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Virou rotina agredir e assassinar venezuelanos em Roraima

Published by Anonymous (not verified) on Thu, 28/11/2019 - 4:04pm in

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Alexander estava cansado. Ao recostar a cabeça sobre uma sacola improvisada de travesseiro para abrandar a dureza da calçada, o venezuelano de 51 anos encerrou sob a marquise de uma sapataria uma longa caminhada em busca por um pouso em Boa Vista. Sem conseguir senha para dormir numa das barracas do campo de refugiados próximo à rodoviária internacional da capital de Roraima, andou por quase oito quilômetros até se ajeitar pelo chão. Lá, enquanto dormia, teve o crânio esfacelado a pauladas.

Ele mal esboçou reação ao ser golpeado seguidas vezes por um homem de rosto encoberto por um boné. Passava das 2h30 da madrugada de 27 de agosto, quando a equipe do Samu encontrou Alexander Jose Hernandez morto, em meio a uma poça de sangue na calçada às margens de uma das avenidas mais movimentadas da região. Uma cena brutal, que vem se repetindo. Em 13 de julho, 45 dias antes, o também venezuelano Carlos Alfredo Velasquez, de 28 anos, teve a cabeça despedaçada a marteladas enquanto dormia em um ponto de ônibus próximo a um dos 13 abarrotados abrigos para refugiados mantidos pela Operação Acolhida em Boa Vista e Pacaraima. Antes disso, ao menos outros três venezuelanos foram mortos a pancadas desde o começo do ano.

A agência da ONU para refugiados estima em mais de 3 milhões o número de venezuelanos que deixaram o país, desde 2014, fugindo do regime de Nicolás Maduro. Desses, 400 mil seguiram para o Brasil, boa parte via Roraima, no maior fluxo migratório que se tem notícia na América Sul. Por 25 dias, entre os meses de setembro e outubro, percorri várias vezes os 214 quilômetros que ligam a cidade de Pacaraima, na fronteira, a capital, Boa Vista. Por todo o percurso da BR-174 é possível encontrar venezuelanos: homens, mulheres e crianças, que andam sob o sol em temperaturas acima dos 33 graus.

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Diariamente, ao menos 500 venezuelanos atravessam a pé a fronteira com o Brasil.

Foto: Nelson Almeida/AFP via Getty Images

Há ao menos 5.488 venezuelanos – dentre eles, 1.900 crianças – vivendo nos 11 abrigos emergenciais instalados em Boa Vista. A contagem foi realizada no fim de outubro pela Operação Acolhida, a força-tarefa humanitária das Forças Armadas em conjunto com a ONU e organizações não-governamentais que atua na região. Outros dois abrigos com capacidade para 1.488 pessoas em Pacaraima, vizinha à venezuelana Santa Elena de Uairén, também vivem lotados. Pouco frente aos 53 mil migrantes venezuelanos que vivem pela capital Boa Vista e às outras centenas que seguem, diariamente, chegando ao estado. Em média, 500 venezuelanos passam pela fronteira a pé por dia, segundo dados da Polícia Federal do fim de outubro.

Técnico em agronomia, Ruan Dunale deixou a mulher e os dois filhos pequenos na venezuelana para tentar conseguir trabalho no Brasil. Após atravessar a fronteira em Pacaraima, caminhou por quatro dias até chegar em Boa Vista. Amigo de Velasquez, ele conta que caminha sempre em pequenos grupos para evitar ataques, principalmente à noite, e dá preferência a calçadas de lojas com câmeras para inibir a ação dos agressores. “Carlos tentou ficar numa das barracas do campo de refugiados perto da rodoviária, mas a gente só consegue senha se chegar antes das 16h. Quando não há espaço nas barracas, o jeito é ficar na rua”, diz.

São raros os dias em que não há relatos de agressão, situações de xenofobia e até assassinato.

Ele usa como base o campo de refugiados, criado pelo Exército depois que um grupo de venezuelanos invadiu uma área abandonada do governo, e evita dormir nas barracas para não tirar uma vaga que pode ser usada por mulheres e crianças. “Venho ao campo de refugiados para tomar banho, comer alguma coisa e lavar minhas roupas”. O Posto de Recepção e Apoio, nome dado pela Operação Acolhida ao campo de refugiados, tem capacidade para até mil pessoas abrigadas em barracas de camping. Em regra, o campo recebe aqueles que não conseguiram espaço nos abrigos. A tensão entre a população de Roraima e os migrantes é tanta que o Exército passa a noite fazendo rondas em torno do acampamento para evitar ataques.

São raros os dias em que não há relatos de agressão, situações de xenofobia e até assassinato, como no caso de Hernandez e Velasquez. A reação contra os venezuelanos é estimulada pelas autoridades. O ruralista Antônio Denarium foi eleito governador pelo PSL prometendo a instalação de barreiras contra os imigrantes na fronteira e já recorreu ao STF para tentar impedir a entrada de refugiados por Roraima. Em grupos no Whatsapp, como o autodenominado Patriotas de Roraima, os participantes fazem apologia explícita à xenofobia e já organizaram protestos contra os refugiados, apontados por parte da população e mesmo pelo atual governador como responsáveis pelo aumento da sensação de insegurança no estado. Não que a polícia pareça muito interessada em resolver os casos. Os questionei diversas vezes sobre o andamento das investigações de Hernandez e Velazquez. Silêncio.

Ainda em março de 2018, um grupo contrário aos migrantes invadiu um prédio abandonado que havia sido ocupado por venezuelanos em Mucajaí, nos arredores de Boa Vista, e expulsou e queimou os pertences das famílias. Em 14 de setembro, uma venezuelana de 24 anos sofreu uma tentativa de estupro ao entrar numa loja para pedir água. A jovem conseguiu escapar e correu para a rua, onde foi socorrida por homens da Força Nacional de Segurança. A tentativa de estupro aconteceu no bairro Asa Branca, em um estabelecimento próximo à sapataria onde o refugiado Alexander Hernandez foi morto a pauladas.

A “xenofobia institucional”, como define a advogada e missionária Telma Lage, que atua na Rede de Proteção aos Migrantes e Refugiados, piora a situação. Além de tentar no STF o fechamento da fronteira, o governador Denarium já cobrou da União o repasse de R$ 288 milhões que afirma ter gasto para garantir atendimento aos venezuelanos nas redes de Educação e Saúde do estado e já atribui aos migrantes a culpa pelo aumento do desemprego no estado. Em maio, quando o fluxo migratório chegou a média de 900 travessias por dia, Denarium voltou à carga: “Temo que a população se volte contra os venezuelanos porque não tem nenhum benefício para brasileiro, só tem benefício para venezuelanos. Não dá cesta básica pro brasileiro, que está passando fome. Mas, pro venezuelano, dá tudo: almoço, jantar, aluguel”.

Roraima encerrou o ano de 2018 com taxa de 66,6 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes e 384 mortes contra uma média nacional de 27,5 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Os registros de assassinatos no estado cresceram junto com o aumento do fluxo migratório, iniciado em 2015, como mostram os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2014, o estado contabilizou 78 assassinatos; em 2015, foram 102 casos, com taxa de 20,2 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes. No ano seguinte, 2016, a taxa dobrou para 41,2 por grupo de 100 mil e número de mortos ficou em 212.

A falta de transparência das estatísticas de criminalidade não permite aferir de que lado dessa equação estão os venezuelanos. Como as informações contidas nos boletins de ocorrência não são disponibilizadas, não há como identificar quantos venezuelanos são autores ou vítima dos crimes, sobretudo nos casos de assassinatos. Solicitei ao governo o detalhamento dos registros de ocorrência relacionados às mortes violentas (homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte), mas não obtive resposta. O governador tampouco comentou suas declarações contra os refugiados.

Nem mesmo as forças de segurança locais dão segurança aos venezuelanos. Em 2017 a Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal entraram com uma ação civil pública contra o estado de Roraima por conta das denúncias de violência e abusos cometidos por policiais militares durante a retirada de cerca de 300 migrantes venezuelanos de um terreno próximo à Rodoviária Internacional e ao Hospital Infantil de Boa Vista.

O Defensor público da União Thiago Moreira Parry lembra que são constantes os relatos de prostituição e trabalho escravo de venezuelanos. “Denunciamos à Justiça do Trabalho e em vara criminal, em fevereiro passado, um caso em que 30 venezuelanos foram encontrados em um canteiro de obras trabalhando em condição análoga à escravidão. Eram homens e mulheres, com idades entre 25 e 35 anos, mas também havia ao menos três adolescentes no grupo”, diz. “Os venezuelanos dormiam no chão, não tinham alojamento, banheiro e água. A partir da constatação descobrimos que o empreiteiro também vinha oferecendo venezuelanos para trabalhar em condições semelhantes no ramo de construção civil no interior de São Paulo.”

Em depoimento, uma das vítimas disse que era obrigada a trabalhar mais de 12 horas por dia, sem poder beber água ou comer: “Metade da diária de R$ 20 era descontada para comida, mas nem todos os dias a gente recebia alimentação. Tudo era racionado pelo patrão, e a gente não podia sair da obra. Tinha que dormir no chão ou sobre sacos de cimento”, me contou. O processo tramita em segredo de justiça.

“O nível de vulnerabilidade a que [os venezuelanos] estão sujeitos gera um ambiente propício à violência e à exploração”, afirma o defensor. “Principalmente para os que não conseguem ficar nos abrigos. Não há vagas para todos e são frequentes os relatos de homens que deixam de ficar nos acampamentos para garantir vaga para mulheres e crianças”. “Fugimos da miséria em nosso país e nos tornamos um povo nômade em Roraima”, resume o mecânico Lorenzo Briceño, de 42 anos, que há três meses vive na estrada que liga os dois países.

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The Fixer: Darkening the Sky to Reveal the Heavens

Published by Anonymous (not verified) on Thu, 28/11/2019 - 6:18am in

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Welcome back to The Fixer, our weekly briefing of solutions reported elsewhere. This week: one university’s “bridge program” helps students acclimate — and graduate. Plus, the Netherlands turns down the lights to bring out the stars, and St. Louis makes its scooter-share program even more shareable.

Building a bridge

Success in college has a lot to do with where you come from. Check it: only two out of five African-American students receive a bachelor’s degree within six years — 20 percent fewer than average. And one-third of students whose parents have no college education drop out within three years, compared to only 14 percent of students whose parents earned bachelor’s degrees.

Experts say these disparities point to the fact that disadvantaged students don’t benefit from the same level of parental guidance through their college years as their peers do. To rectify this, some colleges are implementing “bridge programs” designed to give these students the support they need to make it to graduation. 

For some MSU students, university feels a long way from home. Credit: Jimmy Emerson, DVM/Flickr

In a special report, Chalkbeat has been following participants of one such program at Michigan State University that employs a combination of academic coaching, career advice and tight-knit community. The students participating all live together on the same dormitory floor (which also houses the bridge program’s offices) allowing them to cultivate a mutually supportive community. They meet with an academic advisor three times per semester, and take seminar classes that focus on professionalism, connecting with faculty, time management — critical skills for succeeding at college. A mentoring network connects bridge program freshmen with older students who have already gone through it. “It made me realize it’s a lot of work I have to put in,” said one of the participants. “But it kind of got me mentally prepared for what I should expect.”

The outcomes are impressive: 72 percent of the bridge program’s students graduate within six years — not just better than other disadvantaged kids, but better than the national average in general. “It’s important to have a mentor, especially in college, and especially for someone who may be a first-generation student,” said another participant. “It’s not always easy trying to lead your own way. Sometimes, you might need someone to lift you up when you need it.”

Read more at Chalkbeat

Holland goes dark

Densely populated Holland is a brightly lit place — perhaps a little too bright. 90 percent of the stars visible from Earth cannot be seen from major Dutch cities. To combat its light pollution problem, the government began promoting Nacht van de Nacht (Night of the Night), encouraging people to turn off the lights for one night, darkening the skies and revealing the heavens.

Nacht van de Nacht was meant to show people how much of the night sky they’re missing so they’ll turn down the lights the other 364 nights of the year. It seems to be working. Citylab reports that Interbest, one of Holland’s biggest outdoor billboard advertisers, has started turning off its signage lights every night from 1 a.m. to 5 a.m. The Ministry of Infrastructure and Water Management now shuts off the lights on stretches of highway that see less than 50 cars per hour. And cities have begun pointing their exterior lights downward instead of at the sky.

Credit: Michał Bielejewski/Unsplash

As a result of these efforts, satellite imagery captured between 2012 and 2018 revealed that several of the Netherlands’ provinces have become noticeably darker at night. The newly exposed stars have inspired a group calling itself the Academie voor Stadsastronauten (Academy of Urban Astronauts) to take advantage of the starrier skies, with installations that encourage earthlings to think of themselves as space travelers, “with a view of the stars and insight into the vulnerability of our own planet, because, besides being harried city dwellers, we are also cosmonauts, circling a star in the vast darkness.” 

Read more at Citylab

Scoot where you want to

The uncomfortable truth about bike- and scooter-share systems is that they sometimes leave out low-income neighborhoods. (People who live near New York’s Citibike network, for instance, make a lot more money than people who don’t.) St. Louis decided to do something about this. A Rust Belt city with its share of distressed communities, the city has made “spatial equity” a priority in establishing its scooter-share system.

Bike and scooter shares tend to favor richer neighborhoods. One city is trying to change that. Credit: Marek Rucinski/Unsplash

The main way it does this is by requiring that at least 20 percent of the fleet be located in neighborhoods identified as having a transportation gap. “We drew the boundaries for those areas, and the companies were pretty open and willing,” Liza Farr of the city’s Economic Development consortium told the Better Bike Share Partnership, an initiative to build more equitable bike share systems. “We thought there was going to be a lot more pushback, because there aren’t a lot of bodies and potential users in the areas we outlined.”

But the companies got on board, and the plan seems to be working. Though the city didn’t provide specific numbers, the group’s blog reports that “the data show a large amount of ridership coming from the target areas, and comparatively longer trips.”

“We don’t know exactly what that means,” said Farr. “More engagement and study is needed. Scooters may be filling a transportation gap that has been a challenge.”

Read more at Better Bike Share Partnership

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European Haredi Jewish Organisation Condemns Chief Rabbi’s Attack on Corbyn and Labour

Published by Anonymous (not verified) on Thu, 28/11/2019 - 4:49am in

Here’s a story from Mike’s blog that, as he points out, you won’t find in the mainstream press. A leading rabbi for the Haredi Jewish organisation, United European Jews, Mayer Weinberger, has written a letter on behalf of his organisation’s Executive Board condemning Chief Rabbi Ephraim Mirvis’ attack on Jeremy Corbyn. Not only does Rabbi Weinberger defend Corbyn for his support of the British Jewish community, but actually thanks him.

Mike makes the point that this shouldn’t be too surprising, as the organisation comes from the True Torah Jews, which thoroughly rejects Zionism. True Torah and Haredi Jews believe that the Jewish people should stay in exile until – and only until – the coming of the Messiah. Only he has the divine right to restore the Jewish people to their ancient homeland. Until then they are to remain and, in the words of the Hebrew Bible, ‘pray for the health of the city’. That is, they are to live as members of the nations in which they live, working and praying for their common good.

R. Weinberger writes

I write to you on behalf of the Executive Board of the United European Jews organisation regarding an unusually disturbing declaration that was … reported in the media claiming that the overwhelming majority of British Jews are “gripped by anxiety” at the prospect of a Labour victory in the forthcoming general election.

Please not that we totally reject and condemn in no uncertain terms these remarks, which [do] not represent the views of the mainstream chareidi Jews that live in the UK.

We believe that such assertions are due to propaganda with a political and ideological agenda. An agenda which, I might add, is diametrically opposed to fundamental Jewish values as well as the opinions of tens of thousands of Jews in our community.

At this time, we also relay our gratefulness for your numerous acts of solidarity with the Jewish community over many years and also welcome your assurances that Labour will do everything necessary to defend the Jewish way of life and protect our rights to practise our religion.

For all this, we take this opportunity to say: Thank you! Mr Corbyn.

R. Weinberger is quite right when says that the Chief Rabbi’s remarks are propaganda based on a political and ideological agenda. The Chief Rabbi is a Zionist, as many Chief Rabbis before him have been. He is a friend of Netanyahu and Boris Johnson, and has made comments in the past supporting the bombing of Palestinians.

Mike reminds us in his post about the letter that this should show that R. Mirvis’ claims about the opinion of British Jews towards the Labour leader are not as conclusive as the Chief Rabbi claims.

See: https://voxpoliticalonline.com/2019/11/27/chief-rabbis-rant-condemned-as-political-and-ideological-propaganda/

Many Jews from all walks of life and all shades of religious opinion – from secular people to members of the clergy – have written or taken to social media to express their support for Jeremy Corbyn. Earlier today Mike put up a piece on his blog  about the messages of support for Corbyn and anger and condemnation Jewish Labour supporters had posted against Chief Rabbi Mirvis’ comments.

Unafraid: Jews respond to Chief Rabbi’s (and other) claims that they fear a Corbyn Labour government

And it is a mistake to assume that the Jews have a monolithic cultural or religious identity. The Talmud is full of the debates between the great rabbis of the past regarding the interpretation of Scripture and the Law. Even minority opinions are preserved, and many of these accounts end with no conclusion having been reached. The text simply says, ‘And so they disagreed’. And I think the Jewish people also see themselves as being particularly disputatious. There’s a Jewish saying, ‘Two Jews, three opinions’. I got the impression that debate is a vital part of the teaching at the yeshivas, the rabbinical colleges, so that the students can properly learn how to interpret scripture and form correct, reasonable opinions on its observance. The I stated in its coverage of Mirvis’ comments that he represents the United Synagogue, which they claimed was the largest Jewish denomination in Britain. That may be so, but the Jewish community also includes secular Jews, who obviously aren’t represented because they don’t attend synagogue, nor Orthodox Jews. And even within the United Synagogue you can wonder how many people he really speaks for. As Tony Greenstein and other Jewish critics have pointed out in their rebuttals to the Board of Deputies’ attacks on Corbyn, not all synagogues allow women to vote or stand for election as deputies, and some haven’t changed their deputies for years. Which means that even here, Mirvis may only be speaking for a Zionist, Tory clique.

However, the British media is determined not to show Jewish support for Corbyn and the Labour party. Some of the newspapers, including supposedly left-wing journals like the Observer, have refused to publish letters from Corbyn’s Jewish supporters. There is also a similar reluctance to cover anti-Zionist, or Israel-critical Jewish opinion generally. A few years ago I put up a video on this blog of a public meeting in New York of ultra-Orthodox, anti-Zionist Jews. I believe they were members of ‘True Torah’. The video claimed there were 30,000 people there. I don’t know if that’s true, but it was very clear that there were very many and the meeting was huge. But it received no press or media coverage, from what the video said.

I believe this also points to one of the underlying reasons why the British and American political and media establishments have been so keen to smear Corbyn on this side of the Atlantic as an anti-Semites, and left-wing Democrats, including supporters and staffers working for Bernie Sanders. Who is himself Jewish. It is not simply a profoundly Conservative establishment trying to discredit left-wing threats to its continued dominance. It is not only because of the power of the Israel lobby in our two countries. I think it is also because Israel has played a vital part in Western great power policy in the Middle East since the days of the British Mandate. Geopolitical considerations demand that Britain supports Israel in the Middle East as a way of maintaining power and influence in the region.

And to the supporters of this policy, Corbyn is a real threat. Not because he wants the destruction of Israel, but simply because he wants an end to Israeli apartheid and a just peace between Israel and the Palestinians. A policy supported by many Jews, who feel that to be Jewish means always identifying with the oppressed, never the oppressor.

And that means making sure that the Jewish voices supporting Labour must not be allowed real coverage by our Tory press and media.

 

Starting again, and relating the schools

Published by Anonymous (not verified) on Thu, 28/11/2019 - 1:59am in

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from Geoff Davies The need for a new start in economics arises regularly on this blog site, for example: Economics — enslaved by the wrong theory  And here is an edited extract addressing this issue from my book Economy, Society, Nature..  The point is not that ‘complexity’ gives rise to another ‘school’ of economics, but that it provides a […]

New UK Flow Of Funds

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 27/11/2019 - 7:56pm in

New UK Flow Of Funds

The UK Office Of National Statistics (ONS) is planning to publish new flow of funds statistics in the future. Till now, the ONS had just the SNA tables. Although the SNA has lots of details on stocks and flows, flow of funds gives more details.

ONS summary:

See our first combined set of experimental flow of funds statistics using new data sources providing improved breakdowns of how money moves around the UK economy

The article also has a discussion on sectoral balances which has the chart on top of this post.

The 2008 SNA explains this:

Interview:Economics in Two Lessons

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 27/11/2019 - 4:55pm in

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I did an interview about Economics in Two Lessons with Brisbane based economist Gene Tunny. You can listen to it here.

Ensaio inédito da pensadora Audre Lorde: ‘A transformação do silêncio em linguagem e em ação’

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 27/11/2019 - 4:04pm in

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Foto: Jack Mitchell/Getty Images

Mulher negra, lésbica, feminista, mãe e poeta guerreira. Era assim que Audre Lorde fazia questão de se apresentar. A pensadora americana, filha de imigrantes afro-caribenhos nascida em 1934, passou seus 58 anos de vida sentindo-se uma forasteira. Em muitos ciclos feministas e LGBT, a realidade do racismo era negada; em parte da comunidade negra, o lesbianismo era uma traição à raça e, o feminismo, uma distração da luta antirracista. Negar-se a silenciar aspectos de sua identidade era, para Lorde, um ato político. E é a recusa ao silêncio que ela explora com maestria neste texto.

“E essa visibilidade que nos torna mais vulneráveis é também a fonte de nossa maior força”, afirma Lorde neste ensaio publicado com exclusividade no Intercept. Ele integra o livro ‘Irmã Outsider’ – forasteira, estrangeira – a ser lançado nesta quarta-feira, 27 de novembro, pela editora Autêntica. A coletânea de conferências e ensaios mais aclamada da escritora, publicada em 1984 nos Estados Unidos, é também seu primeiro título a chegar ao Brasil.

Toda a obra de Lorde, que morreu vítima de um câncer no fígado em 1992, é perpassada pela discussão do silêncio e suas quebras. “Quais são as tiranias que você engole dia após dia e tenta tomar para si, até adoecer e morrer por causa delas, ainda em silêncio?”, questiona. Em sua vida, afinal, eram muitos os silêncios a serem quebrados. Mas, como afirma poeta guerreira, seus silêncios nunca a protegeram. E os seus tampouco os protegerão.

Boa leitura.

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‘Irmã Outsider’ é o primeiro livro da pensadora americana a ser publicado no Brasil.

Foto: K. Kendall

Passei a acreditar, com uma convicção cada vez maior, que o que me é mais importante deve ser dito, verbalizado e compartilhado, mesmo que eu corra o risco de ser magoada ou incompreendida. A fala me recompensa, para além de quaisquer outras consequências. Estou aqui de pé como uma poeta lésbica negra, e o significado de tudo isso se reflete no fato de que ainda estou viva, e poderia não estar. Há menos de dois meses ouvi de dois médicos, uma mulher e um homem, que eu deveria fazer uma cirurgia nos seios, e havia 60% a 80% de chance de o tumor ser maligno. Entre receber a notícia e a cirurgia em si, vivi três semanas na agonia de reorganizar involuntariamente a minha vida inteira. A cirurgia foi um sucesso, e o tumor era benigno.

No entanto, durante essas três semanas, fui obrigada a olhar para mim e a refletir sobre minha vida com uma lucidez, penosa e urgente, que me deixou ainda abalada, mas muito mais forte. Muitas mulheres encaram essa mesma situação, inclusive algumas de vocês que hoje estão aqui. Parte da minha experiência durante esse período me ajudou a compreender melhor o que sinto em relação à transformação do silêncio em linguagem e ação.

Ao tomar uma obrigatória e fundamental consciência da minha mortalidade, e do que eu desejava e queria para a minha vida, por mais curta que ela pudesse ser, prioridades e omissões ganharam relevância sob uma luz impiedosa, e o que mais me trouxe arrependimento foram os meus silêncios. Do que é que eu tinha medo? Eu temia que questionar ou me manifestar de acordo com as minhas crenças resultasse em dor ou morte. Mas todas somos feridas de tantas maneiras, o tempo todo, e a dor ou se modifica ou passa. A morte, por outro lado, é o silêncio definitivo. E ela pode estar se aproximando rapidamente, agora, sem considerar se eu falei tudo o que precisava, ou se me traí em pequenos silêncios enquanto planejava falar um dia, ou enquanto esperava pelas palavras de outra pessoa. E comecei a reconhecer dentro de mim um poder cuja fonte é a compreensão de que, por mais desejável que seja não ter medo, aprender a vê-lo de maneira objetiva me deu uma força enorme.

Do que é que eu tinha medo? Eu temia que questionar ou me manifestar de acordo com as minhas crenças resultasse em dor ou morte.

Eu ia morrer, mais cedo ou mais tarde, tendo ou não me manifestado. Meus silêncios não me protegeram. Seu silêncio não vai proteger você. Mas a cada palavra verdadeira dita, a cada tentativa que fiz de falar as verdades das quais ainda estou em busca, tive contato com outras mulheres enquanto analisávamos as palavras adequadas a um mundo no qual todas nós acreditávamos, superando nossas diferenças. E foi a preocupação e o cuidado dessas mulheres que me deram força e me permitiram esmiuçar aspectos essenciais da minha vida.

As mulheres que me apoiaram durante esse período eram brancas e negras, velhas e jovens, lésbicas, bissexuais e heterossexuais, e todas nós travamos, juntas, uma guerra contra as tiranias do silêncio. Todas me deram a força e o acolhimento sem os quais eu não sobreviveria intacta. Durante essas semanas de medo intenso veio a compreensão – dentro da guerra, todas lutamos com as forças da morte, de maneira sutil ou não, conscientemente ou não – de que não sou apenas uma baixa, sou também uma guerreira.

Quais são as palavras que você ainda não tem? O que você precisa dizer? Quais são as tiranias que você engole dia após dia e tenta tomar para si, até adoecer e morrer por causa delas, ainda em silêncio? Para algumas de vocês que estão aqui hoje, talvez eu seja a expressão de um dos seus medos. Porque sou mulher, sou negra, sou lésbica, porque sou quem eu sou – uma poeta negra guerreira fazendo o meu trabalho –, então pergunto: vocês têm feito o trabalho de vocês?

E é claro que tenho medo, porque a transformação do silêncio em linguagem e ação é um ato de revelação individual, algo que parece estar sempre carregado de perigo. Mas minha filha, quando contei para ela qual era o nosso tema e falei da minha dificuldade com ele, me respondeu: “Fale para elas sobre como você jamais é realmente inteira se mantiver o silêncio, porque sempre há aquele pedacinho dentro de você que quer ser posto para fora, e quanto mais você o ignora, mais ele se irrita e enlouquece, e se você não desembuchar, um dia ele se revolta e dá um soco na sua cara, por dentro”.

Meus silêncios não me protegeram. Seu silêncio não vai proteger você.

Em nome do silêncio, cada uma de nós evoca a expressão de seu próprio medo – o medo do desprezo, da censura ou de algum julgamento, do reconhecimento, do desafio, da aniquilação. Mas, acima de tudo, penso que tememos a visibilidade sem a qual não vivemos verdadeiramente. Neste país, onde diferenças raciais criam uma constante, ainda que velada, distorção de visões, as mulheres negras, por um lado, sempre foram altamente visíveis, assim como, por outro lado, foram invisibilizadas pela despersonalização do racismo. Mesmo dentro do movimento social das mulheres, nós tivemos que lutar, e ainda lutamos, por essa visibilidade, que é também o que nos torna mais vulneráveis – a nossa negritude. Para sobrevivermos na boca desse dragão que chamamos de américa, tivemos de aprender esta primeira lição, a mais vital: que a nossa sobrevivência nunca fez parte dos planos. Não como seres humanos. Incluindo a sobrevivência da maioria de vocês aqui hoje, negras ou não. E essa visibilidade que nos torna mais vulneráveis é também a fonte de nossa maior força.

Porque a máquina vai tentar nos reduzir a pó de qualquer maneira, quer falemos, quer não. Podemos ficar eternamente caladas pelos cantos enquanto nossas irmãs e nós somos diminuídas, enquanto nossos filhos são corrompidos e destruídos, enquanto nossa terra é envenenada; podemos ficar caladas a salvo nos nossos cantos, de bico fechado, e ainda assim nosso medo não será menor.

Na minha casa este ano estamos celebrando o Kwanzaa, festival afro-americano da colheita, que começa um dia depois do Natal e dura uma semana. O Kwanzaa tem sete princípios, um para cada dia. O primeiro é Umoja, que significa “unidade”, a decisão de se esforçar para alcançar e preservar a integridade individual e a união da comunidade. O princípio de ontem, o segundo dia, foi Kujichagulia, “autodeterminação”, a decisão de definirmos quem somos, nos darmos um nome, falarmos por nós, em vez de nos deixarmos definir pelos outros ou deixar que os outros falem por nós. Este é o terceiro dia do Kwanzaa, e o princípio de hoje é Ujima, “trabalho coletivo e responsabilidade”, a decisão de nos erguermos e nos mantermos unidas, a nós e à nossa comunidade, e de reconhecer e resolver nossos problemas juntas.

Cada uma de nós está aqui hoje porque, de uma forma ou de outra, compartilhamos um compromisso com a linguagem, com o poder da linguagem e com o ato de ressignificar essa linguagem que foi criada para operar contra nós. Na transformação do silêncio em linguagem e em ação, é essencial que cada uma de nós estabeleça ou analise seu papel nessa transformação e reconheça que seu papel é vital nesse processo.

Porque a máquina vai tentar nos reduzir a pó de qualquer maneira, quer falemos, quer não.

Para aquelas entre nós que escrevem, é necessário esmiuçar não apenas a verdade do que dizemos, mas a verdade da própria linguagem que usamos. Para as demais, é necessário compartilhar e espalhar também as palavras que nos são significativas. Mas o mais importante para todas nós é a necessidade de ensinarmos a partir da vivência, de falarmos as verdades nas quais acreditamos e as quais conhecemos, para além daquilo que compreendemos. Porque somente assim podemos sobreviver, participando de um processo de vida criativo e contínuo, que é o crescimento.

E nunca é sem medo – da visibilidade, da crua luz do escrutínio e talvez do julgamento, da dor, da morte. Mas já passamos por tudo isso, em silêncio, exceto pela morte. E o tempo todo eu me lembro disto: se eu tivesse nascido muda, ou feito um voto de silêncio durante a vida toda em nome da minha segurança, eu ainda sofreria, ainda morreria. Isso é muito bom para colocar as coisas em perspectiva.

E nos lugares em que as palavras das mulheres clamam para ser ouvidas, cada uma de nós devemos reconhecer a nossa responsabilidade de buscar essas palavras, de lê-las, de compartilhá-las e de analisar a pertinência delas na nossa vida. Que não nos escondamos por detrás das farsas de separação que nos foram impostas e que frequentemente aceitamos como se fossem invenção nossa. Por exemplo: “Provavelmente eu não posso ensinar literatura feita por mulheres negras – a experiência delas é diferente demais da minha”. E, no entanto, quantos anos vocês passaram ensinando Platão, Shakespeare e Proust? Outra: “Ela é uma mulher branca, o que teria para me dizer?”. Ou: “Ela é lésbica, o que meu marido, ou meu chefe, diria?”. Ou ainda: “Essa mulher escreve sobre os filhos e eu não tenho filhos”. E todas as outras incontáveis maneiras de nos privarmos de nós mesmas e umas das outras.

Podemos aprender a agir e falar quando temos medo da mesma maneira como aprendemos a agir e falar quando estamos cansadas. Fomos socializadas a respeitar mais o medo do que nossas necessidades de linguagem e significação, e enquanto esperarmos em silêncio pelo luxo supremo do destemor, o peso desse silêncio nos sufocará. O fato de estarmos aqui e de eu falar essas palavras é uma tentativa de quebrar o silêncio e de atenuar algumas das diferenças entre nós, pois não são elas que nos imobilizam, mas sim o silêncio. E há muitos silêncios a serem quebrados.

Tradução: Stephanie Borges

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O governo quer privatizar Serpro e Dataprev – mas a última vez que tentou fazer isso deu errado

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 27/11/2019 - 4:03pm in

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O governo anunciou há alguns dias a inclusão do Serpro e do Dataprev no Programa Nacional de Desestatização. A privatização das empresas, responsáveis por gerir a infraestrutura crítica de tecnologia do país, já havia sido anunciada em agosto – mas, agora, elas estão prontas para a venda. Junto com elas, o comprador vai levar de brinde bancos de dados com praticamente tudo o que o governo sabe sobre você.

O Serpro, Serviço Federal de Processamento de Dados, e a Dataprev, Empresa de Tecnologias e Informações da Previdência Social, fazem parte da infraestrutura crítica de tecnologia da informação do país. Elas têm dados que vão desde local e hora do nascimento até pormenores dos seus hábitos financeiros – informações que têm um grande valor para bancos, seguradoras, anunciantes e, claro, políticos interessados em emplacar campanhas mais eficientes.

“As pessoas acham que estamos falando de um ou outro documento. Não, é tudo. Toda sua vida, todos os seus dados. Toda a vida das pessoas está guardada em dados dentro dessas duas empresas”, me disse Sheyla Lima, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Informática, Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de Pernambuco e servidora do Serpro há 36 anos.

Lima, que está em campanha contra a privatização, contou ao Intercept que essa não é a primeira vez que o governo quer vender uma empresa responsável por sistemas de infraestrutura crítica. Isso já foi feito há vinte anos – e deu completamente errado.

Em 1999, a multinacional norte-americana Unisys comprou a Datamec, empresa que desenvolvia e operava os sistemas do Seguro-Desemprego, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (fundamental para elaboração de estatísticas de emprego e desemprego) e o Sistema de Gestão das Ações do Emprego para o então Ministério do Trabalho e Emprego, o MTE.

Depois de assumir a infraestrutura da Datamec, a Unisys reservou para si o acesso ao código-fonte dos sistemas utilizados, o que exigia sua recontratação por parte do ministério. Frente a uma elevação de preços sem justificativas, o governo ameaçou não pagar a empresa, que por sua vez disse que interromperia os serviços.

Na prática, isso significaria que quem dependesse do Seguro-Desemprego ia ficar a ver navios com o sistema inoperante. O Ministério Público Federal interveio e após um longo processo o controle dos três sistemas foi transferido para o Dataprev em 2011. Na época, a procuradora Raquel Branquinho afirmou que “a sociedade brasileira é, sem sombra de dúvidas, a mais beneficiada com essa mudança tecnológica”. Atualmente na Procuradoria Geral da República da 1ª Região, ela não respondeu a um pedido de comentário.

“Quem teve que resolver a bronca? A Dataprev”, diz Judson Mesquita, analista de tecnologia da informação do Dataprev na Paraíba, que tem liderado a campanha contra a privatização no estado. “O Brasil tem falado muito sobre soberania nacional em relação ao nosso território, a terra, ao ar, o mar, mas é preciso tratar a defesa do Dataprev e Serpro como uma questão de soberania digital”, afirma o servidor.

Ela ressalta que o Dataprev continuou a operar os sistemas utilizados para pagamentos de aposentadorias mesmo quando, frente a um contingenciamento de gastos, o INSS atrasou pagamentos para a empresa. O medo é que num caso como esse uma gestora privada interrompa o serviço, o que poderia significar atrasados em benefícios sociais como pensões ou Bolsa Família, entre outros.

Tudo sobre todos

Juntas, Serpro e Dataprev operam dezenas de bancos de dados com informações sensíveis e detalhadas sobre todos os cidadãos brasileiro. São dados que você foi obrigado a fornecer ao governo – a participação nesses cadastros não é opcional.

“Eu não consigo um passaporte para sair do país sem dar meus dados, nem consigo participar da vida política”, diz Natalia Langenegger, advogada que faz doutorado na USP sobre o uso de dados pessoais pelo poder público. A preocupação é que as informações sejam usadas para fins não públicos – e, para ela, é difícil imaginar que uma empresa teria interesse nessa privatização para não usar os dados para outras finalidades.

Mesquita faz um paralelo com a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, que deu a ele mesmo acesso aos relatórios financeiros produzidos nos últimos três anos pelo antigo Coaf. Os documentos trazem informações sensíveis de 600 mil brasileiros.“Privatizar Dataprev e Serpro seria como fazer isso com toda a população brasileira”, ele afirma.

Veja as informações pessoais que que cada uma das empresas armazena:

Serpro

•Cadastro de pessoas físicas, a base de dados com todos os CPF do país.
•Cadastro de pessoas jurídicas: registro de todos os CNPJs.
•CNH digital: base de dados com todos histórico da carteira de motorista de um condutor – inclusive de suas multas.
•Imposto de renda: todas as informações fiscais dos brasileiros já declaradas no IRPF.
•Renavam: todas as informações de veículos registrados no Brasil.
•Informações de órgãos de inteligência e investigação, como a Abin e Polícia Federal: o Serpro é responsável pela infraestrutura deles.

Dataprev

•Informações laborais de todos os cidadãos inscritos no INSS: histórico trabalhista, salários e impostos recolhidos.
•Cadastro de pessoas jurídicas: informações sobre empresas que contratam no Brasil.
•CadÚnico: cadastro de beneficiários em programas sociais, como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida. Nele, há informações completas sobre estrutura familiar, despesas e rendimentos médios e grau de escolaridade.
•Carteira de trabalho digital: informações com todo o histórico trabalhista dos brasileiros.

Além das informações pessoais, o Serpro mantém o Siscomex, Sistema Integrado de Comércio Exterior, utilizado para acompanhar a entrada e saída de mercadorias do Brasil, cuja falha poderia embaralhar as operações de importação e exportação de empresas de todo o país. A empresa também é responsável por sistemas utilizados para armazenamento e processamento de informações da Polícia Federal e da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência.

“Para qualquer país do mundo, socialista, capitalista, seja o que for, informação é estratégica, o estado não abre mão disso. Aqui o governo faz exatamente o contrário”, diz Lima, do Serpro. “A conexão do governo com a sociedade vai deixar de ser pública e passar a ser privada.”

A questão é a tal ponto sensível que um documento do Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, subordinado à Presidência da República e responsável pela Abin, proíbe que informações confidenciais do governo e dados pessoais coletados por órgãos públicos sejam hospedadas ou mesmo terem cópias em servidores no exterior.

Em nota, o GSI informa que quando as datas das “possíveis privatizações” de Serpro e Dataprev forem confirmadas “serão tratados com os Ministérios envolvidos todos os detalhes pertinentes com a nova situação dessas empresas”.

O Ministério da Economia afirmou, via assessoria de imprensa, que “os sistemas e os dados pertencem e sempre pertencerão ao usuário que contrata o serviço, o governo e aos cidadãos”.

A nota também afirma que, sob gestão privada, as pessoas podem ter um melhor controle sobre suas informações. “O cidadão insatisfeito com a guarda de seus dados tem melhor oportunidade de recorrer à Justiça contra uma empresa privada do que contra uma empresa do governo”, afirma, num raciocínio tortuoso.

Um mercado promissor e ainda desregulado

O modelo de privatização a ser escolhido para as estatais está em estudo no BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Hoje, essas empresas operam no azul: o Serpro tem faturamento anual de R$ 3,2 bilhões, com lucro de cerca de R$ 460 milhões, e a Dataprev, R$ 1,26 bilhões com lucro de R$ 150 milhões.

Uma nota publicada pela Veja indica que o Bank of America Merril Lynch entregou uma avaliação ao time de Paulo Guedes com o valor para venda das estatais. Os preços: R$ 3,4 bilhões, pelo Serpro, e R$ 2,4 bilhões, pela Dataprev.

O interesse nas duas faz sentido. O eventual comprador pode, por exemplo, utilizar o mar de informações que elas detém para direcionar determinados produtos a um público específico ou discriminar pessoas baseada em padrões de comportamento. Bancos, por exemplo, teriam interesse em dados que lhes permitissem calcular risco e possibilidade de alguém ser inadimplente, além de oferecer empréstimos para quem tem dinheiro a receber. O setor do varejo poderia achar interessante usar os dados para fazer propaganda direcionada – em um recorte específico para a população de baixa renda, por exemplo.

“Nós temos todo o registro de vida laboral de alguém, quantos afastamentos teve, quanto tempo ficou afastado”, me disse Judson Mesquita. “Agora imagine se isso cai na mão de um possível empregador ou de um plano de saúde. De repente essa pessoa, vai ser discriminada e não vai ser contratada.”

O vazamento de informações do INSS, que já acontece, dá uma ideia da dimensão do problema. O Idec, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, denunciou o uso de informações do INSS por empresas que estavam fazendo propaganda de crédito consignado de forma insistente para pessoas que haviam acabado de se aposentar. “É prática abusiva de assédio que se aproveita da vulnerabilidade dessas pessoas e gera na ponta um processo de superendividamento dos idosos brasileiros”, me disse Diogo Moyses, coordenador do programa de Direitos Digitais do Idec.

Com informações detalhadas sobre um cidadão, é possível fazer propaganda direcionada de forma muito mais eficiente, atingindo o público mais vulnerável a ser influenciado por determinado discurso.

O instituto tem pressionado os órgãos públicos a identificarem a origem dos vazamentos – um tipo de intercâmbio de informações que pode se agravar se as empresas forem privatizadas. “Nós não fazemos um juízo de valor genérico sobre privatizações. Não é ser contra ou a favor, mas o caso do Dataprev e Serpro é extremamente delicado porque são instituições que gerem basicamente bancos de dados públicos”, afirma Moyses.

Em último caso, a análise de forma maciça de dados pessoais permite a manipulação e interferência em processos democráticos, como ficou claro no caso da atuação da Cambridge Analytica na eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos e na saída do Reino Unido da União Européia, o Brexit. Com informações detalhadas sobre um cidadão, é possível fazer propaganda direcionada de forma muito mais eficiente, atingindo o público mais vulnerável a ser influenciado por determinado discurso.

A Lei Geral de Proteção de Dados, conhecida como LGPD, obriga as empresas a deixarem claro quais informações pessoais irão utilizar e para qual finalidade. Qualquer mudança só pode ser feita com consentimento do titular das informações, sob pena de multa de até R$ 50 milhões. A lei entra em vigor no ano que vem. No entanto, a autoridade responsável por fiscalizar violações de privacidade ainda não foi criada – e a lei tem regras diferentes para o setor privado e para o setor público.

“Sem uma regulamentação, não está claro como seria feita a transição de um regime para o outro”, diz Mariana Rielli, pesquisadora do Data Privacy Brasil, centro de estudos sobre privacidade. “Embora ainda não tenhamos a informação de como seria o modelo da privatização, a intenção por si só é suficiente para levantar bandeiras vermelhas em relação a proteção de dados pessoais.”

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Blue Labor: rightwing identity politics

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 27/11/2019 - 3:18pm in

I’ve started writing a regular column for Independent Australia (every two weeks), and my first column has just gone up. It’s a response to Nick Dyrenfurth and David Furse-Roberts, Australian advocates of Maurice’s Glasman’s Blue Labour ideas in the UK (apparently Glasman visited here for a few months. The central point is that, far from offering a policy alternative to the political right, Blue Labor is all about a specific kind of identity politics, focused on stereotypical male manual workers. These workers assumed to be socially conservative and economically aspirational, but to vote for Labor because they don;t like the silvertails on the other side, despite sharing all of their views.

It took me a while to write this, and several other people came out with very similar analyses in the meantime, notably including Jeff Sparrow. Dyrenfurth responded, complaining “I doubt Jeff Sparrow has read my book instead of relying upon selective media reports and a book extract comprising less than 3% of the book’s contents”

I have (almost) zero sympathy for this. If you can’t summarize your book in 700 words without giving readers a radically wrong impression of your central idea, you shouldn’t publish a summary at all. The only criticism of an extract I would regard as unfair is of the type “Quiggin doesn’t mention topic X or qualify the argument with reference to Y”. In this case, it’s perfectly legitimate to point to the fact that these topics are in fact covered in the book, but not in the extract/summary.

Almost invariably, this rhetorical move involves backing away from the core message presented sharply in the extract/summary, and pointing to the more nuanced presentation in the full length version. On this score, I can only appeal to my Crooked Timber co-blogger Kieran Healy (NSFW title)

Neoliberalism and Climate Change

Published by Anonymous (not verified) on Wed, 27/11/2019 - 1:02am in

By Juliet Schor (guest post)

This is the text of a speech that Juliet Schor, professor of sociology at Boston College, gave at the 45th anniversary celebration for Dollars & Sense, which maintains Triple Crisis blog, on November 14 at the Nonprofit Center in Boston, Mass. Schor was a D&S collective member in its early years.  This is the first in a series of posts on neoliberalism that we’ll be posting at Triple Crisis. 

We are in the midst of a terrifying climate emergency. Whether it’s the record-challenging cold of this week, devastating wildfires, Category 5 hurricanes, flooding on Morrissey Boulevard in Dorchester, Mass., when it’s not raining, the permanent disappearance of glaciers, intensifying drought and climate migration, or the relentless upward march of average temperatures, signs of climate disruption are all around us. This is partly due to the power of neoliberal economics.  Naomi Klein has made an interesting observation about the relation between the two, which is that it was bad luck that neoliberalism surged just as we figured out the need to do something about greenhouse gas emissions. I’m not convinced that the fossil fuel industry wouldn’t have done just what it did and been as successful even if we were still, in the famous words of Richard Nixon, “all Keynesians now” but that’s something we’ll never know. In any case, evidence of the ability of a now discredited economic approach (neoliberalism) to hang on long past its sell-by date is all around us.

One sign is last year’s Nobel Prize—starting with the exclusion from the prize of Martin Weitzman, whose work on fat tails (i.e., catastrophic climate impacts) was a truly pioneering contribution in a subfield that has lagged far behind on incorporating theoretical innovation from elsewhere in the discipline. I should add that this approach formed the basis of Frank Ackerman’s last, excellent book, Worst Case Economics: Extreme Events in Climate and Finance (Anthem Press, 2017). The omission of Weitzman contrasts with the awarding of the prize to William Nordhaus. Nordhaus’ work has been central in stalling effective climate progress. His position was epitomized by his Nobel lecture. One of his slides labeled 4° Celsius of warming as “optimal,” rather than the truly devastating increase scientists have determined it will be. The levels of ecosystem and human disruption that will prevail with a  4° increase are massive, and whether humans would even be able to “adapt” to that level of increase is questionable. Furthermore, the likelihood of tipping points that lead the climate system to spiral out of control are much greater with an increase of 4°. Only a truly deranged economic paradigm could label such a pathway as “optimal.”

What accounts for such a result? The ostensible rationale for go-slow climate policy is that income today is worth more than income in the future. But aside from the patent immorality of that view, it doesn’t even make sense on its own terms. That’s because growth today is mainly yielding increases in the incomes and wealth of the already wealthy. While the standard models such as Nordhaus’s Dynamic Integrated Climate-Economy (DICE) model, don’t incorporate this distortion of the growth process, it is now well-documented that business-as-usual growth is yielding increased concentration of wealth at the very top. So the neoliberal approach to the climate crisis essentially says that we should destroy the planet to further enrich a tiny sliver of humanity that already has an obscene amount of wealth.

Years ago a group of French graduate students in economics started a movement called “post-autistic” economics. They were rightly criticized for their use of the term autistic, and the contributions of Greta Thunberg show how wrong they were about neuro-atypical people—and their ability to see what’s really going on. They changed the name of their journal from Post-Autistic Economics Review to Real-World Economics Review. In that they also faltered, failing to acknowledge that Dollars & Sense already had that franchise. Perhaps they should have called their movement “post-sociopathic” or “post-ecopathic” economics.

So what would an alternative approach, embodied so well in 45 years of analysis from D&S, suggest as a response to the climate crisis?

First, carbon taxes in the range that have been suggested ($40–$50 a ton) are inadequate. It’s too late for the market-based, go-slow approach. Indeed, roughly a decade ago Frank Ackerman and his co-author Elizabeth A. Stanton did estimates of how high a carbon tax might need to be under various assumptions, including lower discount rates than mainstream economists assumed at the time, and Weitzman-like analysis aimed at avoiding catastrophe. These assumptions all yielded far higher estimates than the “politically feasible” carbon tax range, and even went as high as $1,500 a ton under the most stringent assumptions. It’s notable that the Intergovernmental Panel on Climate Change is now also coming up with top-end estimates broadly in that range. A key thing about a tax in that vicinity is that it is so disruptive of the market that it has to be accompanied by a robust and comprehensive role for the state. And that of course is the point of the galvanizing, if still not fully elaborated, Green New Deal. Furthermore, the current Green New Deal, unlike those that have been proposed by progressive economists for decades now, is notable in putting equity and justice at its core. Although there is plenty of debate about the wisdom of this approach in the climate community (with a fair amount of skepticism coming from privileged participants), there’s little doubt that this Green New Deal has mobilized people in an unprecedented way.

This brings me to a related point. In order to fully confront climate change, we need to address other structures of the economy than just the price of carbon. In my own research I’ve worked on two key drivers of carbon emissions, both of which are very much in the spirit of D&S’s approach to economics. The first is hours of work. In a series of papers at both the national and subnational scale, my colleagues and I find that average hours of work are strongly correlated with emissions. Countries with long hours are high emission countries, holding other factors constant. The same is true for states. And short hour countries have low emissions. We find that this is true for two reasons. First, longer hours result in more output, which has associated emissions. But even controlling for this effect, higher hours are still associated with more emissions. We suspect this is an affect at the household level—more work correlates with more commuting, and more carbon-intensive lifestyles.

A second area of work is domestic income and wealth concentration. While most of the research on climate and inequality focuses on North-South inequities, or disproportionate impact on vulnerable populations wherever they live, my colleagues and I have been analyzing another dimension of inequality. We look at how the concentration of income and wealth at the top of the distribution (the top 10%, 5% and 1%) is associated with higher emissions. We believe this is due to two factors—the very high carbon footprints of people at the top and a political economy effect, in which the wealthy have outsized political impact and are able to forestall effective climate responses.

I want to end with a few reflections about my experience with D&S. I had the great privilege to work there (not for pay, but for many hours per week) back in 1976. I was just 20 years old, had left my first graduate program because it didn’t offer a critical perspective, and I was waiting to matriculate at UMass. Arthur, Frank, and others were extremely welcoming as I showed up on their doorstep with nothing more than eagerness and eight months to spare before the fall semester began. For me, it was the beginning of a lifetime of popular writing.

In those days, articles were fully collectively written, which included wrangling over every word. It was a great learning experience, both about economics, but also about collective process, political commitment, and real world politics. This was a time when racial tensions were high and the fight to desegregate Boston was raging. The collective volunteered to help protect a black family who had moved onto a “white” block in Dorchester and was being threatened and attacked by white vigilantes. I remember sitting on that family’s porch, baseball bat in hand, with others from the group. I’m not sure what I could or would have done with that bat had an attack come, but it was a powerful experience. And as much as I learned about economics in those eight months, I suspect that I learned even more about solidarity and political commitment. Congratulations to D&S on a brilliant nearly half century.

Juliet Schor is a former D&S collective member, a professor of sociology at Boston College, and author of numerous books, including The Overworked American (1991), The Overspent American (1997), and True Wealth (2011).

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