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Importadores de armas estão rindo à toa com o bolsonarismo: vendas cresceram 359% desde 2018

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 04/12/2019 - 4:02pm in

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Dias após tomar posse como presidente da República, Jair Bolsonaro assinou o primeiro dos sete decretos sobre armas que ele editaria este ano. Quando canetou o decreto 9.685, Bolsonaro estava cercado de eufóricos parlamentares favoráveis à medida fazendo arminha. Mas há gente ainda mais sorridente: importadores de armas estão rindo como nunca antes na história desse país.

O aumento começou já em 2018 – ano da campanha eleitoral inflamada pelo discurso pró-armas. Neste ano, porém, com o decreto que flexibiliza a posse e a fissura no monopólio da Taurus, denunciada pelo Ministério Público por venda de armas com defeito, o número explodiu. Um relatório obtido pelo Intercept, feito com base em dados de importação de armamentos do Ministério da Economia, Comércio Exterior e Serviços, mostrou que o número de armas importadas aumentou 1.473% este ano em comparação com 2016. Naquele ano, 2.390 armas foram importadas. Só em 2019 o número subiu para 37.589.

 Pedro Ladeira/Folhapress)

A alegria dos bolsonaristas na assinatura do decreto que flexibiliza a posse de armas, em maio deste ano, se estende para os importadores.

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Após certa estabilidade e quedas consecutivas em 2014 e 2015, o crescimento foi meteórico pós 2016, crescendo consideravelmente em 2018 – ano de plena campanha arminha na mão – e explodindo em 2019. Só em relação a 2017, o aumento foi de 359%.

Esse mercado de importação de armas movimentou, entre janeiro e setembro, mais de 15 milhões de dólares – aproximadamente R$ 60 milhões. A maior parte desse valor – R$ 44 milhões – foi movimentada por empresas do Rio de Janeiro, estado diariamente nos holofotes pela atuação nefasta de milícias.

O país preferido pelos importadores é a Áustria, sede da Glock, cuja pistola mais barata custa – sem impostos – em média 644 dólares, o equivalente a R$ 2,7 mil. Há também grandes importações dos Estados Unidos, República Tcheca e Argentina.

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Gráfico: João Brizzi/The Intercept Brasil

A importação de partes ou acessórios para armas seguiu o mesmo ritmo de alta. O volume passou de 3.751 quilos em 2016 para 36.873 até setembro em 2019 – quase dez vezes mais. O mercado, que faturava pouco mais de R$ 1,5 milhão (283.861 dólares), saltou para cerca de R$ 8,5 milhões (2.129.956 dólares). Em 2019, dez das 18 importações foram feitas para o Rio Grande do Sul, que comprou prioritariamente da Itália – país sede da Beretta, maior concorrente da Glock.

Embora a Taurus ainda detenha tecnicamente o monopólio de produção e comercialização de armas no Brasil, o histórico de falhas e acidentes com suas armas fez com que a legislação se flexibilizasse. Neste ano, as polícias de São Paulo e do Rio de Janeiro começaram a comprar armas de fora do país. A vencedora das duas licitações foi a Glock, que receberá R$ 35,7 milhões do governo de SP e R$ 43,3 milhões do governo do Rio para fornecer pistolas.

Rio de Janeiro, o paraíso das armas

Os dados do Ministério da Economia, Comércio Exterior e Serviços mostram que o volume de armas que chegou ao Rio de Janeiro neste ano é quase o total importado em 2018 em todo o país. Cerca de 27.430 armas chegaram ao estado este ano – no Brasil, no ano passado, foram 28.319.

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Gráfico: João Brizzi/The Intercept Brasil

Quando uma arma é apreendida, saber seu calibre, marca e origem, é essencial para descobrir se ela foi, por exemplo, desviada de uma empresa de segurança privada que a comprou legalmente. E as estatísticas da Polícia Federal mostram que, entre 2006 e 2016, 30% de todo o arsenal de empresas privadas de segurança – compradas legalmente – foram parar na mão de criminosos.

Quando o Instituto de Segurança Pública, o ISP, foi criado para monitorar estatísticas de crimes no Rio de Janeiro, os pesquisadores se esforçaram para detalhar melhor o armamento. “Na época se mapeou todo armamento apreendido no Rio de Janeiro, os países de origens, quais as possíveis rotas para que essa arma chegasse ao Rio de Janeiro, quais os locais onde eram encontradas e quais as munições que estão sendo utilizadas”, me disse Ana Paula Miranda, pesquisadora da Universidade Federal Fluminense e uma das idealizadoras do ISP. Hoje, esse esforço se perdeu.

O setor armamentista lucra como nunca antes, temos mais armas nas ruas, mas não temos nenhuma clareza sobre o que acontece com elas depois que entram no Brasil.

Entender a chegada de armas de grosso calibre, cada vez mais comuns, ajuda a entender a organização do crime no estado, até então centralizado na região metropolitana. “Era impensável há cinco, sete anos vermos criminosos utilizando fuzis ou outras armas de grosso calibre na Baixada Fluminense. Em 2019, o uso se tornou corriqueiro”, me disse Pablo Nunes, coordenador adjunto do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. Para ele, esse pode ser um indício que armas pesadas estão chegando pelo interior. “Alguns municípios registraram a primeira apreensão de fuzis em toda a história, revelando que esse processo tem se interiorizado com certa velocidade. Ter dados para compreender essas demandas por armamentos mais pesados ajuda a jogar luz nessas novas dinâmicas e, muitas das vezes, invisíveis aos analistas e gestores públicos que se concentram na capital do estado”.

O ano ainda não fechou e o ministério não consolidou seus dados. Mesmo assim, já dá para saber que, com as meias informações disponíveis, vai continuar difícil para os pesquisadores estabelecerem estratégias para enfrentar o desvio de armas, como um simples cruzamento de informações. O setor lucra como nunca antes, temos mais armas nas ruas, mas não temos nenhuma clareza sobre o que acontece com elas depois que entram no Brasil, mesmo com a evidência de desvios detectado pela Polícia Federal.

Os esforços outrora empenhados para se entender como as armas param nas mãos de milicianos e traficantes não são mais prioridade. Um estado como o Rio de Janeiro, que possui um contexto de segurança completamente específico, deveria ter políticas específicas. Mas isso, claro, caso o plano fosse inibir o crime.

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Foundations of Probability 1

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 04/12/2019 - 1:18pm in

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In this sequence of posts, I will go through a recent paper of mine, which explains that BOTH of the currently dominant approaches to probability are deeply, fundamentally, and irreparably flawed. The reason for this is that probability is a real-world phenomenon which is unobservable and unmeasurable. The early 20th Century foundations for probability were built at a time when logical positivism was dominant as the philosophy of science. Furthermore, despite its abandonment by philosophers, its central ideas continue to be widely believed, especially among economists. We will see that both frequentism and subjectivism are attempts to reduce the unobservable to the observable, but this is fundamentally impossible, and all such attempts are doomed to failure. Nonetheless, the charm of positivism and empiricism is so strong, that it prevents the formulation of the ideas necessary to see the problems with the current definitions of probability. An alternative method for thinking about probability, based on  Critical Realism, will also be offered. Based on my paper draft, I estimate that there will be about ten posts of about 1000 words each, though a few of them might be longer. So this post is 1/10 – the first of ten posts on this topic. It would be useful to being with a short post from John Kay entitled: “Embrace Radical Uncertainty“.

Between 1920 and 1950, a debate took place which defined the future of economics in the second half of the 20th century. On one side were John Maynard Keynes and Frank Knight; on the other, Frank Ramsey and Jimmie Savage.

Knight and Keynes believed in the ubiquity of “radical uncertainty”. Not only did we not know what was going to happen, we had a very limited ability to even describe the things that might happen. They distinguished risk, which could be described with the aid of probabilities, from real uncertainty—which could not. In Knight’s world, such uncertainties gave rise to the profit opportunities which were the dynamic of a capitalist economy. Keynes saw these uncertainties as at the root of the inevitable instability in such economies.

Their opponents insisted instead that all uncertainties could be described probabilistically. And their opponents won, not least because their probabilistic world was convenient: it could be described axiomatically and mathematically.

It is difficult to exaggerate the practical consequence of the outcome of that technical argument. To acknowledge the role of radical uncertainty is to knock away the foundations of finance theory and much modern macroeconomics. But the reigning consensus is beset with glaring weaknesses. Keynes and Knight were right, and their opponents wrong. And recognition of that is a necessary preliminary to the rebuilding of a more relevant economic theory.

My paper about probability, which I will post here in short segments, one section at a time, is entitled: “Subjective Probability Does Not Exist”. The Abstract for the paper is given below. The next post in this sequence will introduce three different probability concepts which must be kept separate from each other, in order to understand the nature of probability. Unfortunately, logical positivism prevents us from thinking about two of these concepts, which is why those with positivist mindsets cannot see the flaws in the current approaches to probability.

Subjective Probability Does Not Exist

{1/12/19: Radically Revised and Updated Version of earlier paper with same name.}

Abstract: Probabilities of one-time events are unobservable and unmeasurable. According to empiricist and positivist principles, they must be meaningless. However, our cognitive limitations do not prevent entities and effects from existing. We show that the argument for existence of subjective probabilities relies crucially on the non-existence of objective probabilities. In this case however, the existence of subjective probabilities reduces to a triviality. When objective probabilities do not exist, we are free to believe whatever we like about these probabilities, without any consequences. The theorems which establish the existence of subjective probabilities are normally interpreted as establishing the existence of beliefs about probabilities. We show that this interpretation is not tenable when objective probabilities do not exist. We establish the validity of an alternative interpretation: in absence of objective probabilities, we are free to choose any arbitrary number as a subjective probability.

Digitalization and the transnational corporations. Rethinking economics

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 04/12/2019 - 6:21am in

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from Grazia Ietto-Gillies Digitalization has been with us for a couple of decades and is now all pervasive. It affects every sphere of economic activity: from production to consumption to the interaction between the State and its citizens. The latter interaction is in terms of: the delivery of public services; the collection of revenue; and the […]

‘Quando a polícia mata, ela desfaz o local do confronto e finge prestar socorro’

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 04/12/2019 - 3:36am in

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Tenente-coronel do Exército reformado e autor do livro “Balística forense – do criminalista ao legista”, Levi Miranda atuou até seus últimos dias como perito-assistente da Defensoria Pública do estado do Rio de Janeiro e legista independente. Foi nessa situação, acompanhando seu trabalho em assistir a Defensoria e famílias de vítimas, que o conheci, trabalhando no caso do Fallet, quando, em 8 de fevereiro, mais de uma dezena de pessoas foram mortas numa casa numa ação da polícia. A investigação da Polícia Civil e o Inquérito de Policial Militar (IPM) concluíram que não houve crime. Falta, ainda, a investigação do Ministério Público.

A Defensoria critica a autonomia dos órgãos policiais para apurar o caso e aponta indícios de tortura. Houve alteração da cena das mortes e não foi feita perícia no dia dos fatos. A cena foi desmontada para “socorrer” pessoas que já estavam mortas, o que, de acordo com Miranda é a melhor defesa de policiais que cometem crimes: impossibilitar a coleta de provas para comprovação de culpa.

E é sobre essas fraudes e corrupções que Levi falou ao Intercept poucos dias antes de falecer, vítima de um câncer que o afastou das salas de aula da Escola de Instrução Especializada do Exército, onde era professor.

 

Nasci na antiga Guanabara, no Rio de Janeiro, em 1957. Estava no quinto ano da Faculdade de Medicina quando passei pela cadeira de Medicina Legal. No início, sentia repulsa pelas imagens das aulas práticas e os odores muito ruins. Mas, apesar disso, também sentia uma certa fascinação. Passei a estudar a fundo autores da área. Durante os anos 80, apenas estudei o assunto enquanto sonhava em exercer a função.

Na época, eu era primeiro-tenente do Exército. Comecei a trabalhar no HCE, onde vi que havia um serviço próprio de Medicina Legal para tratar de acidentes de serviço, acidentes e mortes em instrução militar e também tiros ocorridos em quartéis, suicídios, homicídios, etc. Apesar de ser especializado em cardiologia e pneumologia, chegou um ponto em que minha paixão pela Medicina Legal era tão grande que eu não tinha como me manter atualizado sobre as três especialidades. E o que mais motivou essa paixão foi justamente a sua ligação com os direitos humanos.

Aqui no Rio de Janeiro há uma contradição grande ao se dizer que na favela só moram bandidos. A maior parte dessa população é gente do bem, que trabalha com carteira assinada ou na economia informal. Tenho muito contato com pessoas do morro da Coroa ou do Pavão-Pavãozinho. Como perito, passei a fazer trabalhos para pessoas pobres, que não podiam pagar por um assistente técnico, principalmente em prol dos direitos humanos. Pessoas que têm parentes mortos por agentes do estado, cujos casos ficam sem solução

Já trabalhei em parceria com a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, em que todos os casos nos quais participei, policiais militares foram levados ao tribunal do júri por força dos pareceres científicos que fiz. Em 2001, passei em concurso da Polícia Civil para me tornar perito legista, função que dividi com a profissão no Exército até me aposentar por invalidez em 2006. Hoje, sinto muita falta dos exames de sala, mas ainda consigo acompanhar casos como assistente técnico, no acompanhamento de exumações e autópsias realizadas no IML por peritos oficiais.

Casos emblemáticos

No caso da chacina do Fallet, o Batalhão de Choque cercou a casa, junto do Batalhão de Operações com Cães. A casa estava cercada por um grupamento grande de policiais. Os policiais gritaram para que os moradores saíssem – eles sabiam que havia três moradores na casa. Os três moradores saíram. Então, eu pergunto, por que não disseram todos os bandidos que estão aí dentro ponham suas armas no chão e saiam com as mãos na cabeça? Eles sairiam, eles sabiam que estavam cercados, mas ninguém quer morrer, muito menos o traficante, muito menos o policial. O traficante sabe que se ele for preso vai cumprir pena no sistema prisional nosso e ele terá celular, maconha, cocaína, possibilidade de fuga, possibilidade de saída temporária, então eles não têm nenhum temor ao sistema carcerário.

Quando eles saíram, os policiais entraram por uma única porta e começaram a atirar. Existem duas pessoas que gravaram aquele momento de entrada dos policiais e dá para ouvir nas gravações ‘perdi, perdi’. Quer dizer, o traficante dizendo que perdeu, certamente já estava com a arma no chão, e aí surgem os tiros. Os tiros todos foram na mesma direção, eles subiram o segundo andar, atiraram, subiram o terceiro, atiraram. Além disso, ainda retiraram os corpos do terceiro andar até o térreo e do segundo andar também, ou seja, “inovaram” artificialmente o local do crime, o que é crime de fraude processual. E retiraram todos os corpos e levaram para o Hospital Souza Aguiar.

‘Doutor, isso não é um enforcamento, é um estrangulamento com as mãos.’

Também tive outros casos muito emblemáticos: o primeiro foi da bartender Camila Peixoto Bandeira. Ela foi encontrada morta, em 2010, quando o navio em que ela trabalhava, o MSC Music, aportou em Santos. Segundo o noticiário, teria sido morte por suicídio devido a enforcamento, com suspensão completa do corpo. O local foi periciado pela Polícia Federal, que também fez a reprodução simulada, e o corpo foi analisado por um perito legista lotado em Santos.

Um advogado me contatou sobre esse caso, com fotos do cadáver e seu pescoço. Quando a vi, eu disse ‘Doutor, isso não é um enforcamento, é um estrangulamento com as mãos’. Trabalhei nesta tese e fiz um parecer extenso, que foi contestado por oito outros peritos criminais da Polícia Federal e ainda pelo legista santista – eles execraram o parecer chamando-o de antiquado. A Procuradora da Justiça Federal fez então 50 quesitos para serem respondidos por nós todos, e fui o primeiro a entregá-los.

A partir dessa resposta, a procuradora decidiu pelo meu parecer e ofereceu a denúncia do réu, que era o namorado da bartender. Os juízes aceitaram e foi pronunciada pelo tribunal. A importância desse caso é que, através da fotografia do cadáver, eu pude analisar a dinâmica do crime e o local onde teria sido posto o lençol para fixação do nó que a estrangulou. A partir dessa dinâmica, minha tese prevaleceu na justiça.

‘Quando o traficante dá a palavra dele, ele cumpre’

Trabalhei também na morte de Josenildo Estanislau, que cuidava da horta comunitária do Morro da Coroa, na zona norte do Rio de Janeiro. Ele terminou de trabalhar na hora do almoço e subiu até uma birosca para tomar uma bebida antes de ir almoçar, mas lá se encontravam três traficantes e dois viciados em drogas. Nessa hora, a Polícia Militar chegou, rendeu os seis, mandou que ajoelhassem e executou cada um deles com um tiro na nuca. Isso foi em 2008.

‘A Polícia Militar ‘socorre’ em uma pretensa assistência humanitária, mas é puro desfazimento de local.’

Eu precisava periciar o local, conhecê-lo. Nessa época não havia UPP, então pedi ao líder comunitário que falasse com o chefe do tráfico, se ele autorizaria um legista aposentado da Polícia Civil a subir até aquele ponto para fazer uma perícia, pelas execuções dos seis. Fui autorizado pelo tráfico, e o líder comunitário pediu apenas que não me vigiassem ostensivamente com armas. Fiquei cerca de quatro horas no local e vi que não havia sinais de confronto. Os tiros eram dados só em uma direção. Examinei também os laudos cadavéricos, que comprovavam que todos os tiros tinham sido dados de trás para frente. Assim fiz o parecer para Josenildo Estanislau.

Esse parecer beneficiou a família dos traficantes e viciados. Os policiais foram indiciados pela execução dos seis e denunciados à justiça. Foi um caso emblemático porque trabalhei com autorização do tráfico. Minha esposa até achou que aquele dia eu não voltaria para casa. Eu também cheguei a cogitar isso, mas naquele dia aprendi que quando o traficante dá a palavra dele, ele a cumpre – ainda mais quando é em uma causa em defesa dos direitos humanos. Foi esse o entendimento deles: eu trabalhei pelos direitos dos traficantes, dos viciados e do Josenildo.

O grande problema é que, tanto a Polícia Militar quanto a Civil, quando matam alguém em um “confronto”, eles retiram os corpos sob alegação de prestar socorro. Então empilham os corpos nas viaturas e levam para o hospital, que recebe os cadáveres, faz boletins de atendimento e colocam que os corpos deram entrada como cadáveres. Eu chamo isso de ‘desfazimento doloso’ do local do crime. Vítimas de lesões graves, como projéteis de armas de fogo, têm que ser socorridas no local em que foram feridas, estabilizadas e, então, levadas em uma UTI móvel ao hospital. A Polícia Militar “socorre” em uma pretensa assistência humanitária, mas é puro desfazimento de local.

Já mandei expedientes ao CRM para saber por que hospitais aceitam cadáveres da polícia, mas não de cidadãos comuns. Se eu estiver no meu carro com um amigo e ele sofrer uma morte súbita, e ao chegarmos no hospital for constatado que esse amigo morreu, eles não deixam nem desembarcar. O correto é ir à delegacia fazer a ocorrência, o delegado, então, pede pela perícia do local, no veículo. Então é emitida uma guia para remoção do cadáver, os bombeiros vão ao carro, retiram-no e levam ao IML. Por que quando policiais levam os corpos isso não acontece?

No Morro do Banco, na zona oeste do Rio, houve um caso exemplar: uma investida da Core que foi filmada por um morador. No vídeo, os policiais rendem um rapaz que estava com uma mochila, ele põe as mãos na cabeça e se senta em sinal de submissão. Ele não estava com nenhuma arma nem tinha possibilidade de sacar nenhuma arma. Mesmo assim, o policial da Core executor dá dois tiros no peito dele. Esse caso era uma operação da 16ª DP, e o inquérito foi instaurado erradamente nesta mesma delegacia. Até hoje não se tem resposta ao inquérito.

‘Minha grande finalidade na vida é mudar o raciocínio de muitos legistas.’

Foi um caso claro de execução, em que a filmagem por si só já mostra que o rapaz estava rendido, submeteu-se à rendição na presença dos policiais e ainda foi executado com dois tiros. A imagem é muito clara, fala por si. O inquérito não chegou ao final e ficará esquecido, daqui a pouco ele para em uma delegacia cartorial e vai ser abandonado.

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Levi adorava joias e usava todas juntas, misturando heranças de família e um anel de condecoração da maçonaria. Andava também com guias de umbanda, chapéu muçulmano e colares de crucifixos.

Foto: Pedro Prado/The Intercept Brasil

‘A polícia executou os criminosos e desfez o local do crime’

No caso do Fallet, a Polícia Militar executou criminosos, não permitiu a rendição dos que estavam se rendendo. Executou e ainda desfez dolosamente o local de crime, cometendo crime de fraude processual. Eu já ouvi essas duas gravações, eu farei menção a esse fato no parecer que será entregue, futuramente, ao Ministério Público (como sua saúde estava muito debilitada, Levi não conseguiu finalizar o parecer).

As polícias erram muito nesses casos. Se o criminoso se rendeu, pôs a arma no chão, a mão na cabeça, ele tem que ser preso e levado à delegacia, apresentado na audiência de custódia, na Justiça. Esse é o caminho correto, jamais fraudar um local de crime e, muito menos, executar.

O caso do Fallet também tinha outra questão no momento da perícia, que foi as feridas por instrumentos perfuro-contundentes. Em um dos mortos, havia essa evisceração. O que o legista tinha que fazer? Pôr as vísceras para dentro para examinar as bordas da ferida, principalmente, as extremidades e, se ele encontrasse cauda de escoriação ou escoriação terminal, bordas regulares e vertentes regulares, ele diria ação cortante. Por outro lado, poderia ser um projétil tangente à superfície corporal, fazendo uma ferida contusa, que permitiu a evisceração. Então, ele tinha que pôr as vísceras para dentro e examinar os bordos das feridas.

Tenho pra mim – e isso é uma suposição – que tenha sido por ferida cortante: assim que o indivíduo foi morto, deram um corte ali e as vísceras saltaram. Tem um outro traficante que foi morto, rapaz até bem jovem, ele apresentava aqui na região da fonte, uma escoriação feita por ponta de instrumento cortante, feito um raio, que é mimetiza o símbolo que tem em um dos cursos do Bope. Quem fez aquela escoriação, fez para representar o raio daquele curso do Bope. Então, acredito por analogia, que aquela evisceração tenha sido por instrumento cortante. Essa escoriação aqui na fonte também não foi descrita pelo mesmo legista que não descreveu a evisceração.

Quando eu faço os meus pareceres, eu sempre faço na busca da verdade. Às vezes, custo a chegar na verdade científica, paro depois de horas de trabalho, adormeço, sonho com o que faço, acordo e digo ‘esse é o caminho’ e corro para o escritório aqui dentro de casa. Tenho em torno de 10 mil livros dentro do apartamento, aí vou lá em um livro de Medicina Legal, encontro o que preciso, as explicações, e substancio o meu parecer.

Com a minha aposentadoria, pude ficar mais em casa. Quando eu trabalhava, dedicava-me muito ao trabalho e, por muitas vezes, me dediquei mais a ele do que à minha própria família. Também agora com minhas doenças, nossa união familiar se tornou mais sólida.

Em todos os casos em que trabalhei, sempre me envolvi emocionalmente. Claro que eu não deixo isso predominar no parecer, mas o sofrimento que me causa é muito grande, pela maldade, injustiça e covardia. Minha grande finalidade na vida não é deixar meu nome na ciência, mas mudar o raciocínio de muitos legistas. Principalmente, que eles passem a trabalhar com o ideário dos direitos humanos.

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Buy Prints of the Comic Strips of Neoliberalism

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 04/12/2019 - 2:57am in

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To celebrate the 45th anniversary of Dollars & Sense, the organization that maintains Triple Crisis blog, former D&S art director Nick Thorkelson has made full-color prints of his amazing “Comic Strip of Neoliberalism” series published in the magazine in the early 2000s.  The series was a collaboration with former D&S co-editor Alejandro Reuss.  (For more info on the series, click here.)

There are three paired sets of 13” x 17” prints: “The Emperor’s New Clothes,” “Neoliberalism vs. History,” and “Megadreams of Hyperdevelopment.” (Scroll down to see all three sets. Click to enlarge.)

We are offering signed prints for $45 per set or $100 for all three sets. (Prices include shipping within the United States.)  To place orders, visit this page.

You can also support Dollars & Sense and Triple Crisis with a donation.  Contact us by email (dollars at dollarsandsense.org) about how to contribute to our 45th-Anniversary Sustainability Fund.

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Corbyn Calls for Reductions in Membership of the Royal Family

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 04/12/2019 - 12:44am in

I found this in yesterday’s I, underneath an article reporting that Buckingham Palace has denied allegations that Prince Andrew exploited his position as trade envoy. It’s a short piece reporting that Jeremy Corbyn has called for ‘cuts to the Crown’, as the title has it. The article reads

The number of Royal Family members should be reduced, Jeremy Corbyn has suggested.

The Labour leader said he believed that the public would agree with him following the furore surrounding Prince Andrew’s relationship with the convicted American sex offender Jeffrey Epstein.

Mr Corbyn has previously insisted that he does not want to abolish the monarchy. Interviewed on Sky News’s Sophie Ridge on Sunday, Mr Corbyn said ‘I think the behaviour of individuals within the Royal Family is being looked at, shall we say.’

The Foreign Secretary, Dominic Raab, said ‘We need to be respecting the institution of the monarchy. If Jeremy Corbyn is saying he wants to cut the numbers he should come out and say he wants to cut.’

It’s a bit rich for the Tories to complain about attacks on the monarchy, as they used to do it all the time whenever Prince Charles criticised their awful policies in the 1980s and ’90s. I also know Tories who despise Murdoch and his papers, which they see as exploiting and denigrating the Crown. And I think they have a point. For all that the Scum plays up and celebrates the monarchy, it’s also ruthlessly exploited and publicised royal scandals. Some of this might simply be to sell more newspapers, but I’m also highly suspicious that there are more personal political reasons behind it. Like in the last referendum on whether Australia should abolish the monarchy and become a republican, Murdoch came out very strongly urging his former compatriots to do so. This may well have done the republican cause Down Under more harm than good, as Murdoch became an American citizen for commercial reasons. As a foreign national, he wouldn’t have been able to own, or at least not own quite so much, of the American press and broadcasting. Nobody likes being told what to do, not least by people who have flown their own country, and the Australians voted to retain the Queen as head of state.

Although there’s a sizable minority that would like Britain to become a republic – the I’s Yasmin Alibhai-Brown has made it clear several time she’d like the monarchy to be abolished – as a whole it’s not a sentiment shared by the majority of the population. But just listening to the people around me, it’s clear that people are fed up with the state having to support various members of the royal family, who are not in line for the throne and don’t perform any clear role. Like Princess Eugenie, who wanted the taxpayer to spend several million on her wedding as they did for Princess Beatrice. Or was it the other way around? Either, ordinary people were not impressed with this display of royal entitlement. At the moment, I don’t think it’s a particularly big issue, not with more pressing concerns like Brexit, the Tories’ determination to sell off the NHS and utterly destroy the welfare state and the lives that depend on it. But it’s certainly an issue that will return, and at some point they might have to cut the numbers down in order to restore the Crown’s popularity. Especially if there’s another scandal like that of the present.

Violence and the State

Published by Anonymous (not verified) on Tue, 03/12/2019 - 10:55pm in

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The state rests its power on a monopoly of violence. Indeed, in the final analysis a state is nothing but a monopoly of violence. Even when a state does good things, like tax to provide healthcare, it ultimately depends on its ability to employ violence to enforce the collection of the tax. Arrest and imprisonment is, absolutely, violence. We may not recognise it as violence, but if you try to resist arrest and imprisonment you will quickly see that it is violence. Whether or not blows are struck or arms twisted to get someone there, or they go quietly under threat, confining somebody behind concrete and steel is violence.

I use the case of tax evasion and healthcare to show that I am merely analysing that the state rests on violence deliberately. I am not claiming that the violence of the state is a bad thing in itself. I just want you to recognise that the state rests on violence. Try not paying your taxes for a few years, and try refusing to be arrested and go to court. You will, ultimately, encounter real violence on your person.

John Pilger gave a harrowing account of the everyday application of state violence at the Free the Truth meeting at which I spoke last week. Here is an extract from his speech describing his visit to Julian Assange:

I joined a queue of sad, anxious people, mostly poor women and children, and grandmothers. At the first desk, I was fingerprinted, if that is still the word for biometric testing.

“Both hands, press down!” I was told. A file on me appeared on the screen.

I could now cross to the main gate, which is set in the walls of the prison. The last time I was at Belmarsh to see Julian, it was raining hard. My umbrella wasn’t allowed beyond the visitors centre. I had the choice of getting drenched, or running like hell. Grandmothers have the same choice.

At the second desk, an official behind the wire, said, “What’s that?”

“My watch,” I replied guiltily.

“Take it back,” she said.

So I ran back through the rain, returning just in time to be biometrically tested again. This was followed by a full body scan and a full body search. Soles of feet; mouth open.

At each stop, our silent, obedient group shuffled into what is known as a sealed space, squeezed behind a yellow line. Pity the claustrophobic; one woman squeezed her eyes shut.

We were then ordered into another holding area, again with iron doors shutting loudly in front of us and behind us.

“Stand behind the yellow line!” said a disembodied voice.

Another electronic door slid partly open; we hesitated wisely. It shuddered and shut and opened again. Another holding area, another desk, another chorus of, “Show your finger!”

Then we were in a long room with squares on the floor where we were told to stand, one at a time. Two men with sniffer dogs arrived and worked us, front and back.

The dogs sniffed our arses and slobbered on my hand. Then more doors opened, with a new order to “hold out your wrist!”

A laser branding was our ticket into a large room, where the prisoners sat waiting in silence, opposite empty chairs. On the far side of the room was Julian, wearing a yellow arm band over his prison clothes.

As a remand prisoner he is entitled to wear his own clothes, but when the thugs dragged him out of the Ecuadorean embassy last April, they prevented him bringing a small bag of belongings. His clothes would follow, they said, but like his reading glasses, they were mysteriously lost.

For 22 hours a day, Julian is confined in “healthcare”. It’s not really a prison hospital, but a place where he can be isolated, medicated and spied on. They spy on him every 30 minutes: eyes through the door. They would call this “suicide watch”.

In the adjoining cells are convicted murderers, and further along is a mentally ill man who screams through the night. “This is my One Flew over the Cuckoo’s Nest,” he said.

When we greet each other, I can feel his ribs. His arm has no muscle. He has lost perhaps 10 to 15 kilos since April. When I first saw him here in May, what was most shocking was how much older he looked.

We chat with his hand over his mouth so as not to be overheard. There are cameras above us. In the Ecuadorean embassy, we used to chat by writing notes to each other and shielding them from the cameras above us. Wherever Big Brother is, he is clearly frightened.

On the walls are happy-clappy slogans exhorting the prisoners to “keep on keeping on” and “be happy, be hopeful and laugh often”.

The only exercise he has is on a small bitumen patch, overlooked by high walls with more happy-clappy advice to enjoy ‘the blades of grass beneath your feet’. There is no grass.

He is still denied a laptop and software with which to prepare his case against extradition. He still cannot call his American lawyer, or his family in Australia.

The incessant pettiness of Belmarsh sticks to you like sweat.

You can see John give the speech here:

Assange’s “crime”, of course, is to reveal the illegal use of force by the state in Iraq and Afghanistan. That the state feels the need to employ such violence against somebody who has never practised violence, is a striking illustration that violence constitutes the very fabric of the state.

Just as we are not conditioned to recognise the violence of the state as violence, we do not always recognise resistance to the state as violence. If you bodily blockade a road, a tube station or a building with the intention to prevent somebody else from physically passing through that space, that is an act of physical force, of violence. It may be a low level of violence, but violence it is. Extinction Rebellion represents a challenge to the state’s claim to monopolise violence, which is why the Metropolitan Police – a major instrument of state domestic violence – were so anxious to declare the activity illegal on a wide scale.

Ultimately civil resistance represents a denial of the state’s right to enforce its monopoly of violence. The Hong Kong protests represent a striking demonstration of the fact that rejecting the state’s monopoly of violence can entail marching without permission, occupying a space, blockading and ultimately replying to bullets with firebombs, and that these actions are a continuum. It is the initial rejection of the state’s power over your body which is the decision point.

Just as I used the example of tax evasion and healthcare to demonstrate that the state’s use of violence is not always bad, I use the example of Extinction Rebellion to demonstrate that the assertion of physical force, against the state’s claim to monopoly of it, is not always bad either.

We are moving into an era of politics where the foundations of consent which underpin western states are becoming less stable. The massive growth in wealth inequality has led to an alienation of large sections of the population from the political system. The political economy works within a framework which is entirely an artificial construct of states, and ultimately is imposed by the states’ monopoly of force. For the last four decades, that framework has been deliberately fine-tuned to enable the massive accumulation of wealth by a very small minority and to reduce the access to share of economic resource by the broad mass of the people.

The inevitable consequence is widespread economic discontent and a resultant loss of respect for the political class. The political class are tasked with the management of the state apparatus, and popular discontent is easily personalised – it concentrates on the visible people rather than the institutions. But if the extraordinary wealth imbalance of society continues to worsen, it is only a matter of time before that discontent undermines respect for political institutions. In the UK, once it becomes plain that leaving the EU has not improved the lot of those whose socio-economic standing has been radically undercut, the discontent will switch to other institutions of government.

In Scotland, we shall have an early test of the state’s right to the monopoly of force if the Westminster government insists on attempting to block a new referendum on Independence, against the will of the Scottish people. In Catalonia, the use of violence against those simply trying to vote in a referendum was truly shocking.

This has been followed up by the extreme state violence of vicious jail sentences against the leaders of the entirely nonviolent Catalan independence movement. As I stated we do not always recognise state violence. But locking you up in a small cell for years is a worse act of violence on your body even than the shocking but comparatively brief treatment of the woman voter in the photo. It is a case of chronic or acute state violence.

Where the use of violence by a state is fundamentally unjust, there is every moral right to employ violence against the state. Whether or not to do so becomes a tactical, not a moral, question. There is a great deal of evidence that non-violent protest, or protest using the real but low levels of physical force employed by Extinction Rebellion, can be in the long term the most effective. But opinions differ legitimately. Gandhi took one view, and Nelson Mandela another. The media has sanitised the image of Mandela, but it is worth remembering that he was jailed not for non-violent protest, but for taking up violent resistance to white rule, in which I would say he was entirely justified at the time.

To date, the Catalan people and their leaders appear firmly wedded to the tactic of non-violence. That is their choice and their right, and I support them in that choice. But having suffered so much violence, and with no democratic route available for their right of self-determination, the Catalans have the moral right, should they so choose, to resist, by violence, the violence of the Spanish state. I should however clarify that does not extend to indiscriminate attack on entirely innocent people, which in my view is not a moral choice.

All of which of course has obvious implications should a Westminster government seek to block the Scottish people from expressing their inalienable right of self-determination following the election. Which fascinating subject I shall return to once again in January. Be assured meantime I am not presently close to advocating a tactic of violence in Scotland. But nor will I ever say the Scottish people do not ultimately have that right if denied democratic self-expression. To say otherwise would be to renounce the Declaration of Arbroath, a founding document of European political thought.

As western states face popular discontent and are losing consent of the governed, one of the state’s reactions is to free up its use of force. Conservative election promises to give members of the UK armed forces effective immunity from prosecution for war crimes or for illegal use of force, should be seen in this light. So also, of course, should the use of agents not primarily employed by the state to impose extreme violence on behalf of the state. The enforcers of the vicious system John Pilger encountered were employed by Serco, G4S or a similar group, to remove the state one step from any control upon their actions (and of course to allow yet more private profit to the wealthy). Similar contractors regularly visit strong violence on immigrants selected for deportation. The ultimate expression of this was the disgusting employment by the British and American governments of mercenary forces, particularly in Iraq and Afghanistan, to deploy brutal and uncontrolled violence on the local population.

The pettiness of the election campaign, its failure to address fundamental issues due to the ability of the mainstream media to determine and manipulate the political agenda, has led me to think about the nature of the state at a much more basic level. I do not claim we are beyond the early stages of a breakdown in social consent to be ruled; and I expect the immediate response of the system will be a lurch towards right wing authoritarianism, which ultimately will make the system still less stable.

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The post Violence and the State appeared first on Craig Murray.

Open thread Dec. 3, 2019

Published by Anonymous (not verified) on Tue, 03/12/2019 - 9:44pm in

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The CIS vs religious freedom

Published by Anonymous (not verified) on Tue, 03/12/2019 - 3:17pm in

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The Centre for Independent Studies has just issued a report about Australian public attitudes to religious freedom. I’m happy to say that the majority (64 per cent) attitude coincides almost exactly with the one I’ve expressed here, namely that

within very broad limits, what we do and say in our own time is no business of the boss.

That cuts both ways: both offering protection to people whose religious expression offends the boss, and preventing religious organizations from discriminating against employees whose beliefs or life choices aren’t consistent with the religion in question. There are limits of course, most obviously in relation to people whose job it is to represent the organization and its beliefs. But these should be the exception not the rule.

Given its history, (the CIS used to be the leading centre of ibertarian thought in Australia) one might imagine that the poll results would be reported as good news. But this is not the case.

Taking a corporatist line, the CIS argues that individual freedom should be subordinated to the collective rights of organizations to enforce their beliefs, even when they are engaged in in providing publicly-funded services.

The contortions required to reach this point reflect the basic problem underlying this legislation. From the point of view of the proponents, it isn’t about protecting religious belief and expression (what individuals want), it’s about establishing a special, and protected status, for religion.

That is not only contrary to public opinion, but runs directly against the spirit of our constitution, which states (s116)

The Commonwealth shall not make any law for establishing any religion, or for imposing any religious observance, or for prohibiting the free exercise of any religion, and no religious test shall be required as a qualification for any office or public trust under the Commonwealth

In line with its appalling performance on most issues, the High Court has read s116 down into insignificance. But there is nothing to stop the Commonwealth from prohibiting or severely constraining religious tests, and it should do so, particularly in relation to publicly funded organizations.

Predation 101

Published by Anonymous (not verified) on Tue, 03/12/2019 - 12:00pm in

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“Vulture capital” asserts its priorities in Puerto Rico:

The hedge funds scoured the island’s budget. The Department of Sports and Recreation’s allotment of $39.2 million: Nonessential, the lawsuit said. Ditto the $12.6 million for the Institute of Puerto Rican Culture; $7.3 million for the Corporation for Public Broadcasting; $1.8 million for the Boys & Girls Club; and the $88,000 commitment to a nonprofit ballet company. One assertion in particular stood out. Puerto Rico’s budget had set aside $205 million in discretionary money for things like disaster relief. “While a ‘rainy-day fund’ is nice to have,” the hedge funds conceded in Paragraph 159, “it is impossible to see how this is an ‘essential service’ or how it can be justified,” in part because natural disasters were not “likely to occur” in the coming fiscal year. Three months later, Hurricane Maria made landfall.

Read more here.

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