government can literally seize the land and do whatever they like before anything is negotiated or adjudicated,” she said.

Because of the expansive Rio Grande floodplain, the border wall is being built as far as a mile from the river, which serves as the international boundary with Mexico. This means that the wall would bisect the butterfly center, leaving 70 acres between the wall and the river, with the visitor’s center on the north side. It will also more than likely destroy La Lomita Chapel, built in 1899, because CBP also wants to create a 150-foot “enforcement zone” south of the wall, which will include an all weather road, camera towers, and other surveillance.

Father Roy Snipes, a popular Catholic priest who holds services at La Lomita Chapel, has led several protests against the wall. “If they put a wall on the levee, our chapel will be on the other side of it,” he said. Snipes said CBP, which is in charge of the wall construction, has told them very little about its plans for the historic church. “It’s like what you hear out of the White House. Nobody knows anything.”

According to the CBP press release, the new structure will be a “pedestrian, levee wall,” which means that an existing earthen levee that is used for flood control more than a mile from the Rio Grande will be replaced with concrete and topped with a steel bollard wall. Some levee border wall, built nearly a decade ago, already exists in Hidalgo County and ranges from 18 to 30 feet high.

Treviño Wright said CBP has deliberately kept border communities in the dark. And that there’s been a lot of confusion about when and where the border wall will be built. “I’ve heard many landowners in the area say we need to stop Trump’s border wall from being funded,” she said. “They’re not even aware it’s already been funded. And guess what? They’re building it here.”

The post New Border Wall Will Destroy Butterfly Center, Historic Chapel, and Texas State Park appeared first on The Intercept.

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Published by Anonymous (not verified) on Sat, 10/11/2018 - 4:23am in

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